Há dias em nossas vidas em que o ânimo desaparece quase por completo. Às vezes, impulsionado por situações críticas, problemas difíceis que se arrastam, enfermidades, perdas, conflitos ou pressões acumuladas. Outras vezes, o ânimo simplesmente desaparece sem motivo aparente. O certo é que não é fácil manter a rotina, as responsabilidades, a alegria e a esperança quando o desânimo entra no coração.
Lemos no Salmo 42 duas perguntas feitas à própria alma em meio ao abatimento, seguidas de uma resposta, como uma exortação de fé: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.” (Sl 42:5). Neste contexto, o salmista não nega sua dor, mas também não se entrega a ela. Ele olha para dentro, reconhece o abatimento, confronta a perturbação e conduz a alma de volta ao Senhor.
Creio que uma das primeiras verdades que precisamos compreender é que somos seres com emoções e motivações instáveis. Há dias de força e dias de fraqueza. Há momentos em que acordamos dispostos, e outros em que tudo parece pesado. Às vezes, somos afetados por circunstâncias claras; outras vezes, nem sabemos explicar por que a alma se encontra abatida. Faz parte da nossa humanidade, marcada pela queda, experimentar oscilações, cansaços e fragilidades.
Portanto, primeiro, acolha suas emoções. Dê espaço para entender o que, de fato, você está sentindo. Deus nos fez seres com emoções, e elas não devem ser ignoradas, escondidas ou tratadas com superficialidade. Como o salmista, pergunte ao seu coração: por que estou abatido? O que tem me perturbado? Há algo que preciso entregar, confessar, tratar, descansar ou esperar? Leve tudo ao Senhor em oração.
Segundo, não confie demasiadamente em suas emoções. Elas precisam ser ouvidas, mas não devem governar a sua vida. Devem ser alimentadas pela Palavra, conduzidas pela oração, amadurecidas por bons conselhos e submetidas à verdade de Deus. No Salmo 42, o salmista ensina sua própria alma. Ele pergunta, compreende, acolhe, mas não para aí. Ele afirma: “Espera em Deus”.
A resposta é Deus. A força vem de Deus. A solução última não está em outro lugar. Por isso, mesmo com a alma abatida, assuma este compromisso de fé: “pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”. Quando o ânimo desaparecer, espere em Deus. Ele continua sendo o seu auxílio, o seu Deus e a esperança que sustenta a sua alma.
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