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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

CORRER

 Ela não correu.


Enquanto as abelhas atacavam, aquela menina de 12 anos ficou em pé, chorando, aparentemente paralisada. E talvez alguém, protegido atrás de uma tela, pergunte:


“Mas por que ela não correu?”


Porque o medo nem sempre faz uma pessoa fugir.


Diante de uma ameaça intensa, o organismo pode enfrentar, fugir ou simplesmente congelar. A pessoa pode querer gritar, correr, reagir… e naquele instante não conseguir.


É por isso que precisamos tomar cuidado com perguntas cruéis feitas depois de um trauma:


“Por que você não reagiu?”

“Por que não gritou?”

“Por que ficou ali?”


Muitas vítimas de violência e abuso carregam, além daquilo que sofreram, a culpa que outras pessoas tentaram colocar sobre a reação delas.


Mas essa história tem outra parte.


Enquanto ela não conseguia correr, alguém correu até ela.


Vinícius enfrentou o enxame e relatou ter recebido cerca de 40 picadas durante o resgate.


Ele não ficou perguntando por que ela estava parada.


Ele percebeu que ela precisava de ajuda e foi.


E talvez seja isso que torne essa história tão humana.


Provérbios 17:17 diz:

“Em todo tempo ama o amigo, e na angústia nasce o irmão.”


Talvez você nunca precise enfrentar um enxame por alguém.


Mas pode encontrar uma pessoa paralisada pelo medo, pelo luto, pela violência ou pelo desespero.


Antes de perguntar “por que você não sai daí?”, talvez a pergunta seja:


“Como eu posso chegar até você?”


Porque existem momentos em que o amor não pergunta por que você não correu.


O amor corre até você.



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