O amanhecer é portador de esperança e de realização. Podemos fazer tantas coisas durante um dia, mas não podemos deixar de ser realistas: alguns desencontros sempre surgem. Mas basta um contratempo para que o dia inteiro seja vivenciado com pesar. O compromisso foi cancelado, a resposta demorou, alguma coisa escapou ao planejamento, e logo dizemos que nada deu certo. Enquanto isso, tantas presenças continuaram sustentando a vida sem chamar atenção. Houve água na torneira, alguém cumpriu uma promessa, uma palavra amiga chegou na hora em que o ânimo começava a faltar. Reconhecer esses acontecimentos não apaga o problema. Devolve ao olhar uma paisagem maior, na qual a dificuldade existe sem ocupar todos os espaços. Quando a preocupação estreita nossa atenção, até o carinho pode passar despercebido. A pessoa que pergunta como estamos recebe uma resposta apressada, o alimento perde o sabor, a pequena conquista parece insuficiente. A gratidão começa a nos retirar dessa distração dolorosa. Ela pede uma presença mais atenta ao que permanece possível. Podemos resolver o que exige providência e, ao mesmo tempo, agradecer pelo apoio que torna essa tarefa menos solitária. Deus também se deixa perceber nessa continuidade discreta do bem. Nem sempre haverá uma mudança extraordinária; por vezes, haverá apenas o necessário para dar o próximo passo com dignidade. Um conselho, uma oportunidade de tentar novamente, o encontro com alguém disposto a colaborar. Ao acolher essas ajudas, recuperamos ânimo para participar daquilo que desejamos melhorar. A esperança ganha mãos e se transforma em cuidado concreto. Talvez ainda terminemos o dia com questões abertas. Mesmo assim, poderemos recordar que houve mais do que obstáculos. Alguém esteve conosco, alguma coisa foi aprendida, uma possibilidade permaneceu de pé. E, quando o olhar se demora nessas pequenas fidelidades da vida, o caminho deixa de parecer inteiramente fechado. Há um bem silencioso acompanhando os nossos passos.
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