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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

CONFIANÇA


“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28).

Como pecadores redimidos estamos acostumados a confiar mais em nossas previsões do que no poder e na vontade de Deus. Geralmente, nossa confiança reflete a leitura dos acontecimentos. Se percebemos algo contra a nossa vontade, tendemos ao desânimo, a apatia, antecipando o pior dos cenários, que será sempre o contrário daquilo que gostaríamos. Todavia, precisamos aprender a querer e esperar a vontade de Deus. Ela sempre será surpreendente, pois nunca poderá ser antecipada pelos homens. Por mais provável que seja o desfecho de uma situação, nunca jamais podemos tê-lo como certo. Apenas depois de consolidado no tempo e no espaço, na história, é que podemos contar com o fato. Mesmo no último momento qualquer situação pode sofrer repentina reviravolta.

Aprender a querer, ansiar e esperar pela vontade de Deus é a base da segurança e da paz, da alegria que temos em Cristo. Devemos aprender a reconhecer a vontade de Deus como boa. Como afirma o verso epigrafado, todas as coisas cooperam para o bem dos filhos de Deus, mesmo quando significam dor e sofrimento. Um dos maiores problemas para o crente é ter medo da vontade de Deus, aqueles angustiantes momentos quando percebemos que exatamente aquilo que nós não queremos parece que vai se realizar. Tememos que o Senhor permita aquilo! O grande fator complicador é que nossa desconfiança da vontade de Deus é também desconfiança dos objetivos do Senhor, como se ele não estivesse observando minha angústia e minhas dores. É exatamente nesses ambientes que nos sentimos abandonados por Deus, banidos de seus favores e de sua presença.

Somos extremamente infantis na fé, mostrando que, no melhor estilo da criança, não aceitamos um "não" como resposta. Há muitos momentos assim em nossa vida, quando esperamos do Senhor obrigatoriamente o "sim". No entanto, tanto o "não" quanto o "sim" estão permeados de surpresas, de resultados e consequências inesperados e imprevistos que não raro nos espantarão. Às vezes, um revés é seguido de uma ocasião extremamente abençoadora, mas pode ser também que venha outro revés. Uma situação extremamente abençoadora pode ser sucedida por benção ainda maior, ou quem sabe, um revés. Pode ser que o resultado que vimos concretizar contra ou a favor de nossa vontade por fim se mostre algo completamente diferente daquilo que previmos, atenuando a situação, agravando-a, intensificando a alegria ou desvanecendo-a.

O que jamais podemos fazer é medir ou perceber o amor de Deus tão-somente pelos benefícios que recebemos. Ele é essencialmente bom, jamais podendo agir por mal. Se há alguma coisa que Deus não consegue fazer é exatamente operar o mal. Quando o Senhor diz através da boca de seu profeta: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas” (Is 45:7), não se trata de criar o maligno, o vil, as trevas no sentido espiritual. Na verdade, o texto exalta o Deus criador e soberano, que cria o dia e a noite, a paz (como resultado da fidelidade) e a guerra (os males oriundos das batalhas) como retribuição ao pecado praticado. Como Deus é essencialmente bom e não há nele treva nenhuma (1Jo 1.5), pode se dizer que, em sentido bastante específico, ele também é padrão do mal maligno, pois tudo o que não se harmoniza com o Senhor como o padrão do sumo bem, é mal. Note-se que o mal é exatamente o contrário da essência divina.

O texto epigrafado está na sequência de um dos textos mais profundos sobre a soberania de Deus na oração. Um bom exemplo encontramos no Livro de Atos. Quando o apóstolo Pedro foi livre da prisão, o que encontramos narrado no capítulo 12, a igreja estava em oração (v. 12). É indiscutível que um dos principais temas das súplicas que faziam naquela noite certamente era relativo à prisão de Pedro. Podemos dizer que Deus libertou Pedro porque a Igreja orava? Ora, no mesmo contexto, Tiago irmão de João, também foi preso. É certo que a igreja também orou por ele, no entanto, ele foi morto por ordem de Herodes. Será que o Senhor não ouviu a oração de sua igreja? Deus sempre ouve a oração de seus filhos, mas não implica dizer que fará o que está sendo pedido. Por vezes, a vontade divina será exatamente aquilo que estamos clamando para que não aconteça. Por isso, Paulo escreveu o verso em epígrafe, para nos mostrar que ainda que a vontade do Senhor seja exatamente o oposto do que pedimos, especificamente aquilo que tentamos evitar, o resultado sempre se mostrará benéfico na vida dos crentes verdadeiros.

Deus está atento à vida dos seus eleitos. Algo fascinante está implícito na afirmação final: “daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Significa dizer que o mesmo propósito eterno de Deus, estabelecido antes que houvesse mundo, que determina também os sofrimentos de nossa vida, é o mesmo que garante nossa salvação e o favor eterno de Deus em Cristo. Levantarmo-nos contra a vontade decretiva de Deus, seu propósito eterno, é questionar a própria eleição. Dizendo isso de outra maneira, a mesma vontade irresistível e irreversível do Senhor, que dirige minha vida permitindo dores e sofrimentos, é a mesma que garante minha salvação eterna.

Aprendamos a descansar no propósito do Senhor! Ele sabe aquilo que precisamos, o que é necessário para que vivamos seu propósito eterno, nossa vocação e ministério. Ele se encarregará de fazer cumprir sua vontade e nos dar todos os meios necessários para que vivamos de forma obediente diante de sua face. Ao invés de temer a vontade do Senhor, confesse toda sua confiança. Adore o Senhor por suas infinitas misericórdia e bondade. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

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