A vida é um milagre. Viver é um milagre. Ter uma família e amigos é um grande milagre. Pensando bem, tudo é milagre. Há uma busca profunda que atravessa o coração humano e, muitas vezes, nem chega a ser formulada em palavras. Ela se manifesta como inquietação, como desejo, como a sensação de que algo precisa fazer sentido para além do imediato. No entanto, a vida não responde sempre com argumentos claros ou caminhos perfeitamente desenhados. Muitas vezes, a resposta vem na forma da própria existência, sustentada dia após dia por uma fidelidade que não depende de entendimento completo. Estar aqui já é um sinal de que algo foi confiado, mesmo que ainda não se saiba exatamente o quê. Cada pessoa carrega uma história que não se repete, um modo singular de sentir, de olhar, de atravessar o mundo. Isso não é acaso, é mistério acolhido. Deus não age por improviso, mas por delicadeza, e a presença de cada vida no mundo revela uma intenção que s ok oe desdobra no tempo, sem pressa de se explicar. Há momentos em que o coração se compara, se diminui, questiona seu lugar, como se precisasse justificar a própria presença. Mas a existência não precisa de defesa, ela se basta. O simples fato de respirar, de sentir, de continuar apesar das fragilidades já testemunha uma resposta viva àquilo que a vida pede. Nem sempre se sabe qual é a pergunta, e tudo bem. Algumas respostas não se dão em palavras, mas em permanência, em resistência silenciosa, em gestos pequenos que mantêm o mundo um pouco mais habitável. A vida se encarrega de revelar, aos poucos, o sentido que não se impõe, apenas se oferece. Quando se aceita essa verdade com humildade, o coração encontra repouso. Estar aqui, agora, já é participação no mistério maior, já é diálogo com Deus, já é sinal de que a vida confiou algo precioso. E nesse reconhecimento sereno, a alma descobre que viver não é responder a todas as perguntas, mas permitir que a própria presença continue sendo resposta, mesmo em silêncio.
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