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terça-feira, 31 de março de 2026

CRUZ

 A crucificação

“E levaram Jesus para o Gólgota, que quer dizer Lugar da Caveira. Deram-lhe a beber vinho com mirra; ele, porém, não tomou. Então, o crucificaram e repartiram entre si as vestes dele, lançando-lhes sorte, para ver o que levaria cada um. Era a hora terceira quando o crucificaram” (Mc 15:22-25)
A cruz foi uma forma de execução de pena de morte que os romanos herdaram dos persas. Roma a reservava para os inimigos, para aqueles que se levantavam contra o império. O objetivo era desincentivar qualquer rebeldia ou sedição, pois significava morrer com requintes de crueldade. Quem era pregado à cruz não apenas morria, mas era torturado irremediavelmente por várias horas antes de dar seu último suspiro. Era vexame e vergonha, a exposição patética de alguém totalmente vencido e derrotado, amargando o fracasso no escárnio público, servindo de espetáculo macabro a todos os curiosos. Exposto ao sol e sem água, o corpo ia se desidratando lentamente, provocando a agonia da sede. Um dos clamores de Jesus na cruz foi exatamente: “tenho sede” (Jo 19.28)
As dores eram lancinantes, não apenas aquelas causadas pelas perfurações dos cravos nas mãos e nos pés, mas também nas articulações dos braços e tornozelos, forçados pela posição imposta ao corpo crucificado. No caso de Jesus, ainda havia as contusões do espancamento, dos açoites cortantes que dilaceraram suas costas e da coroa de espinhos cravada em sua cabeça. Esta adicionava outra dificuldade. O fato de tê-la encravada, impedia que pudesse apoiar a cabeça no mastro principal da cruz, fazendo com que necessariamente tivesse que ficar pendida à frente, impondo grande desconforto ao pescoço.
Os ladrões crucificados ao lado de Jesus tiveram suas pernas quebradas. Tal era uma exigência dos judeus para acelerar a morte, pois, tendo sido crucificados na sexta-feira, não poderiam permanecer pendurados no madeiro além das dezoito horas daquele dia, hora em que começaria a guarda do sábado. Não poderia haver nenhum corpo exposto até o dia seguinte, sob pena de ficar a terra amaldiçoada (Dt 21.22, 23). Ao quebrar as pernas do crucificado, o corpo teria todo seu peso suportado exclusivamente pelos braços. Esse esforço produziria enorme esforço à musculatura da caixa toráxica, tornando a respiração cada vez mais difícil. A consequência seria uma parada cárdio respiratória.
Jesus não teve as pernas quebradas pois, diferente dos outros dois crucificados que foram alimentados normalmente e puderam passar a noite sem qualquer esforço, foi espancado severamente e passou a noite em claro, em julgamento fraudulento. Bastante desgastado, não conseguiu carregar sua cruz todo o percurso até o Calvário. A morte antecipada de Jesus é providencial, para se cumprir a Escritura. Como Cordeiro Pascal, oferecido para a quitação de nossa dívida, não poderia ter nenhum osso quebrado, isso porque os sinais da crucificação permaneceram nele mesmo após a ressurreição, o que Tomé pôde comprovar.
Para confirmar a morte, um soldado perfurou um lado de Jesus com uma lança, de cujo ferimento saiu sangue e água. Hoje, a medicina enxerga neste fato evidência incontestável de morte física resultante de grande flagelo. Há quem reconheça nisso fenômeno sobrenatural, como o último milagre de Jesus antes de sua ressurreição. De qualquer forma, a água e sangue vistos na cruz se ligam ao primeiro milagre do Messias, quando transformou água em vinho. Neste, Jesus explicitamente afirmou que sua hora ainda não era chegada. No entanto, na véspera de sua crucificação afirma: “É chegada a hora”, indicando claramente a ocasião de sua morte de cruz (Jo 12.23). O vinho e o sangue se ligam ao sacrifício de Cristo, a água à realidade do Espírito. No evangelho de João, Jesus é aquele que traz a plenitude do Espírito, vista como o alvo final de seu ministério.
O apóstolo Paulo percebe a cruz como evidência de maldição, aplicando à cena de Jesus crucificado o que afirma a lei: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro) (Gl 3:13). Na lei de Moisés, o texto se referia ao enforcamento e à empalação (quando o corpo é atravessado por uma lança que é fincada na terra). No entanto, inspirado por Deus, o apostolo percebe a crucificação como cumprimento desse princípio aplicado a Jesus. Ele levou sobre si a maldição do pecado que recaiu sobre nós, pagando nossa dívida de sangue. Morreu a nossa morte para que pudéssemos viver sua vida.
O reconhecimento daquilo que Jesus fez por nós está no centro da experiência cristã, sendo o motivo e o motor do nosso amor para com Deus. Nós o amamos porque ele nos amou primeiro. Não existe amor sem sacrifício. Quando, de alguma forma, nos esforçamos ou sofremos sinceramente por alguém, isso se constitui amor. Deus provou o seu amor dando seu Filho amado por resgate dos eleitos. Prepara um povo para si, para a adoção de filhos, para desfrutarem a sua eternidade para todo sempre. A cruz tem que estar no centro de nossa adoração, alicerce de nossa gratidão ao Senhor. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus

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