Existe uma parte da medicina que não aparece em exames, nem em protocolos, nem nas condutas descritas em livros.
É a parte em que o médico sustenta a dúvida!
Na psiquiatria, isso é ainda mais evidente.
Porque nem sempre estamos lidando com certezas objetivas, mas com histórias subjetivas e nuances.
Antes de qualquer prescrição, existe um espaço silencioso onde se pensa: ‘E se não for isso?’
E esse espaço muitas vezes pesa!
Decidir não é apenas escolher um tratamento, é assumir as consequências daquela escolha, inclusive as que não podemos prever completamente.
Entre a escuta e a conduta existe um intervalo invisível onde o médico revisita hipóteses, considera riscos, mede palavras e muitas vezes carrega sozinho a responsabilidade de não errar.
Protocolos ajudam. Evidências orientam.
Mas nenhuma diretriz elimina completamente a incerteza do humano.
E talvez seja isso que mais cansa!
Não é só o volume de atendimentos nem apenas a carga horária.
É o acúmulo de decisões que não podem ser automatizadas.
É precisar estar inteiro, lúcido e ético, mesmo quando também se está cansado.
É sustentar o peso de escolher, sabendo que do outro lado existe alguém confiando.
Essa é a parte da medicina que quase ninguém vê…
Mas é justamente ela que sustenta tudo o que é visível. 💙
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