Entre o voo da águia e o canto do rouxinol existe uma tensão silenciosa: a tentação de ser o que o outro é.
A águia ama o canto, mas não sabe cantar.
O rouxinol ama o voo, mas não nasceu para as alturas.
E, ainda assim, ambos tentam.
Quantas vezes fazemos o mesmo?
Quantas vezes, por amor, por admiração ou por insegurança, abrimos mão daquilo que somos para tentar caber no mundo do outro?
O problema é que, ao tentar voar como águia, o rouxinol perde o fôlego…
E, ao exigir que ele cante depois disso, a águia já não reconhece mais sua essência.
O que nos torna únicos também nos impõe limites.
E há beleza nisso.
Nem todo amor é sobre se tornar igual.
Às vezes, é sobre aprender a admirar o outro sem deixar de ser quem se é.
Porque a pior prisão não é a gaiola.
É deixar de ser quem você é para ser aceito por quem você ama.
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