Total de visualizações de página

sábado, 28 de março de 2026

VOO

 Entre o voo da águia e o canto do rouxinol existe uma tensão silenciosa: a tentação de ser o que o outro é.


A águia ama o canto, mas não sabe cantar.

O rouxinol ama o voo, mas não nasceu para as alturas.


E, ainda assim, ambos tentam.


Quantas vezes fazemos o mesmo?

Quantas vezes, por amor, por admiração ou por insegurança, abrimos mão daquilo que somos para tentar caber no mundo do outro?


O problema é que, ao tentar voar como águia, o rouxinol perde o fôlego…

E, ao exigir que ele cante depois disso, a águia já não reconhece mais sua essência.


O que nos torna únicos também nos impõe limites.

E há beleza nisso.


Nem todo amor é sobre se tornar igual.

Às vezes, é sobre aprender a admirar o outro sem deixar de ser quem se é.


Porque a pior prisão não é a gaiola.

É deixar de ser quem você é para ser aceito por quem você ama.



Nenhum comentário:

Postar um comentário