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terça-feira, 28 de abril de 2026

AMAR

 “.. Amar em silêncio é aprender a conviver com um terremoto que ninguém vê. Por fora, tudo parece intacto. Por dentro, cidades inteiras desmoronam todos os dias. O amor platônico não pede espaço na vida real, mas ocupa todos os espaços da alma. Ele se instala nos detalhes, nos gestos imaginados, nas conversas que nunca aconteceram e nos abraços que só existem no território da fantasia.


Há uma violência suave em desejar alguém que não pertence ao seu mundo. É como gritar debaixo d’água e perceber que o som morre antes de alcançar a superfície. O sentimento cresce sem testemunhas, sem provas, sem promessas. Cresce livre e, ao mesmo tempo, condenado. Não existe decepção concreta, mas existe a tortura do “e se” repetido infinitamente dentro da mente.


É um verdadeiro incêndio que não pode virar chama. Ele queima sem luz, sem calor visível, sem fumaça que denuncie a tragédia. Ninguém percebe o esforço diário de fingir normalidade enquanto o coração cria histórias inteiras antes de dormir. Ninguém escuta o barulho ensurdecedor das expectativas que nascem já destinadas ao impossível.


É cruel perceber que a pessoa segue vivendo a própria vida sem imaginar que existe alguém construindo universos inteiros ao redor da sua existência. Cada sorriso casual vira memória eterna. Cada palavra comum ganha o peso de uma confissão que nunca foi feita. O coração transforma migalhas em banquetes e chama isso de sobrevivência.


A maior dor não é a rejeição, é a ausência dela. Não existe um “não” definitivo que encerre o capítulo. Existe apenas o silêncio. Um silêncio que permite que a esperança continue respirando mesmo quando já deveria ter morrido. Um silêncio que prolonga o sentimento até ele virar parte da identidade.


Quem vive um amor platônico aprende a amar sem tocar, a sentir sem possuir, a sofrer sem reclamar. Aprende a carregar um segredo que pulsa, cresce e ocupa cada espaço vazio do dia. Aprende que algumas histórias não nascem para acontecer, mas para marcar.


E mesmo assim, no fundo, existe algo assustadoramente bonito nisso. Porque amar sem ser visto exige uma coragem absurda. Exige continuar sentindo mesmo quando não há garantia de retorno, de reconhecimento ou de final feliz. É amar sem palco, sem aplausos, sem testemunhas. Apenas amar.


E talvez seja isso que mais assusta. Alguns amores não são feitos para viver. São feitos para ecoar..”


📝❤️‍🩹✨

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