“Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles" (Ap 21.3).
Deus é o catalisador de todo a Criação. Todas as coisas são dele, foram feitas por ele, e objetivam a sua glória. Tudo converge para o Senhor. Ele está estampado na Criação e fez o homem à sua imagem e semelhança. O objetivo do Senhor ao criar o ser humano foi torná-lo “um” consigo mesmo, isto é, que o homem se identificasse em tudo com seu Pai, aquele que o criou. No entanto, tornado caído, passou a criar sua própria realidade, como se o pudesse fazer.
Percebe, então, sua fragilidade e procura apoio no mesmo homem para empreender seus próprios interesses. A confiança que deveria ser posta em Deus, como Salvador e Provedor, é posta em seres igualmente fracos e falhos. Por isso vemos o Senhor falar por boca de seu profeta: “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor!" (Jr 17.5).
Possivelmente a maior expressão dessa tendência pecaminosa tenha sido a Torre de Babel, quando o homem acreditou que sua força coletiva era suficiente para enfrentar e vencer o Criador. Percebemos nas Escrituras que o pecado sempre busca apoio e aceitação. Nossa sociedade é uma prova disso, quando tenta impor, por força de leis e opressão, a aceitação de imoralidades e perversões. Não basta optar pelo pecado como norma da vida. É necessário que todos o aceitem como legítimo. Essa é a forma de tirar de sobre os ímpios o senso de reprovação e de condenação que paira sobre eles. O barro se revolta contra as mãos do oleiro, tentando inutilmente modelar-se a si mesmo. Ao agir assim negam e renegam a maior de todas as bênçãos: a vida em Deus.
O texto epigrafado fala da realidade final de todas as coisas, momento no qual Cristo completa sua obra e sagra-se plenamente vitorioso contra todas as hostes malignas. Todos os efeitos da queda são retirados da existência e os ressurretos vivem novamente a união com o Criador e a unidade de povo. Na queda, o homem abandona a Deus é adere à revolta do diabo. O reino da Criação dado aos homens é assim usurpado. Notemos que o pecado tende sempre e naturalmente contra tudo o que foi ordenado pelo Criador. Assim, a ordem para povoar a terra foi prontamente contrariada. A humanidade pós-diluviana se concentrou e se uniu em revolta e em oposição a Deus. Por causa disso, o próprio Senhor toma medidas para espalhá-los, pois a benção para o homem incluía a colonização de toda terra. Línguas foram criadas, gerando as mais variadas culturas.
Todavia, o projeto final do Criador, feito Salvador, é congregar novamente todos os homens, os salvos, na recomposição de uma nova humanidade, santa, perfeita, serva, filha e aliada do único Deus. É curiosa a forma como o Livro de Apocalipse se refere a isso: “eles serão povos de Deus”. Significa dizer que a multidão dos eleitos de toda tribo, língua, povo e nação, serão congregados como uma única humanidade final e eterna, que viverá para sempre com o Cristo ressurreto nesta terra totalmente restaurada: “Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8.20, 21).
É importante que compreendamos o quanto a benção final pode e deve ser antecipada. Sabemos que a partir do Pentecostes a restauração da Criação já teve início. O mesmo Espírito criador que pairava sobre a face das águas em Gênesis pairou sobre os apóstolos no Pentecostes e foi derramado sobre toda a igreja, implantando uma nova natureza nos que creem, começando assim a restauração de tudo exatamente por aquele por quem foi iniciada a queda: o homem.
Mas há também outra bênção maravilhosa: o fator agregador dos eleitos, ou seja,a formação do único povo de Deus, agora também chamado família de Deus, a partir dos habitantes do mundo inteiro. É tão prazeroso para um crente encontrar um desconhecido e perceber o quanto têm em comum, o quanto são parecidos. A experiência de um salvo ao viajar para outros países também é esta: “há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Ef 4.4-6). O evangelho de Cristo nos transforma, fazendo-nos parecidos com Jesus. Dessa maneira, no Salvador nos assemelhamos uns aos outros, nos identificando com aqueles que tem a nossa mesma fé. Realmente somos uma única família e amamos estar juntos na presença de nosso Pai. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus
Nenhum comentário:
Postar um comentário