Porque a vida é breve devo acordar como se um sábado se escondesse em cada dia. Devo porém me acostumar com a certeza de passarei como o redemoinho que varre o pó das estradas.
Rubem Alves disse que “os homens buscam a segurança para fugir da morte. Eles não sabem que a segurança é morte em vida”.
Não quero segurança, mesmo que note os meus dias escorrendo entre os dedos.
As semanas se diluem em meses, que se transformam em anos que me envelhecem e as década de acumulam.
Inconformado com a ladeira, insisto em não deixar que a vida se descole de mim.
Se os ponteiros do relógio aceleram, peço à minha alma que suspire mais suspire calma.
Porque a vida é breve não me antecipo ao fim; ao contrário, vou vivendo; simplesmente vivendo.
Quero arrancar de cada instante uma tigela transbordante do mel da amizade; quero lavar as minhas dores com o linho delicado da compaixão.
Antes do derradeiro instante anularei qualquer remorso por não precisar quitar dívidas com o Eterno.
Porque a vida é breve,
sei do meu fim - espero que demore.
Naquele dia, lágrimas discretas de poucos amigos bastarão. Das pessoas que me antipatizaram, por favor, sejam elegantes e apenas diga: “Foi-se, então?”
Porque a vida é breve, deito como se fosse eterno, mas ando como se fosse encontrar com Deus a qualquer instante.
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