Há momentos em que os acontecimentos parecem não fazer sentido.
Nossa percepção da realidade fica comprometida; as frestas da alma, entupidas e as janelas do coração, cerradas.
Decepção substitui confiança; uma tristeza imensa inibe o ímpeto de seguir adiante e um abatimento contamina a esperança.
O calor de pelejar esfria traiçoeiramente, a energia fundamental para dizer “eu vou seguir com fé” se acaba.
O granito das certezas cede debaixo dos nossos pés e sobra uma sensação de que afundamos numa areia movediça mental.
Há tempos em que se esgota todo o entusiasmo. As balizas que indicam que nosso gesto ficam turva.
Os diques das emoções se rompem e nosso barco fica sem rumo, à deriva.
Há momentos em que o silêncio impenetrável dis covardes abafa a coragem. Gente que pensa reinar sobre o império da culpa confisca toda a confiança.
O pavor do inesperado transforma nossa existência em masmorra e os sonhos definham.
Da escuridão soturna, ouvem- se apenas lamentos. Na poesia, o verso nasce sofrido. Não encontramos rima para a fadiga.
O espírito melodia aos soluços.
Há momentos em que determinação acontece por mera teimosia. As escolhas, empurradas, forçadas, nada significam.
A vida vai tangida, sem ânimo. Vamos adiante, simplesmente, pelo horário cumprido e pela tarefa realizada.
No tabuleiro, nos vemos como peões e nossa tarefa de resume em cumprir a predestinação de proteger o Rei.
Nesses dias, aprendemos a mais interessante das virtudes, a humildade.
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