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quarta-feira, 29 de abril de 2026

MOMENTOS

 Há momentos em que os acontecimentos parecem não fazer sentido. 


Nossa percepção da realidade fica comprometida; as frestas da alma, entupidas e as janelas do coração, cerradas. 


Decepção substitui confiança; uma tristeza imensa inibe o ímpeto de seguir adiante e um abatimento contamina a esperança. 


O calor de pelejar esfria traiçoeiramente, a energia fundamental para dizer “eu vou seguir com fé” se acaba. 


O granito das certezas cede debaixo dos nossos pés e sobra uma sensação de que afundamos numa areia movediça mental.


Há tempos em que se esgota todo o entusiasmo. As balizas que indicam que nosso gesto ficam turva. 


Os diques das emoções se rompem e nosso barco fica sem rumo, à deriva.


Há momentos em que o silêncio impenetrável dis covardes abafa a coragem. Gente que pensa reinar sobre o império da culpa confisca toda a confiança. 


O pavor do inesperado transforma nossa existência em masmorra e os sonhos definham. 


Da escuridão soturna, ouvem- se apenas lamentos. Na poesia, o verso nasce sofrido. Não encontramos rima para a fadiga.

O espírito melodia aos soluços.


Há momentos em que determinação acontece por mera teimosia. As escolhas, empurradas, forçadas, nada significam. 


A vida vai tangida, sem ânimo. Vamos adiante, simplesmente, pelo horário cumprido e pela tarefa realizada. 


No tabuleiro, nos vemos como peões e nossa tarefa de resume em cumprir a predestinação de proteger o Rei.


Nesses dias, aprendemos a mais interessante das virtudes, a humildade.


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