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quarta-feira, 22 de abril de 2026

MENTIR

 

“Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?” (Nm 23:19).

 Deus é a própria realidade. Isso pode ser visto de várias formas. Ele é o lugar da existência. Quando pensamos em nossa realidade, sabemos que existimos em algum “lugar”. Estamos no mundo criado por Deus. Toda a Criação, pelo testemunho da Escritura, existe em Deus. Citando Epimênides, em seu discurso no areópago de Atenas, afirma o apóstolo Paulo: “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17:28). Só Deus existe por si mesmo. Só ele tem existência própria. Por isso, toda existência criada existe no Ser de Deus. Ele empresta sua existência para que nós existamos nele. No entanto, quando pensamos no lugar da existência de Deus, onde é que ele existe? Não há lugar que o possa comportar. Não há qualquer existência que possa conter a existência de Deus. Notemos: ele é a própria realidade. Tudo está nele e fora dele nada existe. Nada há além do Senhor. Ele não está em algum lugar, como um “mundo de Deus”. Na verdade, ele é quem sustenta todas as coisas em seu próprio Ser.

 Entendamos assim que a realidade e a verdade se confundem, assumem significados idênticos, quando entendemos que Deus é a própria realidade. A verdade não se expressa meramente conceitual. Ela sempre traduz a realidade. Há princípios fundamentais da própria existência. Sabemos que o Senhor, antes de criar todas as coisas, estabeleceu a “sabedoria”, isto é, as verdades que regeriam a existência criada. Antes de formar todas as coisas, toda a Criação já existia na mente de Deus. Todos os conceitos que formatam e dirigem a existência, todo o propósito do Criador – a história do mundo e de cada ser vivo, mesmo o propósito de salvação - e a encarnação, já estavam prontos e determinados. Portanto, toda realidade reflete a mente e os decretos de Deus. Qualquer coisa dita ou afirmada contrária a isso é mentira.

 Daí entendermos a gravidade da mentira. Ela é afirmação da irrealidade. Se digo que sou um milionário excêntrico, que tenho milhões depositados em contas localizadas em paraísos fiscais, e alguém acreditar nisso, passará a viver uma irrealidade a meu respeito, pois acreditou em uma mentira. O fato de aceitar a mentira não fará com que se torne verdade. Quando se diz que uma mentira, constantemente repetida, se torna verdade, significa que passa a ser aceita e assimilada como verdade, não que aquilo que não aconteceu ou que não existiu no tempo e no espaço passe a ter acontecido ou existido. A mentira jamais será verdade, pois não ocorreu, não é real!

 Então percebemos também o poder da verdade: se harmonizar com o próprio Ser de Deus, a própria realidade. Aquele que afirma a verdade tem Deus, e consequentemente, a própria realidade, a seu favor. É verdade que o falso testemunho ou entendimentos equivocados poderão fazer com que a mentira prevaleça eventualmente entre os homens, mas nunca diante de Deus que é a própria realidade. O caminho de justiça, tudo o que agrada ao Senhor, a vida vivida para a glória dele, são características daquele que vive com base sólida na existência.

 O texto epigrafado ocorreu em situação bastante peculiar, que destaca a veracidade daquilo que temos argumentado. São palavras de Balaão, um profeta pagão, que reconhecia Yahweh entre as divindades de seu panteão. Foi contratado por Balaque, rei de Moabe, para amaldiçoar Israel. Moabe era uma nação aparentada de Israel, descendente de Moabe, filho de Ló, sobrinho de Abraão. No entanto, todas as vezes que Balaão abria sua boca para amaldiçoar o povo, apenas abençoava, pois o único Deus soberano lhe dirigia as palavras naqueles momentos. Ele não poderia amaldiçoar realmente o povo, verdadeiramente, pois Yahweh é a própria realidade e verdade. O Senhor não desdiria aquilo que disse quanto ao povo, não mudaria de ideia quanto ao que afirmou que faria. O que ele prometeu, tudo o que revelou, sempre cumprirá. 

 A imutabilidade de Deus é um dos pilares da fé bíblica cristã. Se o Senhor fosse alguém que mudasse de ideia, que garantia teríamos da salvação? Podeira meramente repensar alguma coisa e deixar de lado todo o propósito redentor. Ele não pode alterar sua palavra, pois está em seu Ser honrar aquilo que diz. Ele não se liga à mentira ou ao engano. O “pai da mentira” é outro. Aquele que afirmou coisas diferentes da realidade de Deus, tentando estabelecer sua própria realidade, foi o diabo. Nesse sentido, o homem criado à imagem e semelhança de Deus, quando pecou, passou a se assemelhar ao diabo. A realidade humana é a desfiguração da realidade de Deus, imagem torcida do Deus Criador. O homem é quem, à semelhança do diabo, mente e engana. Deus não o pode fazer, por seu a expressão da própria realidade, a verdade por excelência.

 Primemos por uma vida verdadeira, na verdade de Deus. Creiamos nas promessas do Senhor, enxergando-as como irrefutáveis e irreversíveis. Descansemos no Deus imutável que não pode mentir. Lembremos sempre que agir de forma verdadeira é refletir a própria existência de Deus, tendo o Senhor, em quem tudo existe, e a própria realidade, como testemunhas do que somos e fazemos. Resgatemos a verdade como elemento central da imagem e semelhança de Deus em nós. Creiamos firmemente nas promessas e na Palavra de Deus. Ele não pode mentir ou mudar de ideia. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

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