SE ME ARREPENDO?
De quê?
De ter rompido com um sistema religioso que transforma fé em alienação e consciência em obediência cega?
De ter me recusado a ser mais um vendedor de prosperidade, prometendo milagres enquanto explora a dor e a esperança das pessoas?
De ter rejeitado propostas sedutoras de políticos que queriam transformar meu púlpito em palanque e minha voz em moeda eleitoral?
De ter abraçado a causa dos vulneráveis e dos LGBT+?
De ter aberto mão da liderança da denominação que ajudei a fundar, sem exigir um centavo sequer, mesmo depois de dedicar toda uma vida à sua construção?
De ter me negado a dividir a igreja que presidi, preferindo entregá-la em paz a alimentar guerras por poder?
De usar os recursos do meu próprio trabalho como psicólogo e escritor para manter vivos projetos sociais, mesmo quando isso me leva ao limite, me endivida e ameaça o sustento da minha própria família?
Não.
De nada disso me arrependo.
Embora existam noites em que o sono não venha.
Embora haja dias em que a escassez pareça esmagar a continuidade do ministério e das 0bras soci4is que sustentam tantas vidas.
Embora doa perceber a ingratidão e a indiferença ou mesmo as dificuldades pessoais daqueles que assistem, em silêncio, algo tão belo correr o risco de parar.
Embora as pl4taformas nos imponham r3strições justamente quando mais precisamos pedir socorro.
Ainda assim…
Prefiro carregar o peso da coerência do que o conforto da omissão.
Prefiro perder privilégios a perder a consciência.
Prefiro cicatrizes honestas a aplausos comprados.
Há causas que custam caro demais para quem decidiu permanecer humano.
Se essas palavras tocaram seu coração, peço que me ajude a continuar atravessando este momento tão difícil.
Há dores que escolho silenciar para não preocupar aqueles que amo. Mas Deus conhece cada lágrima contida, cada noite sem dormir e cada peso escondido no mais profundo do meu coração.
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