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sábado, 9 de maio de 2026

DECIDIR

 Decido exorcizar da redondeza da minha existência o demônio patrono da amargura. 


Preciso que o anjo paraninfo da bondade permeie as minhas iniciativas. 


Desejo aprender a reverenciar o próximo, mesmo quando discordar dele. 


Peço a Deus que me ajude a jamais confundir franqueza com insolência; e que graça se antecipe à toda virtude que eu imagine possuir.


Diante da brevidade da vida, resolvo me manter obstinado em ler e disciplinado em meu amor pela poesia.


Ainda sonho aprender a apreciar por mais tempo quadros dos mestres da pintura. Quero apurar os ouvidos para a sutileza das grandes sinfonias.


Chegou a hora de temperar a existência quando meu dia se mostrar insípido. Prometo colorir o dia quando a alvorada nascer cinzenta.


Almejo descobrir Deus no rosto da criança sofrida, na mão estendida do desfavorecido e no olhar frágil do ancião. 


Anseio celebrar Deus tanto nas iniciativas das pessoas solidárias como na obstinação de quem defende a dignidade do oprimido.


Renasço de um tempo difícil. Os últimos anos foram difíceis. Sigo agora sem alucinação, extravagância, ostentação ou pieguice. 


Desafio a alma a contentar-se com a simplicidade; hei de gozar o instante sem culpa; vou tecer minhas emoções sem paranoia.


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