Decido exorcizar da redondeza da minha existência o demônio patrono da amargura.
Preciso que o anjo paraninfo da bondade permeie as minhas iniciativas.
Desejo aprender a reverenciar o próximo, mesmo quando discordar dele.
Peço a Deus que me ajude a jamais confundir franqueza com insolência; e que graça se antecipe à toda virtude que eu imagine possuir.
Diante da brevidade da vida, resolvo me manter obstinado em ler e disciplinado em meu amor pela poesia.
Ainda sonho aprender a apreciar por mais tempo quadros dos mestres da pintura. Quero apurar os ouvidos para a sutileza das grandes sinfonias.
Chegou a hora de temperar a existência quando meu dia se mostrar insípido. Prometo colorir o dia quando a alvorada nascer cinzenta.
Almejo descobrir Deus no rosto da criança sofrida, na mão estendida do desfavorecido e no olhar frágil do ancião.
Anseio celebrar Deus tanto nas iniciativas das pessoas solidárias como na obstinação de quem defende a dignidade do oprimido.
Renasço de um tempo difícil. Os últimos anos foram difíceis. Sigo agora sem alucinação, extravagância, ostentação ou pieguice.
Desafio a alma a contentar-se com a simplicidade; hei de gozar o instante sem culpa; vou tecer minhas emoções sem paranoia.
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