Total de visualizações de página

segunda-feira, 15 de junho de 2026

LIBERTA

 Partidas e chegadas se alternam na vida de todos. Penso que não devemos apressar e nem retardar. O segredo é acertar o momento. A oração tem me ajudado muito, quando decisões precisam ser tomadas. Mas é importante prestar atenção pois há partidas que não acontecem por falta de amor, mas por excesso de dor. O coração demora a aceitar que certos lugares, vínculos ou situações deixaram de favorecer a vida interior. Permanecer pode parecer fidelidade, mas nem sempre é. Às vezes, permanecer é apenas medo de atravessar a ruptura necessária. Saber a hora de partir exige escuta profunda, porque nem toda dor pede despedida, mas há dores que revelam claramente que algo se tornou insustentável. Deus não nos criou para viver presos ao que fere continuamente a dignidade da alma. Ele nos chama à paz, mesmo quando o caminho até ela passa por decisões difíceis. Partir não significa apagar o que foi bonito, nem negar a importância do que se viveu. Significa reconhecer que alguns ciclos cumprem sua missão e depois começam a machucar mais do que amadurecer. A dor de ir embora é real. Ela carrega saudade, insegurança e perguntas. Mas a dor de permanecer onde a vida se estreita pode consumir lentamente a esperança. Há momentos em que a coragem não está em insistir, mas em soltar com respeito aquilo que já não pode ser morada. Toda despedida verdadeira precisa de humildade. É preciso agradecer o que ensinou, acolher o que feriu, recolher a própria história e seguir sem transformar tudo em ressentimento. Deus acompanha também os passos que se afastam. Ele não está apenas nos encontros, está igualmente nas partidas que libertam. Aos poucos, a alma entende que ir embora pode ser um gesto de cuidado, não de abandono. Pode ser o início de uma paz que antes parecia impossível. E quando o coração parte com verdade, mesmo chorando, descobre que alguns adeuses não encerram a vida. Apenas devolvem espaço para que ela respire novamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário