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quarta-feira, 3 de junho de 2026

APENAS

 O evangelho não vem apenas para aliviar a consciência culpada. Ele vem também para desfazer os pequenos tronos que o nosso coração constrói todos os dias.


Uma das coisas mais profundas que Cristo faz em nós é nos libertar da necessidade de sermos sempre vistos, sempre aprovados, sempre respeitados. Há um cansaço enorme em viver dependendo da opinião alheia. Há também uma escravidão silenciosa em tentar manter a imagem impecável o tempo todo. Mas o evangelho entra justamente nesse lugar e nos lembra que a nossa identidade não precisa mais ser sustentada pelo olhar dos outros.


Quando o amor de Deus é realmente recebido, começa a cair uma pressão antiga: a necessidade de que tudo corra bem, de que tudo esteja sob controle, de que possamos dominar situações e pessoas. O coração deixa de girar em torno de si mesmo. E isso é libertador. Porque finalmente descobrimos que não precisamos ser o centro, não precisamos vencer todas as disputas e não precisamos carregar o peso de parecer importantes.


O evangelho também confronta a vontade de poder. Ele nos chama para uma vida de humildade, serviço e dependência. Em Cristo, somos tirados do trono e colocados no lugar certo: o de adoradores. E só então a alma começa a descansar de verdade.

Talvez essa seja uma das maiores evidências de que a graça alcançou alguém: quando já não é necessário controlar tudo, impressionar todos ou proteger a própria imagem o tempo inteiro. Como Paulo disse, “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.

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