Carregamos uma inquietação ontológica em nosso ser. Essa inquietude não é um defeito acidental, mas um sinal do telos humano. O homem é um ser em busca.
Há dentro de nós um movimento contínuo, um desejo que não se aquieta, uma sede que nenhuma experiência meramente humana consegue saciar plenamente. O coração humano anseia por sentido, por algo que ultrapasse o imediato e o transitório.
No entanto, em sua tentativa de silenciar essa inquietação, o homem frequentemente se volta para substitutos. Procura descanso no acúmulo, no prazer, no reconhecimento, na performance, no consumo e até mesmo em relações instrumentalizadas.
São paliativos existenciais: aliviam por um instante, mas não essa ferida. O vazio retorna, mais sofisticado, mais exigente. A alma percebe, ainda que confusamente, que essas realidades não foram feitas para carregar o peso último do sentido da vida. Elas não são más em si, mas são incapazes de ocupar o lugar de Deus.
Por isso, enquanto o homem não se volta ao seu Criador, permanece inquieto, ainda que rodeado de conforto e sucesso. O repouso de que Agostinho fala não é uma mera passividade, mas a reconciliação com a própria origem.
É o descanso de quem reencontra o eixo da sua existência, de quem compreende que só no Criador o desejo humano encontra seu destino final. Fora d’Ele, o coração vagueia; n’Ele, portanto, finalmente repousa.
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