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sexta-feira, 10 de julho de 2026

SOL

 Eclesiastes 1.3-11, Eclesiastes 2.1-11, 2 Coríntios 11.23-28 e 12.2-4

Há uma pergunta que determina a qualidade da alma. Você vive olhando debaixo do sol ou acima do sol?


Ao escrever Eclesiastes, Salomão escolhe uma expressão que aparece dezenas de vezes. “Debaixo do sol.” É a vida observada apenas pela ótica da terra. No capítulo 1, ele contempla o ciclo interminável das gerações. Uma nasce, outra morre. O sol nasce e se põe todos os dias. O vento gira continuamente para o sul e para o norte. Os rios correm sem cessar para o mar, mas o mar nunca se enche. Tudo parece repetir o mesmo movimento. Nada satisfaz. Nada permanece.


Então ele chega a uma conclusão inquietante. Os olhos nunca se fartam de ver. Os ouvidos nunca se cansam de ouvir. O homem acumula experiências, mas continua vazio.


No capítulo 2, Salomão resolve experimentar tudo o que a terra poderia oferecer. Entrega-se ao riso, ao vinho, às grandes construções, planta vinhas, faz jardins, constrói açudes, acumula ouro, prata e tesouros, adquire servos, aumenta seus rebanhos, reúne cantores, músicos e mulheres. Não negou aos seus olhos nada do que desejaram. Se existia prazer debaixo do sol, Salomão o experimentou. No final, porém, olhou para tudo aquilo e declarou. Era vaidade. Era correr atrás do vento.


Agora olhe para Paulo.


Ele não teve os palácios de Salomão. Teve prisões. Recebeu açoites dos judeus, foi espancado com varas, apedrejado, sofreu naufrágios, enfrentou rios, ladrões, falsos irmãos, fome, sede, frio, nudez e carregava diariamente o peso de cuidar das igrejas. Humanamente, tinha todos os motivos para viver frustrado.


Mas existe um detalhe que muda toda a história.


Paulo declara que foi arrebatado ao terceiro céu. Viu e ouviu coisas inefáveis, realidades tão gloriosas que palavras humanas não conseguem explicar.


Perceba o paradoxo. Salomão viu quase tudo o que existia debaixo do sol e terminou enfadado. Paulo contemplou o que estava acima do sol e, por isso, nenhuma dor da terra conseguiu roubar sua esperança.


O problema nunca foi a quantidade do que os olhos enxergam. O problema é a direção para onde eles olham.



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