Sempre ouvimos dizer que ninguém é insubstituível. Mas a verdade é que no que diz respeito ao fazer podemos ser substituídos, mas naquilo que somos ninguém consegue nos substituir. O fato de sermos únicos é uma constatação que nos alegra e nos responsabiliza. Sim, a vida ensina, muitas vezes com firmeza, que nossas funções podem ser ocupadas por outras pessoas. O trabalho continua, as tarefas encontram novas mãos, os lugares se reorganizam e aquilo que parecia depender exclusivamente de nós segue adiante. Essa percepção pode ferir o orgulho, mas também pode libertar o coração. Não somos valiosos apenas pelo que produzimos, resolvemos ou entregamos. O fazer tem importância, mas não esgota o mistério de quem somos. Há uma presença única em cada pessoa, um modo singular de amar, escutar, rezar, cuidar e existir. Isso não se substitui. Deus não nos criou como peças de uma engrenagem, mas como filhos carregados de identidade e sentido. Quando confundimos valor com utilidade, começamos a viver cansados, tentando provar o tempo todo que somos indispensáveis. A verdade é mais serena. Podemos ser substituídos numa função, mas não no lugar afetivo e espiritual que nossa presença ocupa na história de alguém. Ninguém ama do mesmo modo, consola do mesmo modo, deixa as mesmas marcas ou oferece a mesma luz. Somos sempre convidados a aprofundar os vínculos e o sentido da caminhada. O que permanece não é apenas a eficiência, mas a qualidade da presença. Uma palavra dita com amor, uma fidelidade silenciosa, uma escuta verdadeira, tudo isso atravessa o tempo de maneira diferente. Deus conhece o que somos antes de qualquer desempenho. Essa certeza nos ajuda a trabalhar com dedicação, mas sem fazer do trabalho a medida final da própria dignidade. O mundo pode substituir nossas tarefas. Mas aquilo que somos diante de Deus, e aquilo que semeamos com autenticidade nos encontros, possui uma marca que não se repete.
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