Existe um universo dentro de cada um de nós, com tantas coisas que se torna impossível transformar tudo em palavras. Experimentar a rejeição supõe ter uma fortaleza interior. Às vezes somos rejeitados e outras vezes rejeitamos. Acontece que a rejeição humana toca lugares muito sensíveis e vivos porque parece dizer algo sobre o nosso valor. Quando alguém se afasta, ignora, recusa ou diminui nossa presença, o primeiro impulso pode ser defender-se, explicar-se, provar que merecíamos outro tratamento. No entanto, nem toda rejeição precisa virar batalha. Algumas pedem silêncio, recolhimento e consciência. A dor existe e merece respeito, mas não precisa ser transformada em desespero para conquistar aceitação. Quando olhamos com mais lucidez, percebemos que a rejeição fala tanto sobre o outro quanto sobre nós. Fala de limites, escolhas, medos, incompatibilidades e histórias que talvez nunca conheceremos por inteiro. A consciência impede que a alma se reduza ao olhar de quem não soube acolher. Deus nos devolve a nós mesmos quando recorda que nenhuma recusa humana possui autoridade para cancelar nossa dignidade. A clareza nasce devagar. Primeiro vem a ferida, depois a pergunta, depois a possibilidade de enxergar melhor. Talvez aquele lugar não fosse morada. Talvez aquela relação exigisse uma diminuição que não poderíamos sustentar. Talvez a porta fechada tenha preservado algo em nós que ainda precisava viver. A sexta-feira interior acolhe essa travessia com humanidade e esperança. Não precisamos negar a dor para amadurecer. Podemos senti-la sem permitir que ela decida nossa identidade. A rejeição, quando iluminada pela consciência, deixa de ser condenação e se torna discernimento. Ela mostra onde não cabíamos, mas também aponta o caminho de volta para dentro. E quando retornamos a nós mesmos com a companhia de Deus, recuperamos a paz que havia sido entregue ao julgamento alheio
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