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quinta-feira, 9 de julho de 2026

REVOLTA


Temos visto os perigos de reagirmos mal perante o sofrimento, seja ele causado por pessoas, circunstâncias ou perdas inesperadas. Não devemos nos vitimizar nem nos amargurar diante das dores da vida. Veremos hoje outro perigo: a revolta.

Revolta e amargura são coisas distintas. A amargura guarda a dor em uma câmara secreta da alma. A revolta, porém, reage contra a dor se levantando contra pessoas, circunstâncias e, por vezes, contra o próprio Deus. É quando a alma deixa de lamentar com fé e passa a acusar com incredulidade. É quando a dor deixa de ser levada ao Senhor e passa a alimentar a ira. Sim, a ira é um dos elementos mais frequentes na revolta. 

Um texto bíblico que nos fala sobre o assunto encontra-se em Gênesis 50, quando José se vê diante dos irmãos que o haviam traído de forma horrenda. José tinha todos os ingredientes históricos e pessoais para se revoltar contra os que o traíram, ainda mais sendo gente chegada, da própria família. Mas José reconheceu algo importantíssimo: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gn 50:20).

Assim, em lugar de revolta, José abraçou a fé. Ele não negou o mal praticado por seus irmãos, pois disse claramente: “intentastes o mal contra mim”. Mas também não permitiu que o mal tivesse a palavra final sobre o seu coração, levando-o à revolta. Ele enxergou Deus acima das ações humanas, governando inclusive as situações pelas quais ele jamais teria escolhido passar. 

Este é um convite para o seu e o meu coração, para que, perante traições, perdas, injustiças e feridas profundas, possamos olhar além da dor e confiar no Senhor. A fé não chama o mal de bem, mas reconhece que Deus pode transformar até o mal em instrumento de seus propósitos.

Mas a revolta não acontece apenas em relação a pessoas e conflitos relacionais. Ela também pode surgir perante as circunstâncias da vida. Quando chega uma terrível enfermidade, uma perda inesperada, uma porta fechada ou uma notícia que desmonta os nossos planos, o coração pode ser tentado a se levantar contra o próprio Deus. Em tais momentos é preciso, mais uma vez, confiar.

Não se revolte! Leve a sua dor ao Senhor, chore diante dele, apresente suas perguntas e dúvidas, mas não abandone a fé. Deus continua bom quando a vida é amarga. Continua soberano quando não compreendemos. Continua presente quando tudo parece escuro. Assim, descanse no Senhor, sabendo que Ele é poderoso para transformar até o vale escuro em caminho iluminado de vida. 



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