Quanto mais perto de Deus você chega, menos argumentos restam para defender o seu próprio orgulho.
A verdadeira conversão não acontece quando apenas mudamos alguns hábitos, mas quando deixamos de ocupar o trono do nosso coração. A presença de Cristo revela quem realmente somos: pecadores incapazes de produzir justiça por nós mesmos. Diante da santidade do Senhor, toda autossuficiência desmorona, toda vaidade perde o brilho e toda falsa segurança é exposta.
Foi exatamente isso que aconteceu com Isaías. Ao contemplar a glória de Deus, ele não começou a listar suas virtudes, mas confessou: “Ai de mim! Estou perdido!” (Isaías 6:5). O encontro com Deus sempre produz humildade antes de produzir exaltação.
Pedro também experimentou essa realidade. Depois da pesca milagrosa, não pediu mais milagres, nem reconhecimento. Caiu aos pés de Jesus e disse: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.” (Lucas 5:8). A presença de Cristo não alimenta o ego; ela o crucifica.
É por isso que o verdadeiro cristão não permanece aos pés de Jesus por medo do inferno apenas, mas porque reconheceu que não existe vida, paz, alegria ou esperança fora dEle. A graça transforma o coração de tal forma que obedecer deixa de ser um peso e passa a ser um privilégio.
Sem Cristo, somos como ramos separados da videira: aparentamos força por um tempo, mas inevitavelmente secamos. O próprio Senhor declarou: “Sem mim nada podeis fazer.” (João 15:5). Toda capacidade, toda perseverança e toda santificação procedem da sua graça.
Quanto mais contemplamos a cruz, menos admiramos a nós mesmos e mais admiramos Aquele que morreu em nosso lugar. A cruz destrói a arrogância humana e exalta exclusivamente a suficiência de Cristo. A salvação nunca foi uma recompensa para os fortes, mas um presente imerecido para pecadores arrependidos.
Que a nossa oração seja esta: “Senhor, nunca permitas que eu me acostume com a tua presença. Mantém meu coração quebrantado, meus joelhos dobrados e meus olhos fixos em Cristo. Porque longe de Ti posso possuir o mundo inteiro, mas continuarei vazio; contigo, mesmo não tendo nada, possuo tudo o que realmente importa.”
“Porque dele, por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” (Romanos 11:36)
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