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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

AFETO

 A afetividade está ganhando espaço e inclusive está sendo mais respeitada. Por muito tempo, a racionalidade ficou no centro: tudo passava pela razão. Andamos carentes de afeto e estamos adoecendo. É necessário olhar para o humano de forma integral. De fato, o afeto verdadeiro não deveria precisar ser implorado. Quando uma pessoa começa a mendigar presença, atenção ou cuidado, alguma coisa importante já se perdeu no caminho. O coração, por medo da ausência, pode aceitar migalhas e chamar de amor aquilo que apenas prolonga a carência. É doloroso perceber isso, porque partir nem sempre significa estar inteiro. Muitas vezes a saída acontece com a alma ferida, com perguntas abertas e com uma saudade que ainda não sabe onde repousar. Mesmo assim, há partidas que são necessárias para proteger a dignidade. Amar não é se diminuir até caber no descuido de alguém. Não é transformar o próprio valor em pedido constante. Deus nos criou para relações onde haja respeito, reciprocidade e verdade. Isso não significa exigir perfeição de ninguém, mas reconhecer que o amor, mesmo imperfeito, precisa ter cuidado. Quando o vínculo se torna um lugar de humilhação, o coração vai se perdendo aos poucos. Partir partido pode ser o primeiro gesto de reconstrução. É uma decisão difícil, porque a esperança insiste em imaginar que o outro mudará, que finalmente perceberá, que algum dia oferecerá aquilo que sempre faltou. Mas há esperas que machucam mais do que a despedida. A fé nos ajuda a atravessar esse momento com serenidade. Deus não despreza quem sai chorando de um lugar onde já não era amado com verdade. Ele recolhe os pedaços, sustenta os passos e devolve aos poucos a consciência do próprio valor. O amor que humilha não é morada. O afeto que precisa ser mendigado cansa a alma. E quando a pessoa encontra coragem para partir, mesmo ferida, começa a abrir espaço para uma paz que não exige súplica, apenas verdade. 

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