Nosso texto nos ensina que devemos lançar fora algo mais, além da ira. É a indignação. Paulo escreve: “Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar.” (Cl 3:8).
Há, certamente, momentos em que precisamos nos indignar. Devemos nos indignar diante da injustiça, da opressão, da mentira, do abuso, da violência, da exploração dos fracos e daquilo que afronta a santidade de Deus. O próprio Senhor Jesus, perante a dureza dos corações, olhou ao redor “indignado e condoído” (Mc 3:5). Portanto, nem toda indignação é pecaminosa.
A Palavra, porém, ao falar sobre indignação em Colossenses 3:8, está se referindo àquela reação carnal, impulsiva e desordenada que nasce no coração ainda marcado pela velha natureza. A palavra grega é thymos, e aponta para um ardor interior, um impulso forte, uma ira que ferve e se manifesta em explosões, palavras duras, atitudes precipitadas e reações sem domínio próprio.
Trata-se de um coração que se deixa incendiar. É quando a alma transforma contrariedades em fúria, discordâncias em ataques, frustrações em dureza e feridas em vingança. É quando deixamos de reagir pela fé e passamos a reagir pela carne. A indignação pecaminosa pode aparecer em uma palavra áspera, em uma mensagem impensada, em uma crítica pública, em um silêncio punitivo ou em uma atitude tomada no calor da emoção.
Por isso, jogue fora a indignação. Não alimente aquilo que faz o seu coração ferver longe da presença de Deus. Não transforme toda discordância em batalha, cada ofensa em guerra, nem a contrariedade em motivo para ferir. Leve ao Senhor aquilo que o inflama por dentro. Peça discernimento para reconhecer quando sua indignação é zelo santo e quando é apenas orgulho ferido.
A indignação santa nos aproxima da justiça de Deus. A indignação carnal nos afasta da mansidão de Cristo. Uma produz coragem para fazer o bem; a outra produz palavras e atitudes das quais, muitas vezes, nos arrependemos depois.
Portanto, antes de falar, ore. Antes de reagir, espere. Antes de acusar, examine o coração. Enterre a indignação que nasce da velha vida e vista a mansidão, a humildade e a longanimidade da nova vida em Cristo Jesus.
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