Perdoar é esquecer?
Não.
Esquecimento total tem outro nome, chama-se Alzheimer.
A memória, no fundo, é o que nos confere experiência.
Sem ela, não há aprendizado.
Não há amadurecimento.
Não há, sequer, identidade.
Perdoar é outra coisa.
Perdoar é lembrar sem sofrer.
E isso, como toda jornada importante, demanda tempo.
Há ofensas que em uma semana já viram quase nada.
Há feridas que levam vinte anos para a gente conseguir lembrar sem que o peito aperte.
Não tem prazo certo.
Tem o tempo de cada um.
Mas vale uma reflexão antiga: se o ódio é um veneno que tomamos esperando ferir o outro, o perdão é um presente que entregamos e que, no fim, quem mais recebe somos nós mesmos.
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