CANSADOS, NÃO DESCARTADOS.
Duzentos homens ficaram no ribeiro de Besor porque estavam cansados demais para continuar. Em 1 Samuel 30, Davi prosseguiu com quatrocentos, venceu os amalequitas e recuperou tudo o que havia sido levado. Mas, na volta, outra coisa apareceu: alguns dos que foram à batalha não queriam repartir os despojos com os que ficaram. Aceitavam devolver suas mulheres e seus filhos, mas queriam mandá-los embora sem receber mais nada. O argumento parecia justo: não foram conosco, não recebem conosco. A própria Bíblia, porém, chama aqueles homens de maus e perversos. Eles haviam participado da vitória, mas estavam sendo cruéis na maneira de tratar os irmãos. Davi interrompeu aquela divisão lembrando de onde vinha o que tinham nas mãos: o Senhor os havia guardado e entregado os inimigos. Então estabeleceu que a parte de quem desceu à batalha seria igual à de quem ficou com a bagagem. Os duzentos não atravessaram o ribeiro, mas também não foram abandonados na distribuição. Há algo profundo aqui: o texto diz que eles não conseguiram continuar de tão cansados. Não diz que desprezaram a batalha. Precisamos ter cuidado com a facilidade de chamar de descompromisso aquilo que não conhecemos por inteiro. Há pessoas que chegaram ao limite depois de caminhar conosco, sofrer conosco e perder conosco. O fato de ainda termos força não nos dá o direito de humilhar quem precisou parar. Podemos vencer uma batalha e, na volta, ferir os nossos com a dureza das nossas palavras. Davi não permitiu que a conquista se tornasse uma ocasião de desprezo. Em Besor, os cansados encontraram um lugar na partilha. Que também encontrem entre nós um lugar de cuidado.
1 Samuel 30:9-10, 21-25.
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