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domingo, 14 de setembro de 2014
UM CRISTIANISMO SIMPLES
Antes de qualquer coisa é preciso entender que em primeira ou em última instâncias todo cristão terá seu conjunto de crenças, mesmo que este não receba um título teológico formal. Isso é o resultado natural e decorrente do estudo da Bíblia.
Alguém que estuda a Bíblia sempre terá uma opinião sobre quem é Jesus, Deus, Trindade, Inspiração, Salvação, volta de Cristo etc., e o fato desse conjunto de pensamentos receber um título teológico não significa que o cristianismo está perdendo a sua simplicidade.
Portanto, o problema não está, tão simplesmente, no título que se dá a doutrina, mas ao conteúdo desta. Então, a questão que diz respeito ao estudo das doutrinas bíblicas diz respeito sim, diretamente, a forma como se vive o cristianismo. A manifestação do simples cristianismo, como muitos colocam, implica diretamente na prática do entendimento que se tem do que é cristianismo, ou seja, da doutrina – e isso nem sempre é tão simples assim. Alguns dizem que Cristo se preocupava apenas com a restauração da vida eterna e do relacionamento sadio dos membros da humanidade. Mas, o fato é que Ele o fazia com base no conjunto de doutrinas reveladas no AT, que são a sombra do conjunto doutrinário revelado do NT. Um belo exemplo disso é o estudo do conteúdo e da mensagem de Suas parábolas, a exemplo de Marcos 4:12. Essa restauração da vida eterna e do relacionamento sadio dos membros da humanidade, como muitos colocam, era feita de forma doutrinária e nem sempre era tão fácil assim de se compreender, como os próprios discípulos Lhe afirmaram: “E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?” (Mt 13:10).
Além do mais, o estudo sistemático da Bíblia faz parte da manifestação do simples cristianismo. Portanto, vamos continuar estudando os diversos assuntos bíblicos, recebam eles título teológicos formais ou não. Isso deve fazer parte de um cristianismo simples mas ao mesmo tempo sadio, especialmente porque existe uma diferença entre ser um cristão simples e ser um cristão desconhecedor dos princípios cristãos, recebam eles títulos teológicos ou não.
Quando alguém critica o estudo bíblico teológico, afirmando que isso põe a perder a simplicidade do cristianismo, está, ao mesmo tempo, ensinando que o estudo de assuntos doutrinários não é tão importante assim, o que de fato não condiz com a realidade. Alguns dizem que estas diferenças interpretativas são insignificantes. Isso também não condiz com a realidade dos fatos bíblicos e nem com a história do cristianismo primitivo. Vou explicar:
1. As parábolas de Jesus eram realmente difíceis de entender, inclusive pelos próprios discípulos que estavam habituados com a leitura do AT (Mc 9:32);
2. Os textos do apóstolo Paulo nem sempre são tão simples e fáceis de se compreender, como alguns pensam. Vejamos o exemplo de Romanos 9;
3. O Apocalipse, escrito pelo apóstolo João, o amado, não é tão simples assim;
4. O próprio apóstolo Pedro reconhece a dificuldade e a falta de “simplicidade” de alguns aspectos importantes que fazem parte do cristianismo, em 2Pe 3:16.
Então, diante de tudo o que foi dito, eu entendo que o ser humano tem a liberdade e o direito de pensar, mas ninguém poderá dizer que os conceitos da teologia são insignificantes, porque todo ser que lê a Bíblia forma um conceito com base na sua própria interpretação. Então, se está ignorando a interpretação de um teólogo de modo formal, está formando sua própria teologia de modo informal. Ninguém que estude a Bíblia com seriedade poderá afirmar que o estudo de assuntos bíblicos, sejam eles fáceis ou complexos, deve ser visto como perda da simplicidade do cristianismo, porque na verdade, na verdade mesmo, nem sempre é tão simples ser cristão. Se ser cristão fosse tão simples assim não teríamos a gama de diferenças existentes hoje, especialmente no cenário brasileiro. E tudo isso porque muitos querem viver um suposto “cristianismo simples” e sem atentar para a importância de sua complexidade em muitos aspectos doutrinários.
Por último, entendo que o cristianismo deve ser vivido de forma simples (me refiro a simplicidade de vida), mas, não nos termos que muitos têm colocado em nossos dias para respaldar a ignorância, descaso, ausência de saber, privação e abstinência de um conhecimento bíblico coerente.
EU NÃO A CONDENO
Qual é a primeira palavra que a história da mulher adúltera traz à sua mente? Que conceito é o mais chamativo no relato da queda daquela israelita? Pare um momento. Pense no caso. Imagine a cena. Aquela transgressora é pega em flagrante delito. Nua. Deitada com outro homem. Seduzida pelas próprias paixões. Entregue aos prazeres da carne. Desviada dos caminhos de Deus. Distante da santidade. O que isso traz à sua mente? Que palavra resume a história daquela adúltera? Eu arriscaria dizer que o conceito que imediatamente vem ao seu pensamento é pecado. Estou certo? Afinal, o que ela fez foi cometer um terrível pecado. A punição solicitada para ela foi por causa do pecado. O que entrou em discussão com Jesus foi a respeito do que se faria com ela devido ao pecado. Só o que os mestres da lei e os fariseus enxergavam quando olhavam para ela era seu pecado. Ela cheirava a pecado. Tinha aparência de pecado. Transpirava pecado. Seu nome passou a ser pecadora. Então o foco do relato de João 8.1-11, sem dúvida alguma, é este: pecado.
Bem, na verdade, não. Para os homens é possível que sim. Mas, para Deus… será?
Acredito que a primeira palavra que a história da mulher adúltera traz à mente do Senhor é graça.
Pecado1A relação entre pecado e graça sempre deve ser vista segundo a análise do ponto de partida e do ponto de chegada. Para os mestres da lei e os fariseus, o pecado daquela mulher era o ponto de chegada. Nada mais importava. A vida dela não vinha ao caso. Seus erros e acertos do passado não faziam diferença. O arrependimento era inócuo. As possibilidades de seu futuro eram irrelevantes. Tudo o que tinha a ver com a existência daquele ser humano, naquele momento, era o pecado. Esqueçam se ela sempre foi uma serva fiel do Senhor. Que importa se viveu uma vida piedosa até então?! Nem perguntem a opinião do marido. Esqueçam tudo. Aos olhos daqueles homens, o pecado tornou-se corpo, alma e espírito; passado, presente e futuro daquela mulher. E só o que viam nela. Seu pecado. O ponto de chegada daquela alma. The end.
Jesus não. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo viu o pecado daquela mulher como o ponto de partida. Para os olhos divinos, aquela transgressão não representava o topo da edifício, mas apenas mais um degrau da escada. No alto do pódio daquela história estava a graça de Deus. O pecado foi absorvido pela graça. Aquela vida arrependida era o náufrago e a graça, o bote salva-vidas. O pecado era a noite e a graça, o amanhecer. Pecado. Arrependimento. Perdão. Restauração. “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado” (v. 11). Graça.
A história da mulher adúltera é um magnífico retrato da graça de Deus. Do olhar do Senhor sobre nossas vidas. Um Deus que é santo, que ordena que abandonemos a vida de pecado, mas que também diz que não condena o pecador arrependido. Aquele episódio é uma síntese do plano de salvação: o homem peca, ele torna-se alvo do acusador, seu pecado o faz digno de punição, mas Jesus entra com graça e “já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).
Pecado0Deus não deseja nos punir. Ele quer nos perdoar. Quer nos restaurar. Quer nos salvar. Quer arrependimento e esforço para abandonar o pecado. Onde nós, pecadores, enxergamos pecados sem volta, Deus vislumbra as maiores oportunidades de exercer sua graça. Os homens amam a punição. Deus ama o perdão. “Consequentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens. Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos” (Rm 5.18-19).
Você pecou? O que mais chama a atenção em sua vida é o pecado? Pois então saiba que Deus olha para você e vislumbra o ponto de chegada: a graça. O segundo templo. A glória da salvação. De igual modo, ele olha para os pecadores que mais escandalizam você e vê neles uma excelente oportunidade de exercer sua graça, de fazer a cruz entrar em ação na vida de mais uma alma.
Nós olhamos para o pecado e queremos sangue. Deus olha para o pecado e se lembra do sangue de seu próprio Filho.
A caso da mulher adúltera não é uma história sobre pecado, é uma história sobre graça. O pecado triunfou no início, no Éden, no ponto de partida. Mas no ponto de chegada, na Jerusalém celestial, é Cristo quem triunfará, quando todos os que foram lavados no sangue do Cordeiro estiverem reunidos aos pés do Senhor, louvando e exaltando seu amor sem fim, seu perdão imerecido e sua maravilhosa graça.
CASEI ERRADO E AGORA?
Tenho chorado. Literalmente. Leio comentários aqui no APENAS, no Facebook ou de pessoas que pedem meu e-mail e me escrevem contando suas histórias e pedindo conselhos – ou somente para desabafar. Alguns desses textos, confesso, me levam às lágrimas, simplesmente porque eu gostaria de responder uma coisa mas a Bíblia me diz que responda outra, que eu não quero responder. Mas é a frase de Atos dos Apóstolos: “Antes importa agradar a Deus do que aos homens”. Por isso, eu, como cristão, não posso aconselhar ninguém que não seja tomando por base as Sagradas Escrituras. E muitas vezes isso me dói ao ponto de a dor transbordar em lágrimas. “Mas, Zágari, do que você está falando?”. Querido irmão, querida irmã, estou falando de um assunto que tem lotado minha caixa de entrada de e-mails: cristãos infelizes no casamento. Cristãos que não amam seus cônjuges. Sim, isso existe e, pelo que tenho visto, numa proporção maior do que gostaríamos de admitir. Pressionados por suas igrejas, enganados por falsas profecias e “revelações”, acreditando que “construirão o amor com o tempo”, seduzidos pela ânsia de ter filhos, com medo de viverem sós, enfim, seja qual for a razão errada, milhares de milhares de servos sinceros de Deus estão entrando num matrimônio fadado à falência. Simplesmente porque se casam sem amor, o alicerce de um enlace matrimonial. Uma pessoa querida está vivendo esse problema e me pediu que escrevesse sobre isso. Mantenho tal pessoa no anonimato, mas aqui compartilho minha reflexão sobre pessoas que casam sem amor e o que fazer a partir daí.
Peço desculpas desde já pois este post é um pouco longo. Mas, pela seriedade do assunto, preciso abordar o tema com muito cuidado, tato, detalhamento e respeito às Escrituras. Pois muito do que será dito aqui pode entristecer pessoas e é fundamental que fique claro que estou baseando absolutamente tudo o que digo na Bíblia. Ou seja, se algo te entristecer, que não seja por achismos meus nem por uma má hermenêutica, mas pela compreensão de que a soberana e absoluta vontade de Deus corre muitas e muitas vezes o risco de contrariar o que seria mais cômodo para a minha e a sua vida. Respiremos fundo e vamos lá – tendo em mente o tempo inteiro as palavras do Cristo: “Então Jesus disse aos seus discípulos: ‘Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará’.”
Recentemente escrevi o post As razões de casamento e divórcio entre cristãos, com base numa enquete que mostrou que 19% dos cristãos que votaram não acham que o amor deve ser a causa principal de um matrimônio. Se você não o leu acesse o post e entenderá biblicamente por que o amor bíblico (de João 3.16) é a única razão que deve levar homem e mulher a firmar um compromisso de união pelo resto de suas vidas. E, meu irmão, minha irmã, esse post fez chover testemunhos, inclusive um de uma pessoa próxima a mim, que amo e que não sabia que vivia esse problema. Assim, chorei.
Já tinha sentido o gosto do problema meses atrás, quando publiquei no APENAS um post chamado Solitários, carentes e infelizes, em que falo sobre as pessoas que se casam por N motivos errados e assim se condenam à infelicidade pelo resto de suas vidas, ao divórcio ou até mesmo a “soluções” mais drásticas. Na ocasião, a quantidade de depoimentos de pessoas que passam por isso e que vivem uma situação de solidão a dois me impressionou. Agora, com o novo texto do APENAS, a enxurrada só aumentou. Vou relatar alguns casos, mudando algumas informações, para preservar a identidade de quem me escreveu.
Recentemente, uma irmã entrou no espaço dos comentários e me pediu meu e-mail. Conversamos. E ela confessou que vivia tão infeliz no casamento que estava pensando seriamente em suicídio. Mãe, esposa, cristã e… suicida. Meu Deus… Tudo porque casou-se errado e hoje não suporta a mentira em que vive. Esse contato e o de tantas outras irmãs (geralmente quem escreve são mulheres, os homens simplesmente dão seu jeito e vão em frente) me fizeram voltar a refletir sobre o assunto e a escrever sobre ele. Pois praticamente todas(os) os que me escrevem terminam da mesma forma: “Estou miseravelmente infeliz. E o que faço agora?”
Vejamos um caso: “Eu não gostava tanto assim dele enquanto namorávamos, mas muitas pessoas da igreja me diziam que amor se constrói, que eu aprenderia a amá-lo. Afinal ele era um rapaz tão bom pra mim, espiritual, tinha um bom emprego, era um dos mais cobiçados da igreja”, contou uma das irmãs. Curiosamente é uma coisa que tenho ouvido com alguma frequência: “Amor se constrói”. Não acredito nisso. Acredito que amor se mantém. Se preserva. Se alimenta. Mas… se constrói? Me soa muito estranho. Deus, que é amor, disse “Eu Sou”. O amor é. Ele não “pode vir a ser”. E todas as pessoas que entraram em roubadas matrimoniais acreditando que o tempo resolveria a falta de amor e que deixaram depoimentos nos comentários aqui do blog descobriram com o passar dos anos que o conto-de-fadas do amor que se constrói não passa de um conto da carochinha. Simplesmente porque não se pode construir algo do nada. Se não há amor no ponto de partida não haverá amor na linha de chegada. E a maratona será árdua.
Outra irmã desabafou: “Eu tive três filhos com ele ao longo de 15 anos de casamento. Olho para eles e, em vez de sorrir, eu choro, pois cada um deles tornou-se um memorial da minha infelicidade. Hoje em dia só de pensar em me deitar com meu marido me dá asco”, confessou-me com uma franqueza que me impactou e me entristeceu profundamente. Em vez de ter em seus filhos a lembrança de uma história de amor vê neles marcos de infelicidade e arrependimento. “Se fosse possível eu os empurraria de volta ao meu útero, só para não lembrar da minha tristeza que não passa e eu tenho que fingir para todos que não existe. Vivo um eterno teatro”, foi além essa mãe em seu desabafo. Detalhe: todas são palavras de uma cristã.
Outra pessoa querida, também serva de Deus, me confidenciou: “Não tive um ‘maurício’ para iluminar a mente e estou casada. E quando li o que você escreveu confirmei que meu casamento foi precipitado demais. Me sinto culpada e mal, já que tenho um filho que é meu amor. Casei sem amá-lo”, contou-me essa irmã. Mas ela prosseguiu em seu relato, que me cortou o coração: “Tudo errado, quero fugir! Achei que as qualidades dele fossem superar tudo e eu o amaria muito com o tempo. Exatamente como você escreveu, eu tinha medo de ficar sozinha… Tinha o sonho de ser mãe…”
E foi então que ela disparou a pergunta que eu não queria responder, e que todos os que estão vivendo essa situação fazem: “O que fazer agora??”. Ai. Vamos lá.
O que eu gostaria de responder? O que o mundo responderia: divorcie-se, vá buscar a sua felicidade. Mas não posso responder isso. Estou atado à Palavra revelada do Criador do universo. E tenho de responder conforme Ele nos ensina:
1. Deus odeia o divórcio. Isso está claro em Malaquias 2.16. Então o divórcio não é uma opção. Isso se confirma em Mateus 19: “Vieram a ele [Jesus] alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? [Observe que aqui eles perguntam QUALQUER MOTIVO]. Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar? Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio”.
Ou seja, Deus odeia o divórcio e, no principio, no estado perfeito das coisas, Deus não permitira o que o homem Moisés permitiu. Separação de um matrimônio é, portanto, algo antinatural aos olhos do Criador.
2. Um dos assuntos sobre os quais Jesus fala com mais clareza na Bíblia é sobre o divórcio. Simplesmente porque essa questão lhe foi perguntada diretamente. E a resposta dele é absolutamente clara, como consta em Mateus 19.9 em diante “Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério”. Ou seja, embora Deus odeie o divórcio, Jesus abre uma única exceção – e não me pergunte por quê, eu não sei: relações sexuais ilícitas, ou, no original grego, “porneia”. Isso incluiria adultério, prostituição, sexo com animais ou qualquer outro tipo de desvio sexual. É a única exceção que encontramos no Novo Testamento.
Marcos 10 reconta essa passagem: “E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar sua mulher? Ele lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés? Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar. Mas [observe o termo que a Bíblia usa: "Mas". Que significa "por outro lado", "todavia", "de forma diferente", "em oposição a", "em discordância a"] Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse mandamento; porém desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á a sua mulher, e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem [repare que a vontade do homem é nitidamente submissa à do Criador]. Em casa, voltaram os discípulos a interrogá-lo sobre este assunto. E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério”.
É bíblica a separação de corpos e o celibato?
Creio que está claro que o divórcio não é uma opção. Outra teoria alega que, se há infelicidade no casamento, o casal poderia separar-se mas manter-se solitário, sem novos relacionamentos e preservar-se celibatário. A esse respeito, no Sermão do Monte, em Mateus 5.31, o Mestre reafirma a posição celestial: “Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério”. Repare com muita atenção o que Ele diz: se alguém repudia o cônjuge exceto pela “porneia” o expõe a se tornar adúltero. Então é nítido que essa separação proposta de corpos é uma porta de entrada ao adultério e aquele que optou pelo afastamento expõe o outro a adulterar. Logo, a teoria antibíblica de um casal rompendo o padrão original moldado por Deus no início e vivendo afastado tentando o celibato também é repudiada por aquele que, segundo João 1, participou da criação de todas as coisas.
Nesse ponto o adepto da ideia de que é possível separar-se desde que se mantenha o celibato e a solidão alega que Jesus disse que é permitido “manter-se eunuco” (ou seja, sem ter relações sexuais). Ou seja, segundo essa linha de pensamento, bastaria permanecer sem se casar e sem fazer sexo e isso garantiria a aprovação de Deus do seu divórcio (o que contraria a ordem original da união de um casal). Só que, aí, vamos à Bíblia e lemos na sequência de Mateus 19: “Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita”. Sim, Jesus diz que os celibatários existem. A questão é: onde aqui o celibato é justificado por “infelicidade no casamento”? “Por causa do reino dos céus” seria a justificativa? Não, pois essa é uma péssima hermenêutica. O caso aqui, ao se comparar ao celibato de Paulo, por exemplo, é de abster-se de ter uma família para se dedicar às coisas de Deus. Não tem absolutamente nada a ver com um casamento mal-sucedido e quem usa essa passagem para tal faz violência às Escrituras.
Paulo, a partir de 1 Coríntios 7.11, levanta novamente a questão do afastamento: “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido, (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher”. Aqui alguém poderia vibrar: uma brecha em tudo o que a Bíblia disse até agora! Calma. Não é bem assim. Leia com atenção: o apóstolo diz que o Senhor ORDENA que o cônjuge não se separe do outro. Ponto. Incontestável e completamente de acordo com o resto das Escrituras. Mas… ele continua entre parênteses, ou seja, fazendo um adendo ao que é absoluto: “Se, porém, ela vier a separar-se”. Quando lemos que Deus ORDENA que não se separe mas em seguida vemos “se, porém, ela vier a separar-se”, o que fica claro para quem lê com olhos imparciais?
Desobediência.
Ou seja: se o cônjuge desobedece a ordem de Deus e persiste no seu intento de separar-se, vejamos o que é dito: “que não se case ou que se reconcilie com seu marido”. O que se entende disso? Que se a pessoa desobedeceu o Criador e fez o que Ele proibiu, que, no mínimo, para minimizar o estrago, não se case. Ou que faça o que Deus deseja: se reconcilie com o cônjuge. Tanto que Paulo orienta o repudiado a não se afastar de quem se afastou dele. E por que ele diria isso? Para que haja a reconciliação. Veja que essa passagem, usadíssima para justificar a separação de corpos e de vidas entre casais infelizes, mostra que Deus ordena (pense no peso dessa palavra) que não haja separação, mostra que os desobedientes não devem se casar e que o correto é a reconciliação, a ponto de dizer ao repudiado, parafraseando: “Se você foi abandonado, não parta para outra, permaneça perto de quem te abandonou, com vistas à reconciliação.
Resumo da ópera: se alguém peca (desobedece a ordem de Deus) e se afasta do cônjuge, mesmo “que não se case”, isso não deixa de constituir pecado. E a solução para esse pecado é voltar para casa. Divórcio, logo, Deus odeia e é pecado.
3. Jesus manda perdoar 70 vezes 7, ou seja, mesmo que haja relações sexuais ilícitas, o perdão do cônjuge e a tentativa de reconciliação devem ser sempre a primeira alternativa.
E aí? O que fazer?
Ou seja: em momento nenhum da Bíblia a “falta de amor” ou a “infelicidade” dão base para uma separação. Duro. Mas verdadeiro. E aí retornamos à pergunta da irmã: “O que fazer agora??”. E é aqui que eu gostaria de sair correndo, de me esconder. Pois as respostas são difíceis de se ouvir. Mas lá vou eu encarar a Bíblia, correndo o risco de ser chamado de legalista, fariseu, biblicista ou de não ter graça no coração – como já me acusaram algumas vezes porque eu digo o que a Bíblia diz e não o que as pessoas querem ouvir.
Fato é que se a pessoa vive um casamento infeliz, o que ela deve fazer é pedir de Deus um milagre. Pela Bíblia, não há outra resposta.
A boa noticia é que Deus faz milagres. E, nesse caso, o milagre seria a paz de Cristo tomar conta do casal a ponto de conseguirem, se não em amor pleno, viver em harmonia, respeito, companheirismo e outras virtudes. Dois grandes amigos compartilhando uma vida. Eu sei, muitos vão discordar, que voem as pedras – afinal vivemos numa civilização hedonista, onde o prazer e a alegria são os fatores mais importantes do ser humano, superando em muito a obediência a Deus. Só que cumprir o querer de Deus deve ser o primordial em nossas vidas, antes de qualquer benefício pessoal – afinal, fomos criados para a Sua glória e não para o nosso bem-estar e prazer.
Não vejo absolutamente nenhuma base bíblica que mostre que Deus constrói amor onde ele não existe. Se houver, por favor me mostrem, pois revirei as Escrituras ao avesso, li sobre o assunto de diversas fontes e não encontrei. Nem que fosse um único versículo que diga que por fazer uma corrente de sete semanas você passará a amar subitamente o marido que não ama. Isso simplesmente não está na Bíblia. E, por favor, não cometa erros hermenêuticos como “tudo posso naquele que me fortalece”. Não tire textos do contexto para tentar justificar o injustificável. Por isso falei em milagre.
Deus abriu o mar? Abriu o Jordão? Parou o Sol? Curou cegos, leprosos e paralíticos? Então o soberano Deus pode fazer o que bem quiser. E, pela subversão da ordem natural das coisas (que chamamos “milagre”) é capaz de transformar água em vinho. Mas para isso é preciso que haja água. Para ressuscitar um morto é necessário que antes houvesse vida. Para fazer um casamento frutificar é preciso que antes tenha havido amor. Aí Deus entra, conserta as rachaduras, desempena as portas, costura as cortinas e o Sol volta a brilhar. Mas se o casamento ocorreu sem amor, por qualquer razão errada… Aí só um milagre. E milagres não acontecem todos os dias.
Essa, minha irmã, meu irmão, é a realidade. Deus nos permite escolher com quem casar. A escolha é SUA. Se escolher pelos motivos errados, biblicamente terá de colher o que plantou: falta de amor. Triste sim. Mas não posso mentir a você para deixá-la mais sorridente. Perceba: se você, por decisão própria, um dia decepar uma de suas pernas, não espere que Deus vai fazer brotar outra nova no lugar. Ele poderia fazer esse milagre? Poderia fazer surgir uma perna nova? Claro! Ele pode tudo! A pergunta é: quantas vezes você já viu ou ouviu falar que o Senhor fez isso? Eu não conheço nem nunca soube de nenhum caso concreto. Assim, com que frequência Deus faria o milagre de fazer brotar amor onde ele nunca houve? Pode acontecer? Sim. É provável? Aí já é discutível.
Preparado para ouvir a realidade? O que é bíblico? Então vamos lá: se você decepar sua perna, as chances são que você tenha de viver o resto da vida sem ela, suportando a situação, dependente de uma muleta ou de uma cadeira de rodas. É triste, é difícil, eu não gostaria de te dizer isso. De igual modo, se você casou sem amor, as chances são que você tenha de viver o resto da vida num casamento sem amor, suportando a situação, dependente da força de Deus e do fruto do Espírito. É triste, é difícil, eu não gostaria de te dizer isso.
Mas é a verdade.
Este sem dúvida é o post mais difícil que já escrevi. Pois sempre que escrevo, procuro encaixar o texto na tríade de funções da profecia: exortação, consolo ou edificação. Mas não consigo encaixar este em nenhuma das três categorias. É um post sobre a soberania e a vontade de Deus (que é boa, perfeita e agradável), sempre sob a sombra da graça. Resta a todos os irmãos e as irmãs que estão enfrentando o deserto de um casamento sem amor olhar para Deus, Sua graça e Sua misericórdia e falar como Jó, que no momento de maior desespero e angustia adorou o Todo-Poderoso e disse: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!”. Isto é: seja feita a vontade do Altíssimo, assim na terra como no Céu. Romanos 9.14 afirma: “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!”. Bendito seja o nome do Senhor. E, como em tudo devemos dar graças, mesmo na tribulação o faremos.
Caminho para o fim deste difícil post com um peso sobre as costas, mas com mais uma passagem bíblica. Na sequência da explanação de Jesus sobre o porquê de Ele estar subvertendo o que Moisés estipulou humanamente, em Mateus 19, os discípulos mostram que a resposta do Mestre os deixou bem desconfortáveis, para não dizer revoltados. Como muitos leitores devem estar se sentindo. Pois os discípulos (e talvez você) certamente queriam que o Senhor viesse com alguma fórmula mágica que resolvesse os casamentos infelizes, que fosse tiro e queda, bate-pronto e, assim, desse um jeito de validar o divórcio e resolver num estalar de dedos os problemas de milhares de pessoas que vivem um matrimônio em que não gostariam de estar. Por isso, eles peitam Jesus, no versículo 10: “Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar”. E aí, perdoem-me os que consideram os argumentos aqui apresentados legalistas (detalhe: só expus argumentos do Novo Testamento), mas concluo não com a Lei, mas com as palavras do próprio Cristo (que, acredito eu, não era legalista) no versículo 11. Palavras que não dão uma resposta fácil, rápida e pronta, mas sim a que conveio a Deus. Não me culpem, por favor. Apenas reproduzo o que o Criador do Universo disse: “Jesus, porém, lhes respondeu: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado”.
Oro a Deus por cada irmão e irmã que vive um casamento infeliz. Oro com toda a minha alma, com dor no coração e cheio de solidariedade e carinho. E peço para esses um milagre. Peço consolo. Peço restauração e uma vida de abundância em Cristo. Peço graça. Que suas famílias sejam abençoadas. Também deixo um alerta aos solteiros: NÃO SE CASEM SEM AMOR. Não se casem sem o amor sacrificial de João 3.16. Para que não venham a sofrer no futuro. Aos que já sofrem, oro ao Deus do impossível que sare suas feridas. Que os faça felizes apesar dessa dificuldade. E que lhes traga a paz que excede todo o entendimento.
POR QUE UM DEUS BOM PERMITE A DOENÇA E A DOR?
Domingo passado fiquei profundamente tocado ao saber que uma irmã da igreja recebeu a notícia de que está com câncer. A previsão é de pelo menos um ano e meio de tratamento, quimioterapia e tudo o mais a que tem de se submeter alguém que é acometido por essa moléstia. Jovem, cristã, casada com o baterista do grupo de louvor… oramos juntos durante o culto – eu, ela e seu marido. Choramos. Pedimos a cura. E meus olhos demoraram algum tempo para secar, pois parecia que conseguia sentir em mim a dor e a ansiedade daquele casal, já em antecipação pelos meses de batalha que terão pela frente. Esse episódio me afundou em reflexão sobre uma das questões mais antigas entre os cristãos: como aceitar a ideia de um Deus bondoso e misericordioso deixar seus filhos enfrentarem doenças que causam dor e sofrimento? Eu tenho uma teoria.
Para falar sobre isso, antes de mais nada devemos nos lembrar de que estamos vivos e, como tal, sujeitos a todo tipo de doença. Parece meio óbvio, mas – acredite – para muitos não é. Há uma crença disseminada em muitas igrejas, com base em Isaías 53, de que Jesus curou todas as doenças do universo Doença1na cruz e basta termos fé que o interruptor da cura será acionado. Não acredito nisso. Acredito que, em sua soberania, Deus é capaz de me manter doente por mais que eu tenha a fé maior do mundo (se quiser se aprofundar no assunto, pode ler o post “E quando Deus não cura? – Parte 2/2“). Acredito no “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Enquanto estamos vivos, habitaremos em corpos frágeis, aglomerados de tecidos e líquidos sujeitos a doença, degradação, falência, decadência. A salvação não blinda nossos corpos contra bactérias, vírus, torções, multiplicação descontrolada de células (tumores), fraturas, amputações, dores e centenas de outros tipos de problemas de saúde que podemos ter. A salvação é espiritual e não corpórea. Salvos e não salvos ficarão doentes do mesmo modo. A vida nos prova que isso é fato.
Se você não crê nisso, pense em uma coisa. Islâmicos ficam doentes e são curados. Espíritas ficam doentes e são curados. Budistas ficam doentes e são curados. Hindus ficam doentes e são curados. Xintoístas ficam doentes e são curados. Candomblecistas ficam doentes e são curados. Satanistas ficam doentes e são curados. Ateus ficam doentes e são curados. Cristãos ficam doentes e são curados. Simplesmente porque todos os fieis de todas as religiões fazem parte do mesmo grupo de seres: humanos. E humanos ficam doentes. Humanos produzem anticorpos. Humanos reagem a medicamentos. Humanos ficam curados. E humanos também morrem.
Doença2Meu pastor eventualmente diz: exceto por um acidente ou um assassinato, ninguém “morre de morte”. Todos morremos de doenças. De falhas no funcionamento do organismo. Desconsidere quem morre por fatores de origem externa, como tiros, facadas, atropelamentos, afogamentos ou similares. Os demais morrerão de AVC, infarto, malária, dengue hemorrágica, pneumonia e centenas de outros tipos de problemas orgânicos. Ninguém morre de velhice: velhos morrem porque seus organismos não comportam mais a vida e, por isso, algo falha, uma doença os acomete e chega o momento da partida desta existência material. Se todos os cristãos fossem ser curados de tudo, nenhum de nós morreria. Lembre-se de que todo mundo que um dia foi curado de algo – seja por atendimento médico ou por um milagre – no fim acabará sucumbindo a outro mal. Ou você acha que Lázaro, o irmão de Maria e Marta, está vivo até hoje?
Então, somos espíritos infinitos que habitam corpos finitos. Vamos adoecer. Vamos morrer. É bom estarmos cientes disso.
Você poderia dizer: “Ok, Maurício, tudo bem, todos vamos ficar doentes e morrer um dia, mas precisamos sofrer tanto com certas doenças tão terríveis?”. Vamos analisar alguns casos bíblicos. Miriã, a irmã de Moisés, ficou leprosa, pela vontade do Senhor. Jó, o homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal, ficou cheio de tumores na pele, pela vontade do Senhor. Doença3O próprio Lázaro, um dos melhores amigos de Jesus, adoeceu, como explicou o Mestre, “para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela [a doença] glorificado”. O cego de nascença de João 9 carregava essa condição por anos, para, segundo Jesus, “que se manifestem nele as obras de Deus”. Até aqui falamos de lepra, tumores, cegueiras e uma doença mortal indefinida, todas enfermidades terríveis. Mas tem mais: muitos são os relatos, de Êxodo a Juízes, de circunstâncias em que o Senhor amoroso enviou doenças, pragas e pestes ao seu povo, o povo eleito, o povo escolhido, para que aprendesse que não havia outro Deus além dele e abandonasse a idolatria. E não nos esqueçamos do espinho na carne de Paulo que, é possível, talvez fosse uma doença. E estamos falando do grande apóstolo Paulo, o homem que foi arrebatado ao céu… mas para quem a graça de Deus bastava.
Agora eu pergunto a você: o que têm em comum todas essas circunstâncias, em que, pela ação direta de Deus, membros do seu povo, pessoas que ele amava e a quem queria bem – Miriã, Lázaro, Jó e tantos outros – acabaram sendo acometidos por doenças horríveis e que causaram tanto sofrimento? O que vejo em comum a todos esses casos é o desejo do Senhor de que venhamos a aprender lições importantes por meio das enfermidades.
Veja: Miriã foi vencida pela soberba e a lepra veio para lhe ensinar humildade. Paulo (se é que o espinho na carne foi uma moléstia) recebeu a lição de que a graça de Deus é o que há de mais importante. O povo israelita sofreu muitas vezes com pestes para aprender que a obediência e a fidelidade ao Todo-poderoso são vitais. Jó sofreu para que bilhões de judeus e cristãos ao longo dos milênios aprendessem com sua história sobre a soberania divina. O cego e Lázaro padeceram para que bilhões de indivíduos aprendessem que o mais importante de tudo é a glória de Deus.
Doenças e aprendizado andam de mãos dadas desde o Éden. Andavam na época do Antigo Testamento, continuaram andando após a vinda de Jesus, andam ainda em nossos dias e seguirão andando até a consumação do século. Deus sabe que somos pó e, muitas e muitas vezes, o aprendizado sobre a obediência, a graça e a glória de Deus vêm mediante um instrumento pedagógico chamado doença (que, infelizmente, carrega a reboque dor e sofrimento).
Muitos poderiam dizer que esse tipo de pensamento não coaduna com a essência de um Deus que é amor. É exatamente por isso que precisamos entender os fatos do dia a dia pela óptica do Senhor e não pela dos homens. CoDoença4mpreenda uma coisa: quando o Pai olha para você, ele não está enxergando somente os míseros 70 anos de vida durante os quais a sua alma estará na terra – tão preciosos aos seus olhos humanos. Ele está vendo de uma perspectiva muito mais elevada, o Senhor contempla os milhões, bilhões, trilhões, quatrilhões de anos que você terá de vida eterna. Se essa matemática lhe parece nebulosa, perceba que, se a eternidade tivesse apenas 1 milhão de anos de duração, nela caberiam 14.285 vezes o tempo de vida de alguém que vive na terra 70 anos. E, lembre-se que a eternidade vai durar milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões (e por aí vai, indefinidamente) de anos. Ou seja: uma eternidade que tivesse somente 1 milhão de anos equivaleria a 14.285 vidas terrenas.
Diante disso, sinceramente, o que você acha que é mais importante para o Senhor? Suas poucas décadas aqui ou sua existência eterna? Se for preciso fazer você enfrentar alguns anos de aperto agora que promoverão um aprendizado benéfico para toda a eternidade, o que você acha que ele fará? No lugar dele, o que você faria?
Doenla5Eu estava brincando de massinha de modelar com minha filha de 2 anos quando vi que ela ia enfiar um pedaço daquela substância tóxica na boca (e, se eu não visse, possivelmente engolir). Num reflexo, dei um grito. A pobrezinha tomou um susto, pois não está acostumada a ouvir papai gritar com ela. Paralisou. Fez beicinho. E começou a chorar. Tomei-a em meus braços, a acalmei e depois lhe expliquei a razão de ter gritado com ela: evitar um mal maior. Ela compreendeu, enxugou as lágrimas, apertou meu pescoço num abraço e me deu um beijo. Quase nunca grito com ela, mas se você me perguntar se eu gritaria de novo se tivesse de reviver aquela situação, afirmo que berraria quantas vezes fosse necessário, pois a amo e prefiro que ela sofra um pouquinho por algum tempo do que sofra muito por muito tempo. Por que com Deus seria diferente? O amor de Deus por nós é tão, mas tão grande, que ele deixa que fiquemos doentes.
Deus olha para mim e você sempre, sempre e sempre a partir da perspectiva da eternidade. Ele quer nosso bem eterno. Se para isso for preciso que soframos um tanto de tempo nesta vida terrena e, assim, aprendamos importantes lições que impactarão diretamente nosso relacionamento e nossa intimidade com o Senhor pelos zilhões de anos que teremos entre a doença e a eternidade, afirmo que Deus nos enfermaria quantas vezes fosse necessário. Por quê? Em linguagem bíblica, “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2Co 4.17-18).
Sim, ficaremos doentes. Sim, homens bons e íntegros, cristãos fieis, servos cheios de fé… todos ficarão doentes. Sim, todos os que adoecerem sofrerão. Sim, devemos orar pelos enfermos na esperança de sua restauração. Sim, remédios curarão muitos. Sim, milagres curarão alguns. Sim, muitos morrerão. Sim, no fim todos morreremos. O que fará a diferença é o quanto teremos capacidade de tirar de aprendizado de toda a dor e o sofrimento que precisaremos encarar.
Doença5Quando Jó finalmente parou de questionar as razões de sua doença e aprendeu o que Deus queria que ele aprendesse, disse: “Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber. [...] Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.3-6). Quatro versículos depois, Deus acaba com o sofrimento de Jó. Será coincidência? É por isso que eu sempre recomendo: se você está doente, junto à oração pela cura ore a Deus perguntando o que Ele quer que você aprenda com aquela enfermidade. Há uma grande chance de seu sofrimento ser abreviado se você aprender o mais rápido possível o que Deus quer que você aprenda. Essa é uma certeza canônica? Não, a Bíblia não afirma isso. Mas é no que eu creio.
Que em meio à doença aprendamos mais sobre santidade. Sobre obediência. Sobre a graça de Jesus. E, por fim, sobre a glória de Deus.
Doença6Eu choro pela minha irmã que recebeu o diagnóstico de câncer. Fico muito, muito triste – e domingo fiz um compromisso comigo mesmo de orar diariamente por ela. Não queria que ela passasse por isso. Jesus, na noite de sua paixão, entrou em depressão a tal ponto por causa do sofrimento que teria de enfrentar que Mateus 26 registra: ele “começou a entristecer-se e a angustiar-se” e disse a seus amigos: “A minha alma está profundamente triste até à morte”. Pois a dor… dói. E de sentir dor quem gosta? Mas o sofrimento de Jesus trouxe benefícios eternos. O Pai sabia disso e, por essa razão, não afastou de seu Filho amado o cálice do sofrimento. Por isso, muitas vezes o compassivo e bom Deus deixa que também nós bebamos do cálice do nosso sofrimento: para que aprendamos algo que virá a trazer benefícios eternos. O que cada um de nós tem de aprender com nossas doenças? Não faço ideia (para cada pessoa há um aprendizado específico). Mas Deus faz.
De minha parte, sei que a graça dele nos basta. E que a ele seja dada toda a glória, pelos séculos dos séculos.
Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
QUANDO OS LÍDERES IMPLODEM
O que é que os líderes cristãos devem concluir depois da experiência espectacularmente dolorosa de assistirem às notícias sobre o Ted Haggard? O presidente da Associação Evangélica Nacional (Estados Unidos da América) e Pastor da mega-igreja New Life Community (Comunidade Vida Nova) em Colorado Springs, no Estado do Colorado, E.U.A, admitiu gradualmente que comprava anfetaminas e recorria aos serviços de um prostituto masculino. Pedimos ao editor da revista Leadership, Gordon MacDonald, para fazer uma reflexão sobre o que devemos aprender com este episódio.)
É difícil para além de toda a descrição ver na televisão o nome e rosto de Ted Haggard arrastados pelos televisores em todos os noticiários. Mas como o meu amigo, Tony Campolo, disse numa entrevista a semana passada, quando passamos a nossa vida a buscar o microfone para falar ao mundo das nossas opiniões e julgamentos, não deveríamos ficar surpreendidos quando o sistema redirige os holofotes para nós, justa ou injustamente, durante os nossos maus momentos.
Ainda estamos no processo de aprender o que transpareceu realmente nos últimos meses na face secreta da vida de Ted. No Domingo a liderança da New Life Church anunciou que lhe pediram para renunciar aos cargos. O seu ministério na New Life Church e como líder da Associação Evangélica Nacional acabou.
Passei algum tempo a tentar entender como e porquê alguns homens e mulheres em todos os tipos de liderança se metem em problemas, quer sejam financeiros, morais ou abuso de poder e ego. O fracasso e a humilhação não me são desconhecidos. Destes terríveis momentos passados há vinte anos na minha própria vida cheguei à conclusão de que existe uma pessoa escondida em muitos de nós que não é diferente de um assassino. Esta pessoa escondida (como um membro contencioso de uma Direcção) pode ser a fonte de atitudes e comportamentos contra os quais normalmente nos posicionamos no nosso ser consciente. Mas busca destruir-nos e transmite uma capacidade de – sem limites – nos tentar a fazer coisas “contra as nossas convicções”.
Se foi tão “queimado” quanto eu (e os meus entes queridos), não viverá um dia sem se lembrar que há algo dentro disso que se não for vigiado, o fará cair no descalabro. Wallace Hamilton escreveu: “Dentro de cada um de nós há uma manada de cavalos selvagens que se querem soltar e correr livremente.”
Parece-me que quando as pessoas se tornam líderes de organizações e movimentos com visibilidade, quando se tornam famosas e as suas opiniões são constantemente sondadas pelos mídia, devem tornar-se cautelosas. O mesmo desejo que impele alguns líderes para níveis extraordinários de empreendimento é o desejo que frequentemente os impele para alvos e objectivos que ultrapassam o razoável.
Como um rio que galga as suas margens, esse desejo alarga-se frequentemente a áreas de empolgamento e risco que podem ser perigosas e destrutivas. Por vezes esse desejo parece ser imparável.
Esta parece ter sido a experiência de David no Velho Testamento e dos seus olhos observadores e curiosos, de Uzias no seu tédio e de Salomão na sua fome insaciável por riquezas, esposas e cavalos. Parecem ter encetado uma cruzada à procura de mais emoções ou de satisfazerem as suas necessidades pessoais mais profundas, e a satisfação normal na maioria das pessoas torna-se inadequada para elas.
O Que Devemos Acautelar
Quando vejo um líder que se torna teimoso e rígido, que é cada vez menos compassivo para com os seus adversários, cada vez mais tirano na sua própria organização, que desperta a ira e a arrogância nos outros, pergunto-me se ele não estará a gerar este clima porque está arduamente a tentar dizer “não” a algo que surgiu bem fundo dentro da sua alma.
São as suas palavras e gestos direccionados contra o inimigo “lá fora” ou contra um inimigo muito mais fortuito e astuto no seu interior? Várias vezes visitei pastores que passavam horas imersos na pornografia e um ou dois dias depois pregavam os seus sermões mais ungidos contra a imoralidade. É um paradoxo que baralha as mentes racionais.
Não há responsabilização adequada que trave a pessoa que vive em tal conflito interior. Nem pode travar a pessoa que precisa constantemente de adrenalina para superar os pontos altos do passado. Talvez essa seja uma das características geniais de Jesus: saber quando parar, como recusar o cocktail do privilégio, da fama e o aplauso que distorce a capacidade individual de pensar com sabedoria e de controlar o ego.
Várias vezes vimos vir ao de cima a verdade sobre a vida de alguém, não de uma vez, mas numa série de revelações, cada uma admitindo mais culpa, quando um dia ou dois antes até tinha sido negada. Talvez a incapacidade de dizer toda a verdade é um sinal de que a pessoa está a mentir a ela própria e não consegue encarar a verdade plena do seu comportamento.
Mas é assim que todos os pecados começam: quando mentimos a nós próprios.
As mentiras cardinais de um líder falhado? Eu dou e dou e dou nesta posição; eu mereço privilégios especiais – talvez até o privilégio de viver acima das regras. Ou, tenho charme e palavrinhas mansas suficientes para dizer o que quero – e até dar uma aparência de inocência genuína. Ou, uma boa parte da minha vida é vivida acima da linha da santidade de forma que posso ser desculpado desta ou daquela falha. Ou, já fiz tanto por estas pessoas; agora é a vez de elas fazerem algo por mim – tal como perdoar-me e dar-me uma segunda oportunidade.
Estou de coração partido por causa do Ted e da sua família. Não sou capaz de imaginar a tortura por que estão a passar neste momento. Caídos da estima e admiração nacionais em apenas algumas horas, têm de interrogar-se sobre quem serão agora os seus amigos verdadeiros. Devem estar a interrogar-se sobre como estes acontecimentos – conhecidos em todo o mundo – afectarão os seus filhos. A Sra. Haggard não vai poder aparecer no supermercado local sem se perguntar quem vai encontrar no corredor das frutas: Um repórter? Um membro da igreja? Um crítico? Tanto o Ted Haggard como a esposa vão enfrentar câmeras de televisão sempre que saírem de casa – até os mídia encontrarem outra pessoa a quem assediar.
As viagens, os conhecimentos, as entrevistas, os aplausos da congregação, o poder da organização, os privilégios e luxos, a honra: tudo desapareceu! O acesso às pessoas de posição e poder: desapareceu! A oportunidade de dizer todos os dias uma palavra de influência aos jovens ensináveis: desapareceu! A certeza de que Deus ungiu a pessoa para tempos como estes: desapareceu!
E o que cresce agora a cada dia é o sentimento adormecedor do arrependimento e da perda. Com o tempo vão ser abordados por pessoas que de uma forma ou de outra vão dizer: “Eu confiava em ti, mas o que fizeste fez-me ficar muito zangado.” “Fizeste com que o meu filho se afastasse do Evangelho.” “Pensei que te conhecia, mas afinal não”.
Vai passar muito tempo até que os dois Haggards se sintam de novo seguros. Este tipo de sofrimento dura uma vida inteira, mesmo depois da restauração. Como eu queria que eles fossem poupados a isto! Talvez haja um dia do percurso em que seja possível um regresso à posição de influência. Mas neste momento é – ou deveria ser – algo muito longínquo.
Oração pelos que caíram e por aqueles que ficaram magoados
É minha oração que a liderança da New Life Church não assuma que “restauração” significa colocar o Ted nos púlpitos o mais depressa possível. A pior coisa do mundo seria dar-lhe esperanças de que a partir do momento em que ele mostre que está arrependido pode voltar em breve à exposição pública. Para seu próprio bem, ele deve tirar bastante tempo para trabalhar os factores que causaram esta situação. Voltar ao trabalho não resolverá o que estiver errado na sua própria alma.
Ele e a esposa devem separar muito, muito tempo para permitir que o relacionamento entre ambos fique restaurado. O perdão é uma cura prolongada, não instantânea.
E há aqueles cinco filhos. Pensar neles dá-me vontade de chorar.
E depois há inúmeras pessoas dentro e fora da igreja deles que têm de tirar muito tempo para descobrir o que tudo isto significa. Não, a pior coisa que os amigos e supervisores do Ted podem fazer é retirá-lo prematuramente deste processo. A melhor coisa que podem fazer é pedir-lhe para se retirar para o silêncio com aqueles que ele ama e ouvir – a Deus e a conselheiros idóneos.
As Consequências que devemos enfrentar
A declaração feita pela Comissão Executiva da Aliança Evangélica Nacional na sexta-feira à tarde parece-me vazia. Parece ter sido escrita por um Relações Públicas que queria dizer as coisas mais simpáticas e adequadas para apaziguar os mídia e sossegar os advogados. O fardo da declaração parece ter sido que a AEN já está a tratar de escolher quem será o próximo líder.
O facto é que, demasiadas vezes vimos o Presidente da AEN nos noticiários e nos talk-shows a falar como líder de 33 milhões de evangélicos norte-americanos. Tenho a certeza que ninguém perguntou à maioria dos evangélicos se queriam ser representados pelo Ted Haggard, ou seja por quem for. Sei que a última vez que me senti à vontade por ter alguém a falar pelos evangélicos como um todo foi quando o Billy Graham falou em nosso nome. Mas houve uma ilusão permitida: que a AEN era um movimento bem organizado e bem difundido entre os evangélicos norte-americanos, liderada pelo Ted Haggard e que, quando ele falava, falava em nome de todos.
Agora, infelizmente, essa voz falou mal, e o nosso movimento tem de viver com as consequências.
Tenho uma média fraquinha de sucesso em prever o futuro. Mas pressinto que a AEN (tal como a conhecemos) não irá recuperar deste momento horrível. Deveria? Líderes de vários apoiantes da AEN muito provavelmente irão pensar que as suas fortunas ficarão melhor servidas investindo em novas e mais frescas alianças.
Desde o início da administração do Bush que me preocupo com a tendência que existe em diversas personalidades Evangélicas de ir a público sempre que visitam a Casa Branca ou têm uma conferência pelo telefone com um oficial da administração. Sei que isto tem uma extraordinária capacidade para levantar fundos. Conheço a tentação para a expansão do ego quando alguém acha que o Presidente lhe dá ouvidos. Mas o resultado é que agora somos um movimento evangélico que está profundamente comprometido – identificado aos olhos do público como profundamente entranhado nos bolsos do partido Republicano. Pessoalmente creio que o nosso movimento foi usado.
Há rumores de que o movimento – já dirigido em conjunto por Billy Graham e Harold Ockenga – começa a fragmentar-se porque se identifica mais por uma agenda política que parece estar a falhar e menos por um compromisso com Jesus e com o Seu Reino. Quer nos agrade ou não, somos vistos como aqueles que apoiam a guerra, tortura e que adoptam uma postura de fanfarrões nos relacionamentos internacionais. Qualquer americano que viaja para o estrangeiro já provou a hostilidade global para com o nosso governo e a suspeita de que as políticas do nosso Presidente reflictam os verdadeiros inquilinos da fé cristã.
E devo acrescentar que há uma desilusão crescente da parte dos nossos irmãos e irmãs de outros países que não descortinam qual o papel dos cristãos americanos em tudo isto. O nosso movimento pode ter as suas intervenções no Supremo Tribunal, mas pode ter também comprometido o seu centro histórico de fé bíblica. É tempo de deixar que o público em geral saiba que algumas personalidades evangélicas da TV e da rádio amplamente conhecidas não falam por todos nós.
E por isso eu oro:
Senhor e Pai,
Como deves ficar triste quando vês o mais poderoso e o mais fraco dos teus filhos caírem nas garras do pecado e do mal. Não há nada que alguém tenha feito que nós – cada um de nós – não sejamos capazes de fazer. Por isso, ao orarmos pelo nosso irmão, Ted Haggard, não oramos por pena ou julgando-nos justos mas com um espírito humilde porque estamos com ele prostrados diante da cruz.
Pai, dá a este homem e à sua esposa o dom da Tua graça. Protege-os das acusações constantes do diabo, que vai querer tirar-lhes o sono, tentá-los para que falem demais com o público, levantar conflitos entre eles como casal e com os seus filhos. Envia as pessoas certas às suas vidas, que possam fazer a mistura correcta de esperança e amor sarador. Livra-os daqueles que buscam os seus favores dizendo-lhes as coisas que eles não deveriam ouvir. Livra-os de fazerem maus juízos, mesmo nos seus piores momentos.
Senhor, sê com os crentes e a liderança da New Life Church. E com a liderança da AEN que tem que viver com os efeitos secundários desta tragédia. E com as pessoas na tradição evangélica que hoje se perguntam em quem podem confiar. Sobre o que mais podemos orar? Tu sabes todas as coisas. Somos pequenos.
Ámen.
sábado, 13 de setembro de 2014
QUANDO O SENHOR RESTAUROU NOSSA SORTE
Texto base Salmo 126
INTRODUÇÃO
O Salmo 126 registra um dos momentos mais lindos da história do povo judeu. Este salmo fala da alegria dos judeus quando receberam a notícia de que podiam retornar a sua terra – isso depois de setenta anos de cativeiro – para reconstruir o templo que Nabucodonosor havia destruído. Quando esta notícia chegou a alegria tomou conta do coração de todo o povo e este Salmo registra esse lindo momento.
O exílio babilônico havia chegado ao fim. Esse retorno ocorreu em 538-537 a.C, por ordem de Ciro Rei da Pérsia, como nos fala em 2Cr 36.22,23:
“Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do SENHOR, por boca de Jeremias, despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá; quem entre vós é de todo o seu povo, que suba, e o SENHOR, seu Deus, seja com ele”.
Veja também o que nos diz o livro de Esdras 1.1-5:
“No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do SENHOR, por boca de Jeremias, despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém de Judá. Quem dentre vós é, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém de Judá e edifique a Casa do SENHOR, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém. Todo aquele que restar em alguns lugares em que habita, os homens desse lugar o ajudarão com prata, ouro, bens e gado, afora as dádivas voluntárias para a Casa de Deus, a qual está em Jerusalém. Então, se levantaram os cabeças de famílias de Judá e de Benjamim, e os sacerdotes, e os levitas, com todos aqueles cujo espírito Deus despertou, para subirem a edificar a Casa do SENHOR, a qual está em Jerusalém”.
Esse rei não tomou uma decisão por conta própria, mas por ordem de Deus, pois o Senhor é o Senhor da História. Veja que o texto diz que isso ocorreu para que se cumprisse a Palavra do Senhor, e não a palavra de Ciro.
Veja o que o Senhor falou a respeito de Ciro por boca do profeta Isaías, cerca de 150 anos antes de ele nascer:
“Que digo de Ciro: Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado” Is 44.28.
“Assim diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para abrir diante dele as portas, que não se fecharão” Is 45.1.
Embora Isaías não tivesse poder para olhar para o futuro, Deus possui esse poder e declara: “desde o princípio anuncio o que há de acontecer” (Is 46.10). Deus não somente sabe quem assumirá o poder, mas “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Dn 4.32). É Deus quem estabelece reinos, e é ele quem os desfaz. Não é de se admirar, portanto, que o Senhor seja capaz de citar o nome de um rei quase 200 anos antes de ele subir ao seu trono. Outro fato não menos extraordinário foi o Senhor chamar Ciro de “meu pastor”, pois foi assim, como um pastor que o Senhor usou a Ciro para juntar as ovelhas dispersas da casa de Israel, chamando-as de muitas terras distantes.
Quando Nabucodonosor entrou em Jerusalém trouxe grande destruição tanto à cidade quanto ao povo. O Livro de Lamentações registra esse ocorrido e as suas consequências de forma muito vívida. Jeremias nesse livro registra não somente o exílio do povo, mas também as mortes, as humilhações, os estupros, a fome que se seguiu a ponto de mães matarem os próprios filhos para os comerem. A cidade ficou em ruínas, os muros foram derrubados e o templo destruído. O que se instalou na cidade tão populosa foi a ruína e a miséria. No entanto, o Senhor havia feito uma aliança com Seu povo de que eles iriam habitar numa terra que manava leite e mel. A Babilônia não era para ser a moradia do povo judeu. O Senhor os levou para lá para discipliná-los, mas não para que eles morassem lá para sempre. Tanto que setenta anos depois eles retornaram para sua terra. Deus não falha em Suas promessas, muito pelo contrário, Ele sempre irá cumpri-las.
No entanto, quando o povo retorna à Judá só havia ruínas. Os muros da cidade de Jerusalém estavam derrubados e o templo destruído. No lugar do júbilo eles passaram a enfrentar a dura realidade da reconstrução da cidade e do templo. O sonho virou pesadelo. Mas em lugar de se desesperarem eles buscaram no Senhor as condições de reconstruir o que o inimigo destruiu.
Talvez essa seja a sua realidade hoje. Você olha ao redor e observa que tudo o que um dia foi festa hoje é luto e destruição. Mas se o Senhor lhe fez uma promessa de reconstruir a sua vida pode ter certeza de que Ele irá lhe dar condições para que tal coisa ocorra.
Talvez você esteja vendo sua família, antes próspera e feliz, hoje passando por duras crises, mas saiba, se o Senhor está contigo você irá ver a sua casa reconstruída e feliz novamente. Mas nada é fácil. Nada acontece da noite para o dia. Tem que haver muito investimento, paciência e fé nas promessas do Senhor. E este Salmo nos fala exatamente disso. Por isso eu quero meditar com você neste salmo e no que ele pode nos ensinar e quanto ele pode renovar a nossa fé nas promessas do Senhor.
Quais as lições que podemos tirar desse salmo?
1º A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O SENHOR SEMPRE TRAZ UMA BOA NOVA PARA NÓS DEPOIS DE UMA GRANDE CALAMIDADE (V 1-3).
No exílio babilônico, os judeus, depois de setenta anos receberam uma boa notícia: “Quem dentre vós é, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém de Judá e edifique a Casa do SENHOR, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém” (Ed 1.3).
1º - O pesadelo havia acabado. Veja que o salmista nos diz que quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha (v 1). O Senhor havia se lembrado do Seu povo e estava lhes abençoando com essa Boa Nova. O que o Senhor havia falado por boca de Jeremias estava se cumprindo (Jr 25.12). Observe que Daniel também havia observado que o tempo da visitação do Senhor ao Seu povo havia chegado (Dn 9.1-19).
Entenda uma coisa meu irmão, Babilônia não é moradia do povo judeu e muito menos a nossa moradia. Talvez você esteja enfrentado um momento de luta e desesperança, mas saiba de uma coisa: o Senhor há de manifestar em sua vida a Sua graça e misericórdia. Você não foi resgatado do mundo para viver na Babilônia, mas para viver na presença do Senhor. Sião é a nossa morada!
Quando o Senhor visita o Seu povo ficamos como quem está sonhando, pois parece até mentira o que está acontecendo.
2º - A alegria tomou o lugar do pranto (v 2,3). O povo louvou ao Senhor pela bênção alcançada. Quando o Senhor visita o Seu povo não nos lembramos mais do sofrimento passado, ou melhor, ele não mais nos machuca como antes. O Salmo 137 nos diz que o povo ficava muitas vezes as margens dos rios da Babilônia e chorava se lembrando de Jerusalém (Sl 137.1-4). Mas esta tristeza foi substituída pela alegria plena do Senhor.
Isso me faz lembrar o dia da ressurreição do Senhor Jesus registrado em Lucas 24. 36-43:
“Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco! Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado [e um favo de mel]. E ele comeu na presença deles”.
A alegria dos discípulos foi tanta que eles não podiam acreditar no que estavam vendo. É exatamente isso que ocorre conosco ainda hoje quando o Senhor nos visita e nos tira o opróbrio de sobre nós.
3º - Até as pessoas ao nosso redor verão que algo extraordinário ocorreu conosco (v 2b). Quando o Senhor intervém até as pessoas ao nosso redor verão que algo anormal ocorreu. Que o que está acontecendo é impossível de acontecer a não ser por uma intervenção divina. Tanto que disseram: “Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles”. E é exatamente isso que ocorre ainda hoje; quando a graça do Senhor nos alcança algo extraordinário é visto por todos. Principalmente quando uma pessoa é salva pelo Senhor. Um bom exemplo disso é o endemoniado gadareno que antes vivia nos sepulcros e preso muitas vezes por algemas, mas depois de liberto da legião de demônios que o prendia ficou completamente lúcido e voltou para sua casa são e salvo (Mc 5.1-20). Ainda hoje o Senhor Jesus faz isso.
Quantas pessoas que você conhece que foram libertas e as pessoas ao redor testemunham que foi a boa mão do Senhor sobre ele. Isso ocorreu com você e comigo também.
Talvez o milagre que o Senhor operou em sua vida tenha sido uma porta de emprego que se abriu para você. Quem sabe aquele concurso público que você conseguiu passar ou a faculdade que finalmente você foi aprovado. A casa própria que parecia impossível, mas hoje você conseguiu. Quem sabe a conversão de um filho ou da esposa, ou do marido. Ah! São tantos milagres que o Senhor realiza que ficamos como quem sonha.
2º A SEGUNDA COISA QUE APRENDO É QUE MUITAS VEZES A DURA REALIDADE VEM DEPOIS DO SONHO (V 4).
Quando os Judeus viram o estado de calamidade que se encontrava a nação eles não desanimaram, pelo contrário, oraram ao Senhor buscando renovo para iniciarem a obra de restauração. E a oração que fizeram foi em cima de um milagre que eles presenciavam constantemente no deserto do Neguebe.
O Neguebe era uma região desértica ao sul da Palestina (na época território de Israel), abaixo da linha das cidades de Belém e Hebrom. O Neguebe era um lugar árido, muito seco, um grande deserto, mas que durante os meses de outubro a abril (a estação das chuvas), recebia um fenômeno natural e espantoso: as chuvas fortes em regiões distantes faziam correr dos montes uma enorme quantidade de águas e estas águas iam aos poucos formando riachos que regavam o deserto levando vida em abundância.
A terra seca se transformava em belos campos floridos, a vegetação enchia de vida o vale e os animais voltavam a povoar a paisagem, antes deserta e estéril.
O vale do Neguebe escondia debaixo de sua aparência desértica, inóspita e solitária uma vocação natural para jardim regado. O Neguebe não tinha águas próprias, porque as torrentes eram decorrentes de chuvas que aconteciam distante e que escorriam dos montes restaurando a vida no vale.
Nenhum de nós tem vida em si mesmo, Jesus é o Senhor da Vida e é Ele quem determina o curso e a duração de nossos dias. Jesus é o Senhor da História (EU SOU o Alfa e o Ômega) e é Ele quem escreve as páginas de nossa história pessoal. Jesus morreu por nossos pecados e nos dá o Espírito Santo para habitar em nossos corações, portanto a vida espiritual nos é dada também por Jesus. É o Senhor que transforma o nosso deserto existencial e um manancial de águas doces.
Quando o povo volta da Babilônia eles se depararam com um quadro caótico em Judá, a cidade estava destruída e o povo que ficou em total miséria. O sonho do retorno estava se transformando em pesadelo novamente. Mas eles não se deixaram levar pela calamidade e por isso oram para que o Senhor restaurasse a sua sorte e lhes dessem capacidade para tornar o sonho em realidade como as torrentes do Neguebe.
1ª - Primeira coisa que devemos entender que é o Senhor que pode trazer ao nosso coração uma nova perspectiva de vida. Diante da calamidade a tendência da maioria das pessoas é afundar no lamaçal do desânimo e da depressão. Mas o Senhor renova o nosso sonho, nos desperta do pesadelo que está a nossa frente e nos faz ver a possibilidade de uma nova vida. Ele nos faz ver que é possível mudar esse quadro caótico.
Foi isso que o Senhor fez ao Seu povo na Babilônia. Muitos dos que foram levados para a Babilônia haviam perdido a esperança de retorno a sua terra, mas o Senhor não havia esquecido Seu povo. Como nos diz o Salmo 30.5: “Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã”.
O Senhor traz ao nosso coração palavra de ânimo assim como fez com o Seu povo quando retornaram da Babilônia. Veja como Ele reanimou o seu povo através de Ageu:
“No segundo ano do rei Dario, no sétimo mês, ao vigésimo primeiro do mês, veio a palavra do SENHOR por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Fala, agora, a Zorobabel, filho de Salatiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e ao resto do povo, dizendo: Quem dentre vós, que tenha sobrevivido, contemplou esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é ela como nada aos vossos olhos? Ora, pois, sê forte, Zorobabel, diz o SENHOR, e sê forte, Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e tu, todo o povo da terra, sê forte, diz o SENHOR, e trabalhai, porque eu sou convosco, diz o SENHOR dos Exércitos; segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito habita no meio de vós; não temais. A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos; e, neste lugar, darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos” (Ag 2.1-5;9).
Para nos desanimar há muitas pessoas, mas para nos fortalecer basta o Senhor e a Sua Palavra. Enquanto muitas pessoas mandavam Bartimeu se calar o Senhor mandou chamá-lo. Se o Senhor é por nós, quem será contra nós?
Se a sua vida está como o deserto do Neguebe então há esperança de renovo.
2ª - A segunda coisa que devemos entender que não devemos viver no mundo dos sonhos, mas encarar a realidade a nossa frente. Israel quando recebeu a Boa Nova no exílio ficou como quem sonha, mas teve que deixar o mundo dos sonhos e encarar a dura realidade a sua frente: a tragédia que se encontrava o lugar antes habitado e feliz. O mesmo acontece com cada um de nós. Passou na faculdade; parece um sonho, mas como vou fazer para pagá-la? É uma faculdade Federal, mas como fazer para conseguir boas notas? Como vou me manter se estou em outra cidade para estudar? Estou falando faculdade, mas pode ser qualquer outro sonho que pode se tornar um pesadelo diante das dificuldades que surgem. Por exemplo, uma quimioterapia, dela vem a cura do câncer, mas as sequelas são terríveis. A adaptação a um novo emprego. A luta para se livrar de um vício. Ah! São tantas as lutas que vem depois do sonho.
Lembre-se de uma coisa, a vitória de Davi contra o gigante Golias se deu porque ele se lembrou das vitórias passadas que o Senhor lhe havia dado, por isso ele não temeu o gigante. A dura realidade que se instala a nossa frente pode de início nos assustar, mas devemos nos lembrar das vitórias passadas, e, principalmente, se o Senhor nos trouxe até aqui ele irá nos ajudar a vencer as adversidades que surgirem.
3ª – A terceira coisa que devemos entender que não produzimos nossa própria restauração. O Salmista clamou: “Restaura, Senhor, a nossa sorte como as torrentes do Neguebe”. Essa restauração não vem da nossa capacidade, mas do Senhor. Há muitas pessoas que diante das vitórias alcançadas se esquecem de quem veio a vitória. Muitos falam como Nabucodonosor:
“Ao cabo de doze meses, passeando sobre o palácio real da cidade de Babilônia, falou o rei e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade? Falava ainda o rei quando desceu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Já passou de ti o reino. Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; e far-te-ão comer ervas como os bois, e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que aprendas que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Dn 4.29-32).
Cuidado com a sua língua e, principalmente, nunca se esqueça de que a sua vitória vem do Senhor. Cuidado com a arrogância. A nossa vitoria vem do Senhor e a glória é dEle.
3º A TERCEIRA COISA QUE APRENDO É QUE COM A GRAÇA DE DEUS EU POSSO ME PROJETAR PARA O FUTURO (V 5,6).
O salmista agora passa a usar a linguagem simbólica da colheita, da dura dificuldade de preparar o solo para o plantio; das dificuldades de enfrentar o tempo, trabalhando de sol a sol, labutando com perseverança para ver o fruto da terra. Mas o resultado é a colheita em abundância.
O salmista nos mostra três coisas muito importantes que muitas pessoas se esquecem:
1ª – A primeira coisa que o salmista nos mostra é que nada acontece sem esforço (v 5a). Os que com lágrimas semeiam... Antes de semear, a terra tem que ser preparada, tem que ser adubada, tem que tirar as pedras, o mato, preparar as covas para por a semente, e assim por diante. A Bíblia nos fala que o semeador saiu a semear. Semeou em terra boa e deu muito fruto (Mt 13.8), mas essa terra boa foi preparada para receber a semente. Ninguém lança a semente ao acaso. Eu pelo menos nunca vi isso aqui na região rural de minha cidade.
Do céu só desce a graça do Senhor, já dizia a minha mãe. Deus não irá fazer a parte que cabe a você fazer. Ele irá abençoar o seu esforço não a sua preguiça e o seu desleixo.
Vou lhe dar um exemplo que ocorreu comigo quando eu era ainda bem jovem:
Há muitos anos eu trabalhei em uma loja que vendia eletro doméstico, móveis, fogões, geladeiras, máquinas de lavar roupa. Um dia eu fui vender um fogão e uma moça me perguntou se o fogão que ela estava interessada era de acendimento automático. Confesso que eu não fazia a menor ideia como era o seu acendimento. Mas para não ficar mal eu lhe disse que era. Mas eu lhe disse assim: “éééé??” Foi um “É” tão duvidoso que a mulher me disse assim: “O teu “É” não me passa nenhuma segurança, vou comprar em outro lugar. E foi embora. Eu fiquei com tanta vergonha que a partir daquele dia eu sabia TUDO de fogão, geladeira, máquina de lavar, televisão...
Meu irmão procure ser o melhor onde o Senhor lhe colocou, mas para isso é necessário muito esforço e dedicação. Se você está estudando procure ser o melhor aluno, se está trabalhando seja um excelente funcionário. Se especialize, não fique para trás. Mas isso dá trabalho. É como preparar a terra para o plantio. Se você quer pregar a Palavra ou quem sabe ser um professor de EBD siga o conselho de Paulo a Timóteo:
“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” 2Tm 2.15
2ª – A segunda coisa que o salmista nos mostra nesse texto é que muitas vezes iremos chorar antes de sorrir (vs 5,6). Os que com lágrimas semeiam e quem sai andando e chorando enquanto semeiam. Para alcançarmos bons resultados é necessário esforço e dedicação. Muitas vezes iremos chorar, mas não desista. O triste é que muitas pessoas dizem que irão parar porque o diabo está furioso e a luta está muito grande. Responda-me duas coisas:
1º Desde quando o diabo ama alguém?
2º Desde quando sem luta se alcança a vitória?
Você acha que foi fácil Abraão deixar a sua terra e seguir peregrinando a terra da promessa? Pensa que foi fácil Josué conquistar a terra da promessa? Pensa que foi fácil retornar e reconstruir Jerusalém? Leia o livro de Esdras, Neemias, Ageu e Zacarias e você terá uma ideia da luta que enfrentaram. Por acaso foi fácil para Paulo evangelizar os gentios? Leia o livro de Atos e as suas epístolas e você verá que foi com lágrimas que esse trabalho foi realizado. Nas duas cartas aos Coríntios Paulo teve que defender o seu apostolado e na sua segunda carta no capítulo 12 ele fala do espinho na carne que ele tinha. Leia a segunda carta de Paulo a Timóteo e verá um homem preste a ser morto por Nero. As lutas que enfrentou e a sua preocupação com as igrejas.
As lágrimas fazem parte da vida. O problema que muitos líderes estão pregando um evangelho sem cruz, sem Calvário. Mas sem cruz e sem Calvário não pode haver Pentecoste. Lembre-se disso.
Eu quando trabalhei em uma casa de recuperação em viciados em drogas e álcool na cidade de Teófilo Otoni, MG, no início dos anos 80, os internos trabalhavam no preparo de uma grande horta. Só que a terra era muito seca e dura. Deu muito trabalho preparar aquela terra. Principalmente porque estávamos em uma época de grande seca na região. Mas depois de algumas semanas de trabalho a terra estava preparada para receber as sementes. E o milagre da vida aconteceu naquela terra antes devastada. Nasceu alface, tomate, cenoura, banana, aipim... Havia cerca de uns vinte homens internados ali e nós não dávamos conta de comer o que a terra produzia.
A parturiente antes de dar à luz sofre as dores de parto, mas depois vem a alegria.
“A mulher, quando está para dar à luz, tem tristeza, porque a sua hora é chegada; mas, depois de nascido o menino, já não se lembra da aflição, pelo prazer que tem de ter nascido ao mundo um homem” Jo 16.21
3ª – A terceira coisa que o salmista nos mostra nesse texto é que iremos sorrir trazendo os frutos do nosso trabalho (vs 5,6). O quebrantamento de coração e a constante semeadura em oração contrita trarão da parte de Deus as bênçãos da renovação, do avivamento e de grandes milagres. O cristão tem a certeza de que aquilo que hoje semeia será grandemente abençoado por Deus no futuro (Gl 6.7-9). Vamos, portanto, semear para Deus a fidelidade, a santidade e a intercessão, mesmo sofrendo, se for o caso, pois sabemos que teremos uma grande colheita de bênçãos divinas.
CONCLUSÃO
O Salmo 126 é uma grande realidade dos nossos dias. Temos dificuldades, provações e lutas, a vida não é fácil. A não ser para aquelas pessoas que não querem chegar a lugar algum, mas se você quer crescer e alcançar grandes voos aí a coisa é diferente.
Este salmo nos mostra o sonho passado, o duro presente e a alegria futura. Com Deus podemos acordar do pesadelo, lutar para alcançar os nossos sonhos e ver a alegria das Suas bênçãos se tornando realidade em nosso futuro.
Mas sem esforço, muita luta e dedicação nada pode acontecer. E, principalmente, se o Senhor não for glorificado nesse nosso projeto. Pois todo projeto antes de ser nosso deve ser dEle. Amem?
AS COISAS QUE CARREGAMOS
As coisas que carregamos
Esta semana uma confissão inusitada de uma garota que perdeu sua tartaruga quando criança. Nada de muito diferente, não fosse a tragicidade grega do desfecho. Certo dia, quando ela procurou a caixa de areia onde guardava sua tartaruguinha, encontrou no lugar dela uma pedra. A mãe, com toda a sabedoria inquestionável que as mães têm, explicou para ela que uma fada tinha transformado a tartaruga em pedra, isso para não dizer que havia largado a tartaruga por aí, porque soube que o bichinho podia transmitir doenças. A garota, conformada, guardou a pedra carinhosamente por anos. Conseguia até ver as pernas e braços da tartaruga numas marquinhas que a pedra tinha. E só com vinte e poucos anos é que ela, revoltada, jogou a pedra fora depois de entender que fora enganada. Como pôde guardar tanto tempo uma pedra no lugar de sua amada tartaruga sem se dar conta da própria ilusão?
Isso me fez lembrar outro episódio ocorrido aqui em casa com minha irmã mais velha. Quando ela e namorado comemoravam alguns meses juntos, ele trouxe de presente uma enorme caixa de papelão para empregar o velho truque de uma caixa dentro da outra. Encheu-a de caixinhas menores até que, lá no fundo, minha irmã encontrou uma boneca bem pequena. Ela adorou. Tanto que guardou, além da boneca, um grande tijolo que ele colocara na caixa para tornar a coisa toda mais verossímil. E eu sempre dava risada quando, entrando no quarto dela, via o dito tijolo colocado em lugar de honra numa estante, entre ursinhos e bonecas. Até que o tijolo sumiu por alguma razão desconhecida.
Como podem ser estranhas as coisas que carregamos! Esquisitas mesmo! Coisas que podemos trazer na intenção ilusória de substituir algo que perdemos no caminho, que ao menos lembrem, ao longe, aquilo que já não temos. Ou coisas totalmente dispensáveis que nos dispomos a levar na tentativa vã de aumentar o valor daquilo que já temos.
Aquilo que perdemos está perdido, e nada ocupará satisfatoriamente o seu vão, a menos que o que estava perdido volte a seu lugar. Deus sabia disso quando enviou Seu Filho para "buscar e salvar o que se havia perdido" (Lucas 19:10). Talvez fosse mais fácil criar outro mundo, com uma nova espécie mais obediente e menos egoísta que o homem, mas era o homem que Deus havia perdido, era o homem que Deus tinha que buscar. E veio. E continua vindo, porque sabe que perto dEle, também nós podemos encontrar aquilo que temos perdido. O próprio Jesus utilizou-se de várias parábolas para afirmar isso: "Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido." (Lucas 15:6); "Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu havia perdido." (Lucas 15:9); "porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado." (Lucas 15:24). Tais versículos não demonstram apenas que cada ser é objeto do amor particular do Pai, como também nos diz que o coração humano não achará alegria verdadeira sem antes reencontrar aquilo de que sente falta. Artifícios, os mais bem elaborados não vão substituir a sensação de completude pela qual a alma anseia. As pedras colhidas no caminho não aliviarão, antes pesarão, sobre o espírito onde habita um vazio do tamanho de Deus.
E o que dizer de nossa pouca habilidade para receber as dádivas divinas? Quantas vezes nosso Deus nos presenteia com exatamente aquilo que precisamos para ser feliz, mas nós achamos pouco. Encarregamo-nos, nós mesmos, de arranjar inúteis pedras que dêem a sensação de que nossa dádiva "pesa" mais. Tão poucas vezes nos contentamos com a plenitude que há nas coisas e pessoas que Deus põe em nosso caminho, e tratamos de elaborar rápida e avidamente um plano de obter mais, e mais, e mais, até que estejamos fartos daquilo que, julgamos, satisfará nosso desejo. Pena que a satisfação não é garantia de felicidade. E o que fazemos, normalmente, é tomar o presente divino e acumular pedras sobre ele - honrando muitas vezes mais as próprias pedras que o presente, cumulando-nos de coisas por vezes inúteis, quase sempre prejudiciais. Pois a medida de Deus completa, enquanto a nossa medida não sabe sopesar felicidade duradoura.
O único peso que somos chamados a carregar é nossa própria cruz (Lucas 9:23). Não precisamos carregar conosco pedras de nenhum valor, como a culpa, a solidão, a tristeza, a soberba, a mágoa, a desesperança ou qualquer outra forma de sublimação da nossa dor. "Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte." (Romanos 8:2). Não devemos enterrar as bênçãos de Deus sob as pedras do nosso egoísmo tão limitado e míope. Aprendamos com Cristo que nos convida a enfrentar nossos problemas e anseios com fé na cruz para a qual ele carregou todo motivo de sofrimento, para a qual Ele mesmo nos carrega ternamente enquanto diz: "...o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve." (Mateus 11:30).
Uma semana iluminada
COMO E A SUA VIDA?
Como é a Sua Vida?
"Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo
fará" (Salmos 37:5).
Algumas pessoas são como rodas--não trabalham a menos que
sejam empurradas. Algumas são como reboques--precisam ser
puxadas! Algumas pessoas são como as pipas--sempre no ar e
se não for mantida presa a uma linha, voam para longe!
Algumas outras são como canoas--precisam ser remadas.
Algumas são como bolas de futebol--não sabemos de que forma
elas voltarão em seguida! Existem pessoas que são como
balões de gás--vivem soprando para o alto e nunca se sabe
quando vão explodir! Há pessoas que são como um pneu
furado--precisam serlevantadas. E algumas pessoas são como
um bom relógio--ouro puro, face à mostra, sempre pontuais,
de confiança, ocupadas e sempre prontas a mostrar um bom
trabalho.
Será que nos encaixamos em alguma das definições acima?
Temos estado satisfeitos com o tipo de vida que levamos ou
gostaríamos de vivenciar algo melhor? Quando edificamos
nossa vida fora dos padrões e ensinos da Palavra de Deus,
estamos sempre sujeitos a uma dependência de terceiros, ou
para um empurrãozinho aqui, um abrir de portas ali, uma
ajeitadela acolá... E sabemos que isso não é confiável e que
nem sempre a solução vem.
Quando entregamos nossas vidas nas mãos do Senhor, que nos
ama, que pagou o preço de nossos erros, que tem prazer em
nos ajudar sem interesses, então poderemos confiar e
descansar, pois, aquilo que for melhor para nós há de
acontecer.
Como é a sua vida?
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
A IGREJA QUE NÃO EXISTE MAIS
A igreja que não existe mais!
“Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” At 2. 43-47
Na época do surgimento da Igreja do Novo Testamento, a palavra igreja significava, apenas, uma reunião qualquer de um grupo organizado ou não. Assim, o texto nos revela que havia um grupo organizado em torno de sua fé (Todos os que criam estavam unidos) – todos acreditavam em Cristo.
Segundo o texto, os participantes do grupo do Cristo não tinham propriedade pessoal, tudo era de todos (tinham tudo em comum)– os membros desse grupo vendiam suas propriedades e bens e repartiam por todos – e isso era administrado a partir da necessidade de cada um; e se reuniam todos os dias no templo; e pensavam todos do mesmo jeito, primando pelo mesmo padrão de vida (unânimes); e comiam juntos todos os dias, repartidos em casas, que, agora, eram de todos, uma vez que não havia mais propriedade particular; e eram alegres e de coração simples; e viviam a louvar a Deus; e todo o povo gostava deles, e o grupo crescia diariamente. Diariamente, portanto, havia gente acreditando em Cristo, se unindo ao grupo, abrindo mão de suas propriedades e bens e colocando tudo a disposição de todos.
Essa Igreja era a Comunhão dos santos – chamados e trazidos para fora do império das trevas, para servirem ao Criador, no Reino da Luz.
Essa Igreja não precisava orar por necessidades materiais e sociais, bastava contar para os irmãos, que a comunidade resolvia a necessidade deles.
Deus havia respondido, a priori, todas as orações por necessidades materiais e sociais, fazendo surgir uma comunidade solidária.
O pedido: “O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje. (MT 6.9)” estava respondido, e diariamente.
Então, para haver o “pão nosso” não pode haver o pão, o bem ou a propriedade minha, todos os bens e propriedades têm de ser de todos.
Mais tarde, eles elegeram um grupo de pessoas, chamadas de diáconos – garçons, para cuidar disso (At 6.3). Então, diante de qualquer necessidade, bastava procurar os garçons, que a comunidade cuidava de tudo. Era o princípio do direito: se alguém tinha uma necessidade, a comunidade tinha um dever.
Essa Igreja não existe mais!
02
“Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem sobre ele, ungido-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” Tg 5.14,15
Os membros da comunidade do Cristo não precisavam orar por cura física, bastava procurar os presbíteros: lideres eleitos pelo povo, a partir de suas qualidades como cristãos (1Tm 3.1-7); que eles ungiriam com óleo, que representa a ação do Espírito Santo, porque é o Espírito Santo, quem unge e cura (Lc 4.18), e a pessoa seria curada; claro, sempre segundo a vontade do Senhor, porque essa é a regra de ouro: “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na Terra como no Céu. (MT 6.10)”
Os crentes em Jesus de Nazaré, não precisavam fazer varredura espiritual para ver se tinham qualquer problema, parecido com o que hoje é chamado de maldição hereditária, ou similar. A oração dos presbíteros ministrava o perdão de Deus, conquistado por Cristo na cruz e na ressurreição.
Deus havia respondido todas as orações por cura física pela instituição de presbíteros, que tinham a autoridade para ministrar o poder de Cristo sobre a enfermidade, segundo a vontade de Deus, dependendo, portanto, apenas, do que o Altíssimo tivesse decidido sobre a pessoa em questão.
Essa Igreja não existe mais!
03
Pelo que orava a Igreja do Novo Testamento?
“Mas eles ainda os ameaçaram mais, e, não achando motivo para os castigar, soltaram-nos, por causa do povo; porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera; pois tinha mais de quarenta anos o homem em quem se operara esta cura milagrosa. E soltos eles, foram para os seus, e contaram tudo o que lhes haviam dito os principais sacerdotes e os anciãos. Ao ouvirem isto, levantaram unanimemente a voz a Deus e disseram: Senhor, tu que fizeste o céu, a terra, o mar, e tudo o que neles há; que pelo Espírito Santo, por boca de nosso pai Davi, teu servo, disseste: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma, contra o Senhor e contra o seu Ungido.
Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaram que se fizesse. Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para curar e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Servo Jesus. E, tendo eles orado, tremeu o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus.” At 4.21-31
Oravam para que nenhum sofrimento os impedisse de glorificar a Cristo, de anunciá-lo com coragem e determinação – o Cristo que eles viviam diariamente pela fraternidade solidária. Oravam por missão!
Para além da Igreja que está sob perseguição, não há sinal de que essa Igreja ainda exista!
04
O que existe?
– A Comunhão dos santos existe na realidade da Igreja invisível. Mas, que relevância tem na história uma igreja invisível?
– Ajuntamentos cúlticos – há os que procuram se pautar pela Bíblia, e os que nem tanto.
– Instituições – (muitas e cada vez mais) há as que ainda tentam ser apenas um odre para o vinho, e as que nem tanto.
– Discursos sobre Cristo e sua obra – há os que falam sobre Jesus, segundo a Bíblia, e os que nem tanto.
– Conversões pessoais – há as que trazem marcas do Novo Testamento, e as que nem tanto.
– Missionários – há os que pregam a Cristo, sua morte e ressurreição, e os que nem tanto. O apoio ao missionário está mais para esmola do que para sustento.
– Ação social – há as que querem emancipar o pobre, por amor a Cristo, e as que nem tanto.
– Pastores e Lideres – há os que tentam alcançar o padrão dos presbíteros do Novo Testamento, e os que tanto menos.
– Títulos – em profusão, constratando com a escassez de irmãos.
– Orações – principalmente, por necessidades materiais, sociais e de cura, que parecem não ser respondidas, pelo menos, não a contento.
– Milagres – (mas pessoais) a misericórdia divina continua se manifestando, porém, não se entende mais o princípio de sua ação.
– Ministérios – há os que são ministros (servos), e os que nem tanto.
– Riqueza – Instituições estão cada vez mais ricas, e há os que usufruem da mesma.
– Ricos e Poderosos – muitos e cada vez mais se declaram conversos, mas não se converteram como Zaqueu.
– Irmãos e irmãs que amam a Cristo e a Igreja, mas que estão cada vez mais confusos sobre o que estão assistindo – e há, cada vez mais, um amor em crise.
E ecoa a voz do Cristo: Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? (Lc 18.8)
Talvez, ainda haja tempo de pedir perdão!
terça-feira, 9 de setembro de 2014
O VELHO CARPINTEIRO
Um velho carpinteiro estava para aposentar-se. Ele contou a seu chefe os seus planos de largar o serviço de carpintaria e de construção de casas e viver uma vida mais calma com sua família. Claro que ele sentiria falta do pagamento mensal, mas ele necessitava da aposentadoria. O dono da empresa sentiu em saber que perderia um de seus melhores funcionários e pediu a ele que construísse uma última casa como um favor especial. O carpinteiro consentiu, mas com o tempo ficou fácil perceber que seus pensamentos e seu coração não estavam no trabalho. Ele não se empenhou no serviço e se utilizou de mão-de-obra e matérias-primas de qualidade inferior.
Foi uma maneira lamentável de encerrar sua carreira. Quando o carpinteiro terminou o trabalho, o construtor veio inspecionar a casa e entregou a chave da porta ao carpinteiro. “Esta é a sua casa, meu presente para você.” Foi um choque, uma vergonha. Se ele soubesse que estava construindo sua própria casa, teria feito completamente diferente. Não teria sido tão relaxado. Agora ele teria de morar numa casa feita de qualquer maneira.
Assim acontece conosco. Construímos nossas vidas de maneira distraída, reagindo mais que agindo, desejando colocar menos do que o melhor. Nos assuntos importantes não empenhamos nosso melhor esforço. Então, em choque, nós olhamos para a situação que criamos e vemos que estamos morando na casa que construímos. Se soubéssemos disso, teríamos feito diferente.
Pense em você como o carpinteiro. Pense sobre sua casa. Cada dia você martela um prego novo, coloca uma armação ou levanta uma parede.
Construa sabiamente. É a única vida que você construirá. Mesmo que você tenha somente mais um dia de vida, este dia merece ser vivido graciosamente e com dignidade.
Na placa da parede está escrito: “A vida é um projeto de você mesmo”.
Quem poderia dizer isso mais claramente? Sua vida de hoje é o resultado de suas atitudes e escolhas feitas no passado. Sua vida de amanhã será o resultado de suas atitudes e escolhas que fizer hoje.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
O AMOR SENTIMENTAL E MENOS IMPORTANTE
O AMOR SENTIMENTAL É MENOS IMPORTANTE
Amor é mais serviço do que sentimento.
O amor cristão não é vítima de nossas emoções, mas servo de nossa vontade.
Poucos dias atrás encontrei um antigo amigo na rua, paramos cinco minutos para colocar o assunto em dia, quando soube que um amigo comum estava debilitado numa cama por consequência da AIDS. Usuário de muitas drogas e viciado em prostituição. Quando soube que essa pessoa estava esquelética numa cama sendo ajudado pela mãe me emocionei e disse que queria visitá-lo e levar o Evangelho para ela. Fiquei realmente triste com a situação, mas na mesma rapidez que conversei com o amigo na rua, logo esqueci. As semanas se passaram e não fui visitá-lo. De que valeu minha emoção? Não fiz nada por ele! Daí nasce outra emoção em mim: indignação comigo mesmo, por ser tão fraco. Se Deus permitir o visito em poucos dias. Se ele ainda não morreu ou perdeu a consciência!
Racionalizar para mim mesmo e dizer que estou ocupado demais para amar o próximo é um pensamento anti-cristão. Me emocionei quando soube da sua situação, mas nem orei por ele no mesmo dia. O amor pleno é prático, não da boca para fora ou de olhos cheio d'água. O sentimento em si não é algo ruim, é bom. Mas o amor não pode se limitar as emoções. O amor é muito mais ação do que emoção. O amor de Cristo nos incomoda e sua providência nos coloca em várias situações para colocarmos o amor em prática, e muitas vezes falhamos nessas provas.
Para terminar, lembro de algo marcante numa dessa lições da providência divina. Estava com meu filho pequeno andando de mãos dadas numa calçada próximo a um shopping, quando encontramos um mendigo sentado na calçada com uma perna expondo um ferimento. Como estava muito perto a minha reação foi afastar meu filho da passagem interrompida pelo homem, foi quando este homem levantou o braço e me mostrou um brinquedo feito de madeira e falou umas palavras. Não entendi o que ele disse e fui passando, quando ele repetiu e entendi: "pegue o brinquedo, é presente para o garoto." Constrangido peguei o presente, agradeci, meu filho agradeceu e fomos para o shopping. Fiquei mal por uns dias pensando naquela cena e nunca mais voltei para fazer algo por este homem. A providência nos coloca em cada uma. E o que mais me incomoda é que joguei o brinquedo de madeira no lixo do shopping por causa dos ferimentos da perna daquele homem. Meu Deus, como somos fracos! Eu ainda pedi a Deus que o abençoasse, mas não dei nenhuma moeda. Que amor é esse? Inútil.
Essa breve reflexão serve de alerta para que eu fique mais atento e que de algum modo ajude outras pessoas que passam pela mesma experiência ao ler esta reflexão. Precisamos amar de fato e não apenas de palavras. Que Deus nos ajude!
Pare para pensar quantas vezes clicamos numa imagem na Internet de crianças famintas ou feridas e sentimos um aperto no coração, mas em poucos segundos já não lembramos mais daquilo. Que amor é esse? Compaixão visual, virtual e mero sentimento vazio, sem obras. Uma coisa é certa, tem muita gente que precisa de nós e podemos fazer algo. Podemos fazer muito com pouco!
Precisamos de uma outra reforma ou de uma renovação evangélica?
Em um tempo em que ser evangélico tornou-se moda; onde ser protestante é não opor-se a quase nada e é ser igual a todo mundo; em que pregar o evangelho é difundir uma mensagem de tolerância ao pecado; onde o cultuar as modernas serpentes de metal é inocular a venenosa idolatria e contaminar a cada dia o moribundo perfil da igreja evangélica brasileira; em que instituições cambaleantes em seu egoísmo eclesiástico escandalizam a fé cristã e prendem a descrença os de fora por conta de roubos, crimes e fraudes. O que nos resta?
Estamos em uma democracia onde líderes religiosos outrora destacados se transformaram em imperadores de uma Roma eclesiástica em que ocorrem assassinatos ministeriais, armações de uma suja política eclesiástica, subornos vexatórios, perseguições por medo de não manter-se no poder e muitas ações judiciais. Previsões de cientistas políticos esperam que os evangélicos do Brasil sejam usados como massa de manobra e como palanque social para discursos conservadores apenas com intenções eleitoreiras. Frente a este triste panorama da igreja brasileira vem a pergunta: Estamos precisando também de uma reforma no protestantismo?
A resposta é muito mais ampla e complexa do que eu gostaria que fosse. Pois se concordarmos que sim seu detalhamento exigirá a derrubada de regimes e estruturas políticas e comerciais dentro da própria igreja cristã brasileira; precisará aniquilar o poder camaleônico das mentiras que enfraqueceram o valor teológico e bíblico da verdade; sistemas arcaicos de gestão terão que ser implodidos, coronéis e latifúndios eclesiológicos devem ser expulsos e invadidos pelo bom senso cristão. As fortalezas da impiedade com suas vestimentas de piedade há muito tempo imperam neste cristianismo. Mas, tal resposta precisa de um milagre de Deus para se expressar e se consolidar de fato na vida deste vacilante perfil evangélico do século XXI.
Nossa cultura cristã ocidentalizada desenvolveu um comportamento cômodo que repele protestos, que satisfaz o mundo gospel e que absorve o mundano para a igreja sem nenhum problema. Para a grande maioria está muito bom do modo que nos encontramos, e desviado está aquele que pensa o contrário. Crentes que são vítimas da própria letargia e falta de atitude de se posicionar por meio da Palavra de Deus. A falta de oração e de reflexão bíblica desenvolveu crentes que ouvem todas as vozes menos a de Deus. Essa insensibilidade espiritual não permite sentir que já passamos da hora de uma transformação para este cristianismo reformado e nada mudado!
O grande problema para a chegada de um avivamento para a igreja evangélica brasileira – e só isso pode reformar no melhor sentido da palavra – são as denominações de protestantes, crentes e evangélicos. Desculpem-me os irmãos, mas nenhuma denominação escapa dessa verdade – estão se omitindo da responsabilidade e ignorando a realidade escancarada da existência de uma pomposa igreja de Laodicéia com filiais e adeptos instalados em todos os nossos templos e reuniões. Falta-nos zelo pelas coisas de Deus, falta-nos prioridade para o Seu reino, falta-nos foco para o centro de sua vontade e isso cega e mata espiritualmente.
Combatamos a escarnecedora e licenciosa Laodicíea que extermina os bons costumes de crente salvo, que despreza a palavra e ojeriza santidade, que profana o sagrado, que constrói bases políticas entre pastores, que endeusa pregadores, que consagra a idolatria gospel, que glorifica cantores afortunados, que mercantiliza a fé, que converte o culto em modismos e as pregações em cismas de heresia. A reforma precisa começar com você, na sua família, na vizinhança, na igreja e em todos os seus relacionamentos. Seu protesto é contra um sistema de mentiras orquestrado pelo príncipe das trevas que muita das vezes tem seus ideais maléficos exemplificados dentro de nossas igrejas protestantes e evangélicas. Quero ver quem tem coragem para protestar!
C
sábado, 6 de setembro de 2014
A LOUCURA DO EVANGELHO OU DE ALGUNS "EVANGELICO".
O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios que a palavra da cruz é loucura para a mente carnal e natural, para aqueles que estão perecendo (1Co 1:18, 21, 23; 2.14; 3.19). Ele mesmo foi chamado de louco por Festo quando lhe anunciava esta palavra (Atos 26.24). Pouco antes, ao passar por Atenas, havia sido motivo de escárnio dos filósofos epicureus e estóicos por lhes anunciar a cruz e a ressurreição (Atos 17:18-32). O Evangelho sempre parecerá loucura para o homem não regenerado. Todavia, não há de que nos envergonharmos se formos considerados loucos por anunciar a cruz e a ressurreição. Como Pedro escreveu, se formos sofrer, que seja por sermos cristãos e não como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outros (1Pedro 4.15-16).
Nesta mesma linha, na carta que escreveu aos coríntios, o apóstolo Paulo, a certa altura, pede que eles evitem parecer loucos: "Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar, e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão, porventura, que estais loucos?" (1Co 14:23). Ou seja, o apóstolo não queria que os cristãos dessem ao mundo motivos para que nos chamem de loucos a não ser a pregação da cruz.
Infelizmente os evangélicos - ou uma parte deles - não deu ouvidos às palavras de Paulo, de que é válido tentarmos não parecer loucos. Existe no meio evangélico tanta insensatez, falta de sabedoria, superstição, coisas ridículas, que acabamos dando aos inimigos de Cristo um pau para nos baterem. Somos ridicularizados, desprezados, nos tornamos motivo de escárnio, não por que pregamos a Cristo, e este, crucificado, mas pelas sandices, tolices, bobagens, todas feitas em nome de Jesus Cristo.
O que vocês acham que o mundo pensa de uma visão onde galinhas falam em línguas e um galo interpreta falando em nome de Deus, trazendo uma revelação profética a um pastor? Podemos dizer que o ridículo que isto provoca é resultado da pregação da cruz? Ou ainda, o pastor pião, que depois de falar línguas e profetizar rodopia como resultado da unção de Deus? (foto) Ou ainda, a "unção do leão" supostamente recebida da parte de Deus durante show gospel, que faz a pessoa andar de quatro como um animal no palco?
Eu sei que vão argumentar que Deus falou através da burra de Balaão, e que pode falar através de galináceos ungidos. Mas, a diferença é que a burra falou mesmo. Ninguém teve uma visão em que ela falava. E deve ter falado na língua de Balaão, e não em línguas estranhas. Naquela época faltavam profetas - Deus só tinha uma burra para repreender o mercenário Balaão. Eu não teria problemas se um galinheiro inteiro falasse português na falta de homens e mulheres de Deus nesta nação. Mas não me parece que este é o caso.
Sei que Deus mandou profetas andarem nus e profetizarem e fazerem coisas estranhas como esconder cintos de couro para apodrecerem. E ainda mandou outros comerem mel silvestre e gafanhotos e se vestirem de peles de animais. Tudo isto fazia sentido naquela época, onde a revelação escrita, a Bíblia, não estava pronta, e onde estes profetas eram os instrumentos de Deus para sua revelação especial e infalível. Não vejo qualquer semelhança entre o pastor pião, a pastora leoa e o profeta Isaías, que andou nu e descalço por três anos como símbolo do que Deus haveria de fazer ao Egito e à Etiópia (Is 20:2-4).
Eu sei que o mundo sempre vai zombar dos crentes, mas que esta zombaria, como queria Paulo, seja o resultado da pregação da cruz, da proclamação das verdades do Evangelho, e não o fruto de nossa própria insensatez.
Eu não me envergonho da loucura do Evangelho, mas das loucuras de alguns que se chamam de evangélicos.
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