Total de visualizações de página
sábado, 20 de setembro de 2014
O VALOR DE UMA LAGRIMA
“Há um sorriso banhando de lágrimas no rosto de quem confia em Deus mesmo mergulhado em circunstâncias difíceis.”
Pois bem. A vida é assim. As vezes nos faz chorar. Seja choro de alegria ou tristeza. Seja choro com a chegada de um bebê ou a partida de um ente querido. Seja de amor ou dor. Seja de saudade ou pesar. Seja com a demonstração de carinho de um amigo ou uma traição. Seja por uma surpresa ou uma decepção. Choramos na vitória e também na derrota. Choramos com um filme de amor, choramos com uma cena de terror. Choramos com uma palavra de incentivo e também com uma palavra ríspida de ofensa. Choramos por gratidão e choramos por ingratidão.
Dizem que chorar é bom, lava a alma. De fato, após o choro, temos uma sensação de leveza. Você também se sente assim? Parece que junto com as lágrimas tiramos aquele nó que aperta nossa garganta e sufoca o nosso coração. Eu, particularmente, me sinto renovada após derramar algumas lágrimas. E confesso que esse renovo vem, principalmente, quando eu choro diante de Deus em oração.
“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” Mateus 5:4
Eu não costumava me sentir muito bem depois de chorar, a menos que o choro fosse de alegria. Na verdade, não me sentia à vontade para chorar. Creio que eu não era a única a agir assim. A sensação que eu tinha é que o choro era a manifestação de um coração murmurador, insatisfeito e fraco. Com essa mentalidade eu passei a segurar o choro quantas vezes fosse necessário, só chorava se fosse pela emoção de uma alegria ou quando realmente fosse inevitável segurar.
Por mais difícil que fosse a situação que eu enfrentava, pensava que chorar decepcionaria o coração de Deus. Eu pensava que o choro era um sinal de desespero e assim eu estaria demonstrando que não confiava nos planos e no agir de Deus mesmo diante das adversidades. Contudo, tenho aprendido que o choro não é sinal de fraqueza, nem de murmuração, muito menos desespero. O choro é simplesmente uma manifestação daquilo que se passa em nosso coração e para o nosso DEUS que se preocupa conosco, cada lágrima é especial e muito valiosa.
Outra coisa que muitas vezes ignoramos em relação ao choro, mas que deveria ser gravado em nossa mente e coração, é que o choro é pedagógico: Aprendemos mais nos momentos de dor do que nos eventos festivos. Aprendemos mais com as labutas que com as férias. Aprendemos mais com as derrotas do que com as vitórias.
Por quê choramos? baby-crying
As lágrimas, de um modo geral, são uma expressão forte de nossos sentimentos, daquilo que é forte demais para guardamos por muito tempo dentro de nós. É um mecanismo natural do nosso corpo em relação aos nossos sentimentos e emoções. E, uma coisa eu posso dizer que eu e você, querido leitor, temos em comum. Sabe o que é?: CHORAMOS! Sim, o choro é universal, ele é experimentado por ricos e pobres, sábios e indoutos, crianças e adultos, crentes e incrédulos. Não há como negar, já choramos e provavelmente ainda choraremos muito nesta vida, inclusive vale a pena lembrar: nascemos chorando!
Todos nós, num dado momento da vida, teremos vontade de chorar. Não há quem escape disso. O fato de termos esperança e confiança em Deus não significa que deixaremos de sentir dor ou vontade de chorar. A vida não é indolor. A vida se desenrola em um terreno de lutas. Nossa caminhada neste mundo é marcada por dissabores, decepções, desertos, vales, aflições, fraquezas, angústias, sofrimento, injustiças sociais, catástrofes naturais, inseguranças, enfermidades físicas e luto.
Estou sendo pessimista ou realista? Jesus nos alertou que a caminhada não séria fácil , não obstante ELE nos incentiva dizendo que ELE mesmo venceu o mundo e através de Sua força somos capazes de enfrentar qualquer situação. Assim, não caminhamos rumo a um destino triste. Pelo contrário, o fim da jornada promete ser um lugar de delícias e alegria perpetuamente. (conforme o salmo 16.11)
Chorar não significa ser triste ou entregar-se à tristeza.
Aprendi que o que desagrada ao coração de DEUS não é o chorar, como eu pensava, mas sim nos entregarmos à dor da situação. E, muitas vezes, nos entregamos à infelicidade por causas sem importância. Deus se desagrada disso, pois quando nos entregamos à tristeza, pecamos contra um imperativo de Deus que diz: “Alegrai-vos no Senhor.” E creio que quando ELE diz isso, ELE sabia que teríamos MUITAS razões para chorar, mas ELE queria nos dar ainda mais razões para sorrir.
Posto isto, a nossa alegria não deve ser circunstancial, pois se for assim, estaremos fadados à depressão, à tristeza, à angústia, à opressão e ao desespero. A alegria é fruto de nosso íntimo relacionamento com Deus e deve estar presente mesmo em momentos de que derramamos lágrimas. Isso é um exercício diário e indispensável para quem conhece o Poder de Deus.
Dessa forma, é possível ser alegre mesmo com o rosto banhado de lágrimas (sei que não é fácil crer nisso, mas é verdade!). O que nos faz feliz em qualquer situação é a certeza que DEUS é poderoso e pode reverter as situações desfavoráveis em bênçãos. Deus é especialista em transformar fracassos em triunfos e ELE faz com que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que O amam.
Derramar-me aos pés de JESUS, com lágrimas, tem sido uma experiência pessoal, maravilhosa e renovadora. Alguns momentos de lágrimas aos pés do Mestre me fazem forte diante das mais diversas situações da vida. É como se após estes momentos preciosos, eu me sentisse até mais leve e preparada para enfrentar situações difíceis e complicadas.
Se preparar para a adversidade, mesmo que chorando aos pés de Jesus, é se alimentar do fruto da alegria para sorrir depois do choro, crendo contra as circunstâncias, apegando-se a Esperança! Não é fácil, mas é possível! Algumas pessoas, diante das circunstâncias da vida, assim como eu fazia, reprimem, propositalmente, o choro. Contudo, isso não é saudável. As lágrimas são importantes, principalmente para nos ajudar a manter a sensibilidade – e a sanidade – em um mundo cada vez mais frio e calculista.
choro-triste
Chorar é uma atitude nobre.
Já ouvi falar que a maioria dos homens tem dificuldade de chorar. Penso que a maioria chora escondido por ter vergonha de expressar seus sentimentos. Ainda bem que para todas as regras existem exceções. Já vi meu pai chorando algumas vezes, meus irmãos, amigos… e já li em muitos textos do Wallace que ele também já passou por momentos de muitas lágrimas. (#te_entreguei_wallysou!)
Mas sabe, eu, particularmente, penso que não existe algo mais nobre que um derramar de lágrimas. O choro, para mim, é um sinal visível de sensibilidade, arrependimento, quebrantamento, emoção e humildade. Não será que é assim que Deus também vê o choro? Chorar é uma atitude MUITO PRECIOSA para Deus, pois ELE é o ÚNICO que pode enxergar a razão de nossas lágrimas, e mais que isso: ELE é o único que pode enxugá-las completamente.
Manter a sensibilidade através do choro também é uma forma de ver o mundo com os olhos do coração:
“Olharei o mundo através das lágrimas. Talvez eu veja coisas que eu não veria com os olhos secos.” (Nicholas Wolterstorff).
Podemos estar em uma situação de “labaredas“, sem a menor visibilidade, sem saída nenhuma, mas, para DEUS, nossas lágrimas sempre serão preciosas. E embora nós mesmos, muitas vezes, seguremos o choro por pensar que é um sinal de fraqueza, podemos ter uma certeza: que são nas nossas fraquezas que DEUS se faz forte em nós; são nessas horas que o PODER DELE é aperfeiçoado em nossa vida (conforme 2 Co 12:9).
Lembre-se: Jesus também chorou.
É fantástico ver que a Bíblia tem respaldo para todas as ocasiões de nossa vida. Deus nunca nos deixa no vácuo ou sem alguma resposta. Em relação ao choro, Deus também nos ensina grandes lições e, toda vez que me recorro a Bíblia para conhecer um pouco mais sobre o que Deus tem a nos dizer sobre isso, sinto-me confortável e confesso, até com mais vontade de chorar (risos). Em todas as Suas Palavras, ELE nos mostra: O VALOR DE UMA LÁGRIMA.
O seu choro não é em vão
keep-walking
Exatamente! Para DEUS as nossas lágrimas são preciosas, são valiosas, são especiais e até mesmo – pasme você – essenciais. Uma das passagens mais lindas da Bíblia que confirma isso, encontra-se em Lucas, no capitulo 7, versículos 37 a 50, que nos conta uma história de uma mulher pecadora e mal vista por toda a sociedade, que se prostra aos pés de JESUS sem medos e sem receios, quebrando costumes e tradições, quebrando o orgulho e qualquer expectativa e grandeza.
Não obstante, o tema desse texto surgiu esses dias, quando em meu quarto, orando, eu comecei a chorar diante de Deus. Não era um choro de tristeza, mas de dependência. Foi quando Deus trouxe a minha memória essa passagem da Bíblia. Embora eu já conhecia bem essa história, resolvi ler de novo este capitulo, e me dediquei minuciosamente a prestar atenção nos detalhes.
A meu ver, aquela mulher, que chorava aos pés de Jesus, não chorava de remorso, nem de ansiedade, nem de medo, pesar, angústia ou tristeza. Suas lágrimas eram de humildade, de quebrantamento e é esse o CHORO que toca o coração de DEUS. Portanto amados, podemos perceber que existem diferentes tipos de choro, e Deus, se agrada desse tipo de choro, que vem de um coração quebrantado e contrito, como o do Salmista DAVI, Ele promete não desprezar.
Essa mulher, que nem sequer tem o seu nome citado, CHOROU aos pés de JESUS porque foi surpreendida por SEU AMOR, constrangida por Sua Graça e alcançada por Suas misericórdias. Ela não se conteve em Sua doce presença.
Acredito que essa mulher já deve ter chorado muitas vezes ao longo de sua vida, por vários outros motivos. Por outro lado, as suas lágrimas em todas as ocasiões deviam ser carregadas da dor do seu passado, de seus pecados, das humilhações que já sofrera pela vida que levava. Mas agora, aos pés de JESUS, suas lágrimas tinham um peso diferente. Suas lágrimas estavam expressando seu AMOR por JESUS, era simplesmente uma resposta de gratidão ao amor incondicional de Jesus por ela.
Meu querido(a), não sei por qual situação você está passando. Não sei se nos últimos dias o seu choro tem sido de alegria ou de tristeza. Alias, não sei nem se você tem mesmo chorado. Mas, tenho algo a lhe dizer hoje:
CHORE AOS PÉS DE JESUS!mulher-pecadora
Querido, não tenho receio de chorar! Mas, ao chorar, saiba, existe um lugar seguro para derramar as suas lágrimas e este lugar é aos pés de JESUS.
Chore porque está com vontade de chorar. Não reprima um ato tão nobre diante de Deus. Deus conhece o mais profundo do Seu coração e ELE sabe como você se sente.
Chore aos pés de JESUS quantas vezes você sentir que é necessário, eu tenho feito isso e tenho colhido doces frutos de consolação que tem vindo diretamente do trono do Pai.
Enquanto choramos podemos nos alegrar nas promessas de que virá o dia em que: “DEUS enxugará dos olhos toda lágrima ,não haverá mais luto, nem pranto” (conforme Ap7:17 , 21:14). E mais, podemos chorar uma noite inteira, na certeza que a ALEGRIA VEM PELA MANHÃ (como diz o Salmos 30:5).
Querido (a), sinta DEUS recolhendo as suas lágrimas nesse momento!
Não importa o motivo ou a dor que te faz chorar. Mas, que ao chorarmos seja aos pés de JESUS, na certeza de que ELE receberá isso como um gesto de AMOR, HUMILDADE, DEPENDENCIA E ATÉ CONFIANÇA.
Não existe sensação mais aliviadora que a de se derramar aos pés daquELE que pode todas as coisas, que é soberano sobre tudo e sobre todos, que te conhece como ninguém, e principalmente, que entende a sua dor.
Chorar aos pés de JESUS nos faz confiantes para chorar e CONTINUAR CAMINHANDO, para CHORAR E PROSSEGUIR SORRINDO!
be-happy
CHORE e CONTINUE CAMINHANDO. Siga em frente mesmo chorando… porque é assim que funciona quando choramos aos pés do MESTRE. ELE converte nossas lágrimas em porções dobradas de ALEGRIA!
Deus é lindo! Perfeito Consolador!
“ Os que com lágrimas semeiam com júbilo colherão.” Salmos 126:5
Chore, mas não viva chorando, se lamentando, ok?!
Não entregue os pontos. Não desista da luta. Descruzem os braços. Cuide para não viver de murmuração, pois, por maior que seja a situação que te faz chorar que as suas lágrimas também venham carregadas de gratidão.
AGRADEÇER A DEUS, mesmo durante o choro é um dos maiores sinais de confiança de nossa parte para com DEUS. E, como diz a Palavra de Deus, em Hebreus 11.6: “sem fé é impossível agradar a DEUS!”
Saiba que enquanto você chora, mesmo que sozinho em um quarto escuro, pensando que ninguém te vê, DEUS te assiste e sussurra suavemente ao seu ouvido:
“ Filho amado, não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” (conforme Isaias 41:8)
Para meditar:
“Quando o Senhor mudou a sorte de Sião, nós ficamos como quem sonha. A nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua de júbilo… Com efeito, grandes cousas fez o Senhor por nós; por isso estamos alegres.” (Sl 126:1-3)
Ta difícil?
smiles
Lembre-se das promessas, esforce um sorriso e continue crendo. Corra mais uma milha. Se não der conta, caminhe. Negue a si mesmo. Dê a outra face. Ame os seus inimigos. Invista no amor ao próximo. Dependa somente de Deus. Confie em Suas providências. Conte com o amigo Espírito santo. Acredite no sobrenatural. Esqueça as suas vontades e busque a vontade de Deus. Continue a jornada mesmo com lágrima nos olhos, mas não desanime.
O choro agregará valor a nossa caminhada de fé. Chorar não significa que duvidamos da nossa vitória, mas que o momento de dor é algo temporal e é essa certeza que nos faz contrariar com fé os nossos problemas.
Ainda que às vezes eu ainda venha a chorar, continuarei sorrindo, pois a minha alegria é saber que DEUS não muda e converte o nosso pranto em riso! O que me sustenta é a constância que encontro em Deus, assim, mesmo quando tenho meus dias maus permaneço alegre.
Se você, ao ler este texto foi abençoado(a), conte-nos a sua experiência. Isso nos motiva a querer compartilhar cada vez mais com vocês um pouco do nosso testemunho. Se você ainda não tem uma experiência para contar, seja de chorar aos pés de Jesus ou senti-Lo enxugando as suas lágrimas, espero que depois dessa leitura você tenha essa experiência em sua vida.
Deixe-nos também o seu voto é só clicar na estrelinha, no coração, no +1, em “curtir”, compartilhar, seguir-nos no twitter ou participar da nossa página no facebook. Fiquem com Deus.
Escrevo naquELE que pode transformar o seu pranto em ALEGRIA, assim como faz comigo sempre!
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
URGENTE
Texto base: “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. – 1 Pedro 2.9 (NVI)
Uma das grandes conquistas da Reforma Protestante foi o retorno ao sacerdócio de “Todos os crentes”. Antes o sacerdócio era local, centralizado na pessoa do papa. Somente ele detinha a interpretação das Escrituras e podia anunciar, com autoridade outorgada, as “grandezas do Evangelho de Cristo”. Com a reforma, a igreja (não a católica romano que não se deixou reformar), se voltou ao princípio das Escrituras, ensinado por Pedro: o sacerdócio universal, ou seja, qualquer crente em Jesus, regenerado, pode, então, proclamar as boas-novas, tendo acesso direto as Escrituras, interpretando-as pela iluminação do Espírito Santo o seu significado, aplicando assim, ela [Bíblia] a sua própria vida.
Deus sempre conduziu o seu povo através da sua Palavra. Homens deram a vida para que o “conselho de Deus fosse”anunciado. Nossa responsabilidade é grande diante desta vocação: “... povo exclusivo de Deus, para ANUNCIAR AS GRANDEZAS daquele que os chamou das trevas para sua maravilhosa luz”. Tudo se torna periférico diante desta incumbência. Nossa alma grita ainda que sem voz: “... ai de mim se não anunciar o evangelho” (1 Co 9.16).
Deus é mais forte do que nós. Sua mensagem é fogo consumidor que mexe com toda nossa estrutura física. Todo profeta autêntico não conseguirá resistir a Deus e prevalecer, pois o Espírito Santo intranquiliza o espírito do homem. Quando menos se espera, eis que vem a mensagem do Senhor: “Mas, quando penso: ‘Vou esquecer o Senhor e não falarei mais em seu nome’, então a tua mensagem fica presa dentro de mim e queima como fogo no meu coração. Estou cansado de guardá-la e não posso mais aguentar” (Jr 9.9 NTLH).
Quando Deus fala, o profeta quebra o silêncio. Repare as pessoas mais tímidas e introvertidas. As que não são dadas ao público. Muitas temem diante de um auditório; mas quando lhe vem a Palavra de Deus, na autoridade do Espírito do Santo, toda boca se cala e todo ouvido se abre: “Quando o leão ruge, quem não fica com medo? Quando o Senhor Deus fala, quem não anuncia a sua mensagem” (Am 3.8 NTLH).
Nós temos uma mensagem! Não importa onde você mora; sua condição social; o seu salário - você tem uma mensagem. Entenda! A mensagem do evangelho não é entregue somente à homens letrados e intelectuais. Ainda que se tenham tais virtudes, a mensagem não é entregue por persuasão humana, mas sim pelo poder de Deus. Este poder nos impulsiona e nos faz temer diante da urgência. Pedro não era culto e letrado, mas ele conhecia a Jesus: “... pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4.20). O mais importante ele tinha! Conhecia Cristo face a face, e mesmo diante dos doutores da letra, sua sabedoria, excedia, ao ponto da multidão dizer: “Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus” (At 4.13).
Todo arauto de Deus sente na sua alma uma necessidade, e principalmente, uma urgência que o esmaga, ou seja, anunciar todo o conselho de Deus. Gastamos muito tempo com coisas que não são urgentes. Muitos estão a tentar “converter” os irmãos já crentes a aceitarem sua posição teológica - de continualista para cessacionista; arminiano para calvinista; pentecostal para tradicional. Não vejo problema em arrazoar o assunto de uma forma equilibrada e saudável. A questão é que isso é secundário. Enquanto estamos nos empreendendo em questões secundários (pessoas que só falam disso), familiares e amigos estão morrendo sem conhecer “o conselho de Deus”. Lamentável! Brigam como um leão no facebook, mas não têm um pingo de ousadia para proclamar o Evangelho de modo simples e objetivo ao perdido. São pescadores de aquário; medíocres porque não se lançam ao mar, pois sabem que lá o desafio é grande.
Esqueceram-se da mensagem da cruz; e este sem equilíbrio e discernimento, do que é ou não urgente, se entregaram totalmente a vaidade do saber. Não proclamam o Evangelho; apenas falam dele e do modo como o interpreta. E o povo que está com fome de pão, recebe, então, migalhas de pessoas que amam mais a sua causa do que a Causa de Deus; a saber, que “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores”. Usando as palavras de Leonard Ravenhill: “Se tivéssemos mais noites sem dormir, em oração, haveria muito menos almas que teriam que passar noites sem dormir eternamente no inferno”.[1]
A palavra não é nossa, mas de Deus, pois assim diz a Escritura: “Pois recebi do Senhor o que também lhes entreguei” (1 Co 11.23). O grande pregador e avivalista, Leonard Ravenhill, certa vez disse: “Eu fico profundamente perturbado quando moços me escrevem, dizendo: ‘Eu sou um profeta do Senhor’. Profetas não são autoproclamados. Eles não se gabam. Eles não buscam um lugar em público onde possam fazer brilhar suas auréolas. Nenhum homem toma essa tremenda honra para si mesmo. E a oposição jamais intimida o verdadeiro profeta. Ele chora diante de Deus e, todavia, ele não precisa de um ombro para chorar. Todos os profetas têm uma mesma segurança: ‘Veio a mim a Palavra do Senhor’”. [2]
O Senhor é conosco! Ele é consolo para todo aquele que se entrega verdadeiramente a Ele, lhe dando não somente a sua palavra, mas a sua própria presença.
Deus nos deu uma mensagem, amados. Ele quer nos usar para o louvor da sua glória. Busque o seu poder. Ele não está interessando (ainda que seja importante) na sua articulação teológica, no seu conhecimento e nem na sua erudição, pois assim mesmo Ele diz: "Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor” (Jr 9.23-24 NVI).
Não se deixe enganar, o diabo sabe que nada pode te separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Todavia, sua tentativa é neutralizar o ministério que Deus lhe deu. Ele sabe que não poderá converter você ao ateísmo, mas ele bem sabe que pode distorcer, na sua mente, os atributos de Deus, te convencendo pela mentira que Deus é um tirano, legalista, e que está interessado somente no seu desempenho, ou seja, e que Ele se agrada somente das suas boas-obras para justificação. Em busca do perdão de Deus, ao invés de colocarmos nossa confiança em Cristo, apoiamos-nos em nossa própria força; o esgotamento físico e espiritual só tende a aumentar. Ficamos paralisados, e como disse Leonard Ravenhill: “O fato doloroso é que o sal perdeu o seu sabor. Recentemente eu aprendi que o sal pode perder seu sabor, todavia ele não perde a sua potencia. Quando ele deixa de curar, então ele começa a corromper. Portanto, a igreja morna é um obstáculo maior do que a igreja fria”. [3]
Peça ao Senhor que te renove no Espírito Santo; clame pelas almas. Seja uma bênção no “ministério da reconciliação”. Este é o principal anseio de um homem e de uma mulher de Deus (Rm 10.1). Por estes dias pedi a Deus o seguinte: “Se o Senhor não me der da tua graça e da tua unção, peço, então, que eu não seja mais convidado a pregar em nenhum lugar, pois o que eu entregaria seria apenas conhecimento, fruto de uma “habilidade adquirida”. Certamente, isso seria nocivo a igreja do Senhor Jesus.
Derrame o seu coração a Deus; não importa o que você fez até agora e o quanto você já falhou; busque ao Senhor de “todo o seu coração”. Como disse Leonard Ravenhill: “Oração, em sua forma mais sublime, é suor de alma agonizante”.
Pense nisso, você é um arauto de Deus para “ANUNCIAR AS GRANDEZAS daquele que os chamou das trevas para sua maravilhosa luz”. Assim, você será:
“Aqueles que são sábios reluzirão como o brilho do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre”. – Daniel 12.3 NVI
Você tem uma mensagem urgente!, ou seja, Jesus está voltando!
QUEM ESTA SEM PECADO ATIRE A PRIMEIRA PEDRA
“Então os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. Ora, Moisés nos ordena na Lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?” (João 8:3-5)
Desde o início do ministério público, um dos maiores desejos dos escribas e dos fariseus era provar que Cristo era um inimigo da Lei de Deus dada por meio de Moisés. Havia razões importantes para isso. Primeiro, Cristo havia feito exatamente mesma acusação contra eles no Sermão do Monte, logo no início de Seu ministério público:
“Não penseis que vim destruir a Lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da Lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. (Mateus 5:17-20)
Os escribas e fariseus eram reconhecidos em Israel como os grandes mestres da Lei. Cristo passou todo o Seu ministério público derrubando esse mito:
“Então chegaram a Jesus uns fariseus e escribas vindos de Jerusalém, e lhe perguntaram: Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos, quando comem. Ele, porém, respondendo, disse-lhes: E vós, por que transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? [...] E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus. Hipócritas! bem profetizou Isaias a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem”. (Mateus 15:1-3,6-9)
“Ai de vós, doutores da Lei! Porque tirastes a chave do conhecimento; vós mesmos não entrastes, e impedistes aos que entravam”. (Lucas 11:52)
“Não vos deu Moisés a Lei? No entanto nenhum de vós cumpre a Lei” (João 7:19)
O que Cristo continuamente demonstrou foi que os escribas e fariseus eram os grandes deturpadores e transgressores, não mestres, da Lei dada por Moisés. Desta maneira, se cumpriu na vida de Cristo o que está escrito no livro dos Salmos: “Os soberbos zombaram grandemente de mim; contudo não me desviei da tua Lei. Lembro-me dos teus juízos antigos, ó Senhor, e assim me consolo. Grande indignação apoderou-se de mim, por causa dos ímpios que abandonam a tua Lei” (Sl 119:51-53). Jesus, não eles, guardavam a Lei dada por Moisés. Sua doutrina era diferente do que eles ensinavam porque Ele somente era fiel aos mandamentos de Seu Pai. As multidões perceberam essa diferença já no Sermão do Monte: “Ao concluir Jesus este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina; porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas” (Mt 7:28-29).
Para aqueles que conheciam e criam no Antigo Testamento, a fidelidade de Cristo aos mandamentos de Deus não foi nenhuma surpresa ou novidade. Jesus é o Messias prometido. Segundo os antigos profetas, quando o Messias viesse, Ele confirmaria e estabeleceria a Lei como padrão de justiça para todos os povos:
“Acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor, será estabelecido como o mais alto dos montes e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. Irão muitos povos, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a Lei, e de Jerusalém a Palavra do Senhor. E Ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra”. (Isaías 2:2-4)
“Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem se compraz a minha alma; pus o meu Espírito sobre ele. Ele trará justiça às nações. Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na rua. A cana trilhada, não a quebrará, nem apagará o pavio que fumega; em verdade trará a justiça; não faltará nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a sua Lei. Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os desenrolou, e estendeu a terra e o que dela procede; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela. Eu o Senhor te chamei em justiça; tomei-te pela mão, e te guardei; e te dei por pacto ao povo, e para luz das nações”. (Isaías 42:1-6)
“Atendei-me, povo meu, e nação minha, inclinai os ouvidos para mim; porque de mim sairá a Lei, estabelecerei a minha justiça como luz dos povos. Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços governarão os povos; as ilhas me aguardam, e no meu braço esperam. Levantai os vossos olhos para os céus e olhai para a terra em baixo; porque os céus desaparecerão como a fumaça, e a terra se envelhecerá como um vestido; e os seus moradores morrerão semelhantemente; a minha salvação, porém, durará para sempre, e a minha justiça não será abolida. Ouvi-me, vós que conheceis a justiça, vós, povo, em cujo coração está a minha Lei; não temais o opróbrio dos homens, nem vos turbeis pelas suas injúrias”. (Isaías 51:4-7)
É por isso que no Sermão do Monte Cristo confirmou, defendeu e explicou a Lei. Como o verdadeiro Messias, Ele veio cumprir os profetas. E, como era o caso do profeta de Isaías, ele também lutava contra aqueles que substituíam a Lei de Deus por “doutrinas que são preceitos de homem.” (Mt 15:9; Is 29:13). Uma maneira de entender a relação entre Cristo e os escribas e fariseus em Israel é da seguinte maneira: um estelionatário, com um diploma falso, se passa por médico e engana leigos até que um médico de verdade o desmascara dentro de alguns minutos, demonstrando que o estelionatário é na verdade um grande ignorante sobre os princípios mais rudimentares da medicina. Foi basicamente isso que Jesus fez contra os escribas e fariseus. Desmascarou falsos doutores da Lei. Como diz Provérbios: “Os que abandonam a Lei louvam os ímpios; mas os que guardam a Lei pelejam contra eles” (Pv 28:4). Tendo sido desmascarados, os escribas e fariseus passaram a viver obcecados com duas ideias fixas: arrumar meios de matar Jesus e formular perguntas capciosas para demonstrar que Cristo era um falso mestre e falso profeta e, portanto, não poderia ser o Messias:
“Então chegaram a ele os fariseus e os saduceus e, para o experimentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu”. (Mateus 16:1)
“Aproximaram-se dele alguns fariseus que o experimentavam, dizendo: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mateus 19:3)
“E eis que se levantou certo doutor da Lei e, para o experimentar, disse: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Luk 10:25)
“Ai de vós, doutores da Lei! Porque tirastes a chave da ciência; vós mesmos não entrastes, e impedistes aos que entravam. Ao sair ele dali, começaram os escribas e os fariseus a apertá-lo fortemente, e a interrogá-lo acerca de muitas coisas, armando-lhe ciladas, a fim de o apanharem em alguma coisa que dissesse”. (Lucas 11:52-54)
Foi isso que eles tentaram fazer quando levaram a mulher adúltera até Ele:
“Disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. Ora, Moisés nos ordena na Lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isto diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar. Jesus, porém, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo”. (João 8:4-6)
Jesus defenderia a Lei ou não? Infelizmente, muitos cristãos modernos caem na cilada deles. Não por serem tentados nas mesmas circunstâncias Cristo foi, mas porque acreditam que Ele de fato contrariou e quebrou a Lei. Entendem que se Cristo tivesse observado a Lei, aquela mulher teria sido executada. O que percebem é que, ao dizer isso, estão se colocando ao lado dos escribas e fariseus. “Isto diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar”. Se a acusação fosse verdadeira, os escribas e fariseus seriam justificados em denunciar Jesus como um falso mestre. Se a acusação fosse verdadeira, Jesus seria simplesmente mais um falso Messias. Mas essa conclusão parte de ignorância da Lei. Para aqueles que de fato conhecem os detalhes da Lei e de sua aplicação, não há dúvidas de que a acusação dos escribas e fariseus era falsa. Há três coisas especialmente importantes que precisamos entender sobre o caso.
1) O adultério era crime segundo a Lei.
Assim como matar ou roubar são crimes no Brasil, o adultério era crime segundo a Lei de Moisés. Alias, o adultério também era crime no Brasil até 2005. No caso da Lei de Moisés, a pena era a morte:
“O homem que adulterar com a mulher de outro, sim, aquele que adulterar com a mulher do seu próximo, certamente será morto, tanto o adúltero, como a adúltera”. (Levítico 20:10)
“Se um homem for encontrado deitado com mulher que tenha marido, morrerão ambos, o homem que se tiver deitado com a mulher, e a mulher. Assim exterminarás o mal de Israel”. (Deuteronômio 22:22)
É importante observar nestes textos que a pena deveria ser aplicada tanto no homem quanto na mulher: “morrerão ambos, o homem que se tiver deitado com a mulher, e a mulher”. Os escribas e fariseus disseram ter encontrado aquela mulher “em flagrante adultério” (Jo 8:4). Onde estava o homem que adulterava com ela? Por que somente a mulher adúltera foi levada até Jesus? Isso era transgredir a Lei.
2) Era necessário haver duas testemunhas do crime para que alguém recebesse pena capital.
“Uma só testemunha não se levantará contra alguém por qualquer iniquidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado cometido; pela boca de duas ou de três testemunhas se estabelecerá o fato”. (Deuteronômio 19:15)
Para que alguém fosse condenado à morte, pelo menos duas testemunhas do crime precisavam se apresentar. Sem isso, ninguém poderia receber pena capital.
3) O crime deveria ser julgado e investigado por magistrados legalmente instituídos.
“Juízes e oficiais porás em todas as tuas cidades que o Senhor teu Deus te dá, segundo as tuas tribos, para que julguem o povo com justiça. Não torcerás o juízo; não farás acepção de pessoas, nem receberás peitas; porque a peita cega os olhos dos sábios, e perverte a causa dos justos. A justiça, somente a justiça seguirás, para que vivas, e possuas em herança a terra que o Senhor teu Deus te dá”. (Deuteronômio 16:18-20)
“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal”. (Romanos 13:1-4)
“Sujeitai-vos a toda autoridade humana por amor do Senhor, quer ao rei, como soberano, quer aos governadores, como por Ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem”. (I Pedro 2:13-14)
Parte da obrigação dos magistrados era a de investigar as testemunhas para saber se eram falsas ou não. Caso fossem falsas, deveriam receber a mesma pena que tentavam aplicar contra o próximo:
“E os juízes inquirirão cuidadosamente; e eis que, sendo a testemunha falsa, e falso o testemunho que deu contra seu irmão, far-lhe-ás como ele cuidava fazer a seu irmão; e assim exterminarás o mal do meio de ti. Os restantes, ouvindo isso, temerão e nunca mais cometerão semelhante mal no meio de ti”. (Deuteronômio 19:17-20)
Sendo assim, temos que nos perguntar: quem eram os magistrados e juízes legalmente constituídos no tempo de Cristo? Não era o próprio Cristo, como Ele mesmo deixou claro:
“Disse-lhe alguém dentre a multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparte comigo a herança. Mas ele lhe respondeu: Homem, quem me constituiu a mim juiz ou repartidor entre vós?” (Lucas 12:13-14)
Cristo não era um magistrado e a autoridade civil estava nas mãos dos romanos, como os próprios escribas e fariseus reconheceram no julgamento de Cristo:
“Então Pilatos saiu a ter com eles, e perguntou: Que acusação trazeis contra este homem? Responderam-lhe: Se ele não fosse malfeitor, não to entregaríamos. Disse-lhes, então, Pilatos: Tomai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei. Disseram-lhe os judeus: A nós não nos é permitido tirar a vida a ninguém”. (João 18:29-31)
Os judeus estavam sob o domínio de Roma e por isso eles não tinham autoridade para aplicar a pena de morte contra ninguém. Como, então, eles poderiam aplicar a pena contra a mulher adúltera? É por isso eles tiveram que entregar Cristo aos romanos. Somente eles tinham autoridade para isso. Mas Pilatos não estava muito interessado em lidar com o caso. Os judeus estavam acusando Jesus de coisas como blasfêmia (Mt 26:65-66; Jo 5:18). Por que Pilatos estaria interessado em condenar alguém por algo assim se ele mesmo não cria no Deus dos judeus? Foi o mesmo que aconteceu quando os judeus entregaram Paulo aos magistrados romanos para ser julgados:
“Sendo Gálio procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus de comum acordo contra Paulo, e o levaram ao tribunal, dizendo: Este persuade os homens a render culto a Deus de um modo contrário à Lei. E, quando Paulo estava para abrir a boca, disse Gálio aos judeus: Se de fato houvesse, ó judeus, algum agravo ou crime perverso, com razão eu vos sofreria; mas, se são questões de palavras, de nomes, e da vossa Lei, disso cuidai vós mesmos; porque eu não quero ser juiz destas coisas. E expulsou-os do tribunal”. (Atos 18:12-16)
É por isso que eles tiveram que inventar outra acusação: que Jesus usurpava o trono e a autoridade do Imperador, de César:
“Daí em diante Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamaram: Se soltares a este, não és amigo de César; todo aquele que se faz rei é contra César. Pilatos, pois, quando ouviu isto, trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Pavimento, e em hebraico Gabatá. Ora, era a preparação da páscoa, e cerca da hora sexta. E disse aos judeus: Eis o vosso rei. Mas eles clamaram: Tira-o! tira-o! crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso rei? responderam, os principais sacerdotes: Não temos rei, senão César. Então lho entregou para ser crucificado” (João 19:12-16)
Isso esclarece porque os escribas e fariseus pensaram que tinham colocado Jesus num beco sem saída. A Lei de Moisés estabelecia pena capital contra adúlteros. Mas isso só podia ser aplicado por quem fosse um magistrado legalmente constituído. Se Jesus se recusasse a aplicar a pena, eles poderiam acusa-Lo de transgredir e anular Moisés. Mas se Ele aceitasse aplicar a pena, Ele estaria se colocando na posição e um magistrado, como um Rei e, com base nisso, eles poderiam entrega-Lo aos romanos como um revolucionário, usurpador do trono de César. No entendimento deles, independente do que Jesus fizesse, eles teriam algo para acusá-Lo.
“Mas o próprio Jesus não confiava a eles, porque os conhecia a todos, e não necessitava de que alguém lhe desse testemunho do homem, pois bem sabia o que havia no homem”. (Jo 2:24-25) Jesus conhecia bem a iniquidade deles e também conhecia bem a Lei de Seu Pai. O julgamento era ilegal pelos padrões da própria Lei. Primeiro, não é possível praticar o adultério sozinho. A mulher adúltera não podia ser julgada e condenada sem o homem que adulterou com ela: “Morrerão ambos, o homem que se tiver deitado com a mulher, e a mulher” (Dt 22:22). Segundo, a Lei proibia que qualquer pessoa fosse condenada a morte sem que o suspeito fosse devidamente julgado pelos magistrados civis junto com pelo menos duas testemunhas. As coisas eram resolvidas em um tribunal legalmente instituído, não com bandos correndo pelas ruas com pedras na mão. Por isso Cristo condenou a hipocrisia deles:
“Isto diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar. Jesus, porém, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo. Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse- lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé” (João 8:6-9)
Aqui é importante observar que quando Jesus disse “seja o primeiro que lhe atire a pedra”, Ele estava falando diretamente com aqueles que eram as testemunhas:
“Pela boca de duas ou de três testemunhas, será morto o que houver de morrer; pela boca duma só testemunha não morrerá. A mão das testemunhas será a primeira contra ele, para matá-lo, e depois a mão de todo o povo; assim exterminarás o mal do meio de ti”. (Deuteronômio 17:6-7)
Isso deixa claro, então, que Cristo não anulou ou transgrediu a Lei, mas guardou cada “jota e til” (Mt 5:18). Quando Ele disse “seja o primeiro que lhe atire a pedra”, Ele estava simplesmente reafirmando Deuteronômio 17:6-7. É como se Ele os dissesse: “Se isto é um julgamento lícito, se você está verdadeiramente observando os mandamentos de Deus, se o que você faz aqui não é pecaminoso, mas é feito em pureza e justiça, como Moisés mandou, então vai, podem aplicar a pena, começando pelas testemunhas, seja o primeiro que lhe atire a pedra”. O problema não estava na Lei, no que Moisés havia ordenado, mas na hipocrisia e injustiça daqueles que estavam querendo aplica-La naquelas circunstâncias. Com as penas do próprio Moisés, Cristo não tinha nenhum problema, como Ele deixou claro em Mateus 15:4. Mas, como Ele mesmo havia ensinado, “se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mt 5:20).
Muitos erradamente inferem que em João 8:7, quando Ele mandou que Deuteronômio 17:6-7 fosse observado, Ele estava dizendo que somente aqueles que são absolutamente puros e imaculados podem aplicar penas, ou seja, ninguém. Mas isso é tirar o texto de seu devido contexto e é colocar Cristo contra Moisés. Quando Moisés mandou instituir juízes, ele não disse que somente pessoas absolutamente puras e imaculadas poderiam servir como juízes. O que aprendemos na Lei é que devem ser homens “tementes a Deus” (Êx 18:18), “para que julguem o povo com justiça” (Dt 16:18) e “não torçam o juízo” (Dt 16:19). Como a mãe do rei Lamuel lhe ensinou: “Abre a tua boca; julga retamente, e faze justiça” (Pro 31:9). Sendo assim, quando Jesus mandou que Deuteronômio 17:6-7 fosse observado, “Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra” (Jo 8:7), Ele estava falando do pecado específico de incitar e participar de um julgamento iníquo, contrário a Lei de Deus, com o objetivo de acusa-Lo falsamente. Juízes e testemunhas justas, em um tribunal legalmente instituído, não se enquadram nisso. Pois, “o caminho do ímpio é abominável ao Senhor; mas Ele ama ao que segue a justiça” (Pv 15:9). Por isso Ele prometeu por meio do profeta Isaías que a nação voltaria a ter juízes justos, para julgar com justiça:
“Voltarei contra ti a minha mão, e purificarei como com potassa a tua escória; e tirar-te-ei toda impureza; e te restituirei os teus juízes, como eram dantes, e os teus conselheiros, como no princípio, então serás chamada cidade de justiça, cidade fiel”. (Isaías 1:25-2)
João 8 nos ensina, então, algumas lições importantes:
1) Jesus era verdadeiramente comprometido com a Lei de Deus e não com as falsas interpretações dadas pelos escribas e fariseus.
2) Devemos nos sujeitar as autoridades legalmente constituídas.
3) A graça e o perdão de Deus pode atingir até mesmo os criminosos. Adúlteros, assassinos, ladrões e blasfemos podem ser reconciliados com Deus por meio de Jesus Cristo.
A ORAÇÃO NA MADRUGADA É MAIS EFICAZ PORQUE A FILA É MENOR?
No cenário evangélico pentecostal e neopentecostal existe uma crença muito “popular” de que a oração na madrugada é “mais forte” do que a oração feita em outros períodos do dia. Muitos cristãos afirmam categoricamente que na madrugada a “fila é menor” para se falar com Deus, uma vez que são poucos os que mantêm certo hábito de orar neste período que se dá entre a meia noite e o amanhecer. Em vista disso, pela “fila ser menor” na madrugada, Deus responde as orações de forma mais rápida nas mais variadas bênçãos pedidas. A razão de Deus abençoar mais rápido àqueles que mantêm este hábito ou disciplina de oração, dizem os pastores e cristãos pentecostais e neopentecostais, é porque está declarado em Provérbios 8.17 que “Deus” ama os que o amam, e os que de madrugada o buscam o acharão. (ARC)
Quanto ao horário específico para as orações na madrugada variam. Muitos cristãos gostam de orar às 3:00 horas. Entretanto, a maioria crê que um dos melhores horários para se orar é a partir da meia noite. Para ratificar esta ideia [de que a oração na madrugada é “poderosa”], os cristãos recorrem também a outro texto da Escritura, dessa vez descrito no Livro de Atos 16.25-26. É relatado que Paulo e Silas, por pregarem o Evangelho na cidade de Filipos (At 16.11-24) foram presos. No cárcere, por volta da meia noite, é dito que Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos. (ARA) Portanto, o texto de Provérbios 8.17, juntamente com Atos 16.25-26 é a “base” de que oração na madrugada é eficaz, pois desemboca em bênçãos extraordinárias e instantâneas, como foi no caso de Paulo e Silas.
Não obstante, o meu intuito neste artigo não é declarar através de argumentos hermenêuticos e teológicos que a oração no período da madrugada independente do horário específico seja errada ou, tampouco, pecado. Claro que não! Pelo contrário, como cristãos, devemos estar orando diariamente, constante. A comunhão com Deus que decorre de uma vida de oração é fundamental e necessária em todos os horários do dia! Portanto, quero enfatizar neste artigo (1) a interpretação correta dos textos supracitados em contraste com a interpretação equivocada feita por muitos pastores e cristãos sinceros, por sinal; e (2) destronar o misticismo da crença popular evangélica pentecostal e neopentecostal de que a oração ou a madrugada possui algum tipo de poder ou fluir especial do qual emana as bênçãos divinas instantâneas.
Explanação
Será, então, que Provérbios 8.17 e Atos 16.25-26 corroboram a oração na madrugada e o horário da meia noite como algo “mágico” e “poderoso” como afirmam muitos pastores e cristãos? Vejamos:
Análise de texto
Provérbios 8.17 – Eu amo os que me amam, e os que de madrugada me buscam o acharão... (ARC)
A sabedoria é um dos principais temas no livro de Provérbios. Do capítulo 1.8 até 9.18, vemos um esboço compilado de conselhos breves e diretos que expressam a sabedoria divina e eterna. O objetivo destes conselhos divinos, todavia, é levar o leitor a refletir em como aplicá-los nas diversas situações da vida obedecendo-os.
Nos capítulos 8 e 9 a sabedoria é atribuída aos homens. No capítulo 8 “ela está disponível para os mais simples (8.2, 5), mas também é profunda: se o próprio Deus não fez nada sem sabedoria (8.22-31), quem somos nós para tentar orientar as nossas próprias vidas sem ela?”1 Personificada como uma mulher no capítulo 8, a sabedoria, agora, no capítulo 9, “é contrastada com a mulher louca. Elas têm métodos similares, pelo fato de que ambas se assentam nos lugares mais conspícuos da cidade (8.2-3; 9.3, 14) e convidam os simples (8.6; 9.5, 16). A sabedoria oferece recompensas que são mais valiosas do que qualquer tipo de riqueza (8.10-11, 18-19), ao passo que a mulher louca recomenda a doçura das “águas roubas” e a suavidade do pão comido às ocultas (vs.17). As consequências conectadas com estas escolhas são completamente opostas. Os convidados da Sabedoria recebem muitas bênçãos (8.34-35), mas os que se voltam para a loucura perecem e estão nas profundezas do inferno (vs.18).”2
Via de regra, o capítulo 8 descreve a excelência da sabedoria. O trecho que vai dos versículos 14-21 realça não os beneficiados (vs.14-17) e as bênçãos (18-21) de buscar a sabedoria, mas, contudo, a própria sabedoria. Os pronomes pessoais – eu e me, e o pronome possessivo meu, são enfáticos e se referem à sabedoria. Entretanto, o seu amor é experimentado pelas bênçãos de quem a recebe (vs.18-21). Quanto às bênçãos da sabedoria, certamente elas são de caráter material (3.16; 22.4) e espiritual, embora o aspecto espiritual predomine. Acerca do caráter espiritual das bênçãos da sabedoria, Derek Kidner ressalta que
Se os homens em posição de autoridade (vs.15-16) precisam de sabedoria, é visando a justiça, e não as vantagens. Se ela confere riquezas (vs.18), estas se vinculam com a honra e a justiça (embora justiça possa ter seu significado secundário, “prosperidade” no versículo 18, forçosamente tem seu sentido primário e moral no versículo 20). O versículo 19 deixa a questão fora da dúvida, e vai ainda além dos versículos 10-11. A sabedoria não somente é excelente do que o ouro, assim como a fonte toma procedência sobre o produto; o próprio produto (fruto) da sabedoria é melhor do que o ouro.3
Diante disso, a expressão eu amo os que me amam descreve simplesmente o amor que a sabedoria possui por aqueles que a amam, buscam e desfrutam de suas bênçãos. Provérbios 8.17 não faz menção alguma da oração na madrugada e, tampouco, apoia a crença mística de que, na madrugada, a fila para a oração é menor e que ela possui um poder maior e mágico em relação à oração feita no dia e que Deus a responde de modo rápido. Por outro lado, a sabedoria tem a ver com a graça de Deus, ou seja, é o próprio Jesus, o qual se declarou como a encarnação da sabedoria divina (Mt 11.19; Lc 11.49-51; Jo 6.35; 1Cor 1.24-25; Pv 2.4-5; 3.13-15). Um das melhores traduções para Provérbios 8.17, contudo, seria – Eu amo os que me amam; os que me procuram me acharão (ARA), excluindo, assim, o substantivo feminino madrugada. As outras traduções similares também são a da Almeida Século 21, da NVI e da BJC.
Análise de texto
Atos 16.25-26 – Por volta da meia noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos. (ARA)
Paulo e Silas foram para a cidade de Filipos evangelizá-la, permanecendo lá por alguns dias (16.11-12). Através da pregação de Paulo e de seus auxiliares e companheiros de viagem – Silas, Timóteo e Lucas, uma mulher, vendedora de púrpura, chamada Lídia foi convertida pelo Senhor (16.14-15). O evangelismo ocorreu por toda a cidade. Por conseguinte, quando estavam indo orar em certo local, Paulo e seus companheiros se depararam com uma jovem possessa de um espírito de adivinhação que os seguiam já por alguns dias importunando-os com gritos (16.17). Simon Kistemaker afirma que é provável que os gritos da moça fizeram com que muita gente se reunisse e ouvisse Paulo e seus amigos. Todos podiam ouvir a mensagem de salvação. Mas os contínuos gritos da moça passaram a ser um estorvo para o apóstolo na pregação do evangelho, e o transtorno o perturbou de maneira tal que ele teve de intervir e se dirigir ao demônio que habitava a moça.4 Desse modo, Paulo exorciza a jovem e ela fica liberta da atuação demoníaca em sua vida (16.16-18).
No entanto, aquela jovem, antes de ser liberta das garras de satanás, era explorada e trabalhava como adivinha para pessoas que lucravam com o misticismo que predominava em Éfeso (16.16). Sendo assim, quando Paulo exorcizou o espírito que dominava aquela jovem pitonisa, exorcizou também a fonte de renda daqueles que a exploravam,5 e presumimos que ela recebeu o dom da salvação e se tornou membro da igreja filipense.6
Em vista disso, sendo levados às autoridades da cidade de Filipos pelas pessoas que exploravam a jovem, Paulo e Silas foram presos (16.24). Então, perto da meia noite, enquanto oravam e louvavam a Deus, ocorre um terremoto e a prisão em que estavam é destruída. Deus intervém poderosamente neste evento singular na história para um duplo propósito: libertar Paulo e Silas da prisão e converter o carcereiro e sua família (16.27-35).
Assim como em Provérbios 8.17, Atos 16.25-26 também não sustenta o misticismo de que a oração à meia noite ou perto dela desemboca em bênçãos instantâneas e extraordinárias. O texto não ensina que a oração ou o horário próximo à meia noite é um tipo de receita mágica para que ocorram os “terremotos da libertação onde as cadeias da nossa vida ruem”, conforme pressupõe os pentecostais e neopentecostais em sua maioria, claro, com algumas exceções. O propósito da intervenção sobrenatural de Deus através deste um terremoto foi (1) Libertar Paulo e Silas para que estes pudessem evangelizar as regiões ainda não evangelizadas (veja At 16.6-12) e (2) que através desta intervenção miraculosa de Deus o carcereiro, espantado, e sua família, pudessem ouvir o evangelho através de Paulo cressem e fossem salvos, o que, de fato, ocorreu (At 16.27-34). Contudo, não estou dizendo também que Deus não possa intervir soberanamente de forma imediata na vida de um cristão que ora de forma sincera na madrugada à meia noite. Deus pode, sim, contato se for de sua vontade (1Jo 5.14-15), abençoar um cristão em 24 ou 48 horas após uma oração feita na madrugada, por exemplo. Porém, isso não é uma regra normativa de Deus onde ele sempre abençoa os que oram na madrugada ou por volta da meia noite.
Conclusão
Não há em toda a Escritura um horário específico de oração que Deus tenha determinado ser “especial” onde ele responde com bênçãos extraordinárias e instantâneas, e que a fila para a oração seja menor na madrugada. Antes, vemos que Deus nos orientou em sua palavra que devamos praticar a oração de forma constante, sem cessar como uma disciplina devocional em nossa vida (1Ts 5.17). Isso, portanto, pode e deve ser feito em qualquer horário. O poder não está na oração e, tampouco no horário em que são feitas, mas no Deus que ouve e responde as orações em bênçãos espirituais e, também, materiais. A oração é um meio de graça que Deus nos proporcionou para nos mantermos em comunhão profunda com Ele. O cristão que não vive em oração não vai desfrutar das bênçãos da oração. A oração nos desapega das coisas supérfluas desse mundo, nos leva cada vez para mais perto de Deus e nos faz desfrutar da alegria da salvação em Cristo Jesus. Que possamos “viver” em oração!
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
O SONHO QUE ABRIU MEUS OLHOS
..Tudo não passara de um sonho que tive acordado. Deixei-me, por um instante, ficar cego para o mundo exterior, para que os olhos da minha alma pudessem ver e sondar as profundezas, até então, indevassáveis do meu ser.
No sonho, eu via duas células se juntando. Logo depois elas davam origem a um embrião, que por sua vez se transformava em feto. De repente, uma mulher me apareceu em dores de parto. Percebi após um momento de silêncio, um choro forte de um bebê. Ouvi vozes ao longe: “Nasceu o filho da virgem Maria”. Num segundo, lá eu estava vendo cenas da curta infância do Filho do carpinteiro José. De repente, ele me apareceu aos doze anos, corpo franzino, desengonçado, tinha a cabeleira vasta e desalinhada. Ainda tão criança já estava cuidando das coisas de seu Pai: discutindo religião com os mestres no Templo. Vi-me mergulhado no pequeno mundo dessa tenra criança. Emocionei-me ao vê-Lo aos trinta anos, começando um breve e marcante ministério. Pude ver cenas de verdadeiros milagres. Vi muitas pessoas humildes reunidas ao seu redor, ouvindo em silêncio as suas interessantes lições sobre um Reino muito diferente daqueles que os fariseus preconizavam. Vi também homens que o perseguiam, e, eram esses homens, justamente, os sucessores de Moisés, que tinham a função de zelar pela Lei. Pela maneira que esses homens se comportavam, dava para perceber que estavam fazendo ali um “conchavo” de natureza política. Deu para notar sobre quem falavam. “É melhor que Ele morra, para que não percamos os nossos cargos” , deu para ouvir claramente.
Via-O agora aos trinta e três anos de idade, diante de uma corte de juízes. Ouvi ecoar o brado do veredicto: “será condenado à morte de cruz” , pena máxima para o horrendo pecado de blasfêmia.
Vi depois, um túmulo vazio. Vozes diziam: “ele não está mais aqui”.
Fui transportado para um outro plano. Tinha chegado ao topo de uma colina, com o coração batendo forte, lutando bravamente para impedir a fuga do tempo, que teimava em avançar na sua corrida implacável, deixando dias, semanas, meses e anos para trás.
A uma distância de poucos metros, estava agora diante de dois homens. A certeza veio num estalo: estava presenciando um encontro inusitado entre um Pai e seu Filho. Cheguei mais para perto deles, pisando em lã, para não fazer barulho e não atrapalhar o significativo diálogo entre eles. Pena, que tenha perdido o começo da história que o Filho contava para o Pai, de maneira entusiástica.
Agucei bem os meus ouvidos para escutar a maravilhosa prestação de contas entre o Filho e seu querido Pai. Sentei-me de costas para uma escarpa, cuidadosamente, para não romper com o encanto daquele esplêndido quadro.
No oculto de minha doce solidão, transformei-me num expectador privilegiado de um diálogo, que mais tarde, me abriria os olhos para uma evidência maravilhosa. O diálogo emblemático, assim transcorreu:
─ Corri o risco de nunca mais voltar ─ disse o Filho para o Pai de olhar circunspeto.
─ Não havia outra alternativa para resgatar os filhos da minha maior obra da criação ─ respondeu o Pai ao seu Filho, em tom resignado. ─ Já estava cansado de tantas guerras contra os inimigos do povo que escolhi com tanto amor. Abrão, Moisés, Jacó, Davi foram grandes líderes, mas falharam na hora “H”. Todos foram tentados em seus próprios desejos, e, em maior ou menor grau, sucumbiram às artimanhas da geração daquele que, apesar de ser o mais belo e formoso dos anjos da minha corte, rebelou-se e quis usurpar o meu trono, motivo pelo qual foi lançado nas profundezas caóticas da terra.
Compreendemos que, o maior inimigo do homem não era o seu semelhante afirmou o Pai para o seu Filho. A maior guerra, na verdade, estava sendo travada dentro do próprio indivíduo, entre as forças do mal e a sua consciência regida pela moral e ética que os ditames da minha Lei requeriam. Tornar esse fato, consciente, foi a razão maior do pacto que fiz contigo concluiu o Pai, pousando suavemente a sua mão direita sobre a cabeça do Filho.
─ Não foi fácil meu Pai disse o Filho franzindo o cenho. ─ Instintos medonhos habitam o oceano tenebroso da alma humana. Mergulhei profundamente no abismo profundo desse mar, onde dormem monstros terríveis que não podem ser despertados. Que pude comprovar, senão que a carne é fraca? Todas as vicissitudes e desejos humanos moeram-me por dentro. Doei–me de corpo e alma para viver a tragicidade da condição humana. Por isso mesmo me dispus perante Ti, a ser advogado de todos que me aceitaram como teu Filho, para perdoá-los em suas fraquezas. Está escrito que o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Não poderia entendê-los se o meu relacionamento fosse dentro de uma relação “Senhor escravo”. Eram escravos e eu os transformei em amigos, para que vissem em mim um irmão, e não um senhor. Fiz-me igual a eles para ganhar a sua confiança, afim de que pudessem crer em Ti, através de mim. Desejos atrozes quiseram me dominar. Angustiei-me muitas vezes. Indignei-me com os que fizeram da Tua casa um covil de ladrões. Fui surpreendido com a fé de alguns que não eram judeus. Comovi-me com os que sofreram a perda de parentes próximos. Chorei sobre Jerusalém. Amei e intercedi pelos saudosos discípulos que me deste, os quais, foram uma parte de mim na nobre missão que me confiaste.
Eu ouvia tudo isso com o coração contrito, mas algo na minha imaginação, não encontrava eco em minha própria consciência. Sabia de antemão que Deus por ninguém é tentado. Como compreender que Ele entregara o seu único filho para ser tentado pelo veneno dos desejos pervertidos da milícia de anjos caídos que tinham como poderoso chefão, o ex-anjo de Luz, e agora Rei das trevas?
Ao ouvir atentamente toda a conversa entre eles, a minha mente, que até então estava obscurecida, abrira-se para a compreensão de que Cristo tinha inaugurado uma nova aliança, com o ser humano sob a égide da fraternidade. Fizera nascer o amor entre os irmãos. A barra transversal da cruz onde ficaram estendidos os seus braços na horizontalidade, passou a ser o símbolo maior dessa comunhão entre irmãos.
O inusitado diálogo do meu sonho acordado, trouxe-me à tona o “porquê” de Deus ter abandonado o seu Filho na cruz, a sua própria sorte. Por ter vivenciado todas as vicissitudes do drama humano, sem pecar, coube a Ele, assumir as conseqüências do pecado do homem, sacrificando-se até a morte, para religá-lo com o seu Criador.
Um clarão assomou a minha mente, fazendo-me lembrar do que estava escrito em Hebreus 4: 15: “Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas, porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”.
Antes de despertar do meu sonho acordado, vi o Pai levantar-se do seu trono e dar um forte abraço no seu Filho único.
Antes de se retirar, tive a impressão de ver o Filho dirigir o seu olhar até onde eu estava. Não tive dúvida de que foi para mim que ele falou, encerrando o maravilhoso diálogo.
Agora meu Pai, entendendo que a guerra interior entre a carne e o espírito é cruel e ininterrupta, toda vez que o homem fraquejar, Eu intercederei por ele, para que a Tua misericórdia o alcance finalizou o Filho.
Foi essa frase conclusiva que me despertou do sonho acordado, abrindo os meus olhos interiores para enxergar que não estava só na minha caminhada , havia um amigo e irmão sempre ao meu lado, em qualquer situação.
RAABE
Havia numa cidade uma jovem que em tenra idade se prostituía, até que pela providência divina deixou para trás, a partir de certo dia, aquele triste modo de vida.
Seus compatriotas, todos infiéis, grandes pecadores contra o Senhor, indagavam que proveito teria em deixar o pecado e ser santa quando todas as pessoas da cidade se corrompiam cada vez mais, seguindo o exemplo das autoridades?
Nada respondia e em seu coração guardava em segredo a promessa que lhe fora feita, não por anjos ou por homens, mas pelo Deus vivo que mudou sua vida, de que não teria galardão na terra, mas no céu que aguardava por el
Mas é certo que teria também livramento do grande extermínio e tormento que sobreviria àquela cidade. Ficou firme na fé e foi salva, A jovem chamada Raabe.
Temos fixado por Deus em Raabe, um grande testemunho e exemplo do modo como nos convém viver pela fé no presente século, no qual a grande cidade chamada mundo, tem se corrompido cada vez mais, seguindo o mau exemplo dado pelas próprias autoridades.
PESPECTIVAS DIVINAS
Atravessando o umbral do ano novo nessa hora, olhamos para adiante e, o que é que vemos? Ainda que pudéssemos conseguir um telescópio que nos permitisse ver o fim do ano, teríamos sabedoria para usá-lo? Não creio. Desconhecemos os eventos que nos esperam – a vida e a morte, nossa ou de nossos amigos, as mudanças de posição, a enfermidade ou a saúde. Que grande misericórdia é que essas coisas estejam ocultas para nós!
Se víssemos antecipadamente nossas mais seletas bênçãos, essas perderiam seu frescor e sua doçura, enquanto estivéssemos as aguardando impacientemente. A antecipação se tornaria amarga, se converteria em desânimo, e a familiaridade geraria desdém. Se pudéssemos ver antecipadamente nossas tribulações, nos preocuparíamos por elas muito antes que efetivamente viessem, e nesse desassossego perderíamos o desfrute de nossas bênçãos presentes. A grande misericórdia estendeu um véu entre nós e o futuro, e o deixou dependurado lá.
Não obstante, nem tudo está oculto. Vemos com claridade algumas coisas. Digo: ‘nós’, porem, quero dizer aqueles cujos olhos foram abertos, pois não é qualquer pessoa que pode ver, no sentido mais verdadeiro. Uma dama disse ao Sr. Turner: ‘Olhei com frequência esse panorama, mas nunca vi o que você incorporou em seu quadro’. O grande artista simplesmente lhe respondeu: ‘Não desejaria poder vê-lo?’ Olhando ao futuro com o olho da fé, os crentes podem ver muitas coisas que estão ocultas para os que não possuem fé. Permitam-me dizer-lhes em algumas quantas palavras o que eu enxergo quando examino o novo ano.
Vejo uma estrada construída desde este primeiro de Janeiro de 1892 ao primeiro de Janeiro de 1893. Vejo um caminho projetado pelo conhecimento antecipado e a predestinação de Deus. Nada sobre o futuro é deixado ao azar; e mais, nem a queda de um pardal, nem a perda de um cabelo, são deixados ao fortuito, antes bem, todos os eventos da vida estão arranjados e assinalados. Não só cada volta do caminho está assinalada no mapa divino, como também cada pedra da rota, cada gota do orvalho matutino e toda névoa noturna que cai sobre a erva que cresce junto ao caminho. Não vamos cruzar um deserto sem pisadas; o Senhor ordenou nossa senda em Sua infalível sabedoria e infinito amor. ‘Por Jeová são ordenados os passos do homem, e ele aprova seu caminho’.
Continuando, vejo que nos é proporcionado um Guia como nosso companheiro ao longo do caminho. A ele dizemos de boa vontade: ‘Me guiou segundo teu conselho’. Ele espera para ir conosco através de cada segmento do caminho. ‘E Jeová vai diante de ti; Ele estará contigo, não te deixará’. Não fomos deixados para que passemos pela vida como se fosse um deserto solitário, um lugar de dragões e corujas, pois Jesus disse: ‘Não os deixarei órfãos; virei à vós’.
Ainda que perdêssemos pai, e mãe, e aos mais queridos amigos, há Alguém que leva nossa natureza, que nunca se apartará de nosso lado. Alguém semelhante ao Filho do Homem ainda está pisando os caminhos vitais dos corações crentes, e cada crente verdadeiro sai do deserto apoiando-se sobre o Amado. Sentimos a presença do Senhor Jesus inclusive agora, nessa habitação, onde dois ou três estão reunidos em Seu nome; eu confio que a experimentaremos ao longo de todos os meses do ano, seja que se trate da estação do canto dos pássaros, ou da estação dos frutos maduros, ou dos escuros meses quando os blocos de gelo congelados parecem feitos de ferro.
Nessa Riviera, deveríamos dar-nos conta, sem tanto esforço, da presença de nosso Senhor, porque o campo se parece muito a “sua terra, ó Emanuel”. Aqui está a terra do azeite de oliva, dos figos e dos ramos de Escol. Junto a esse mar azul, caminhou e escalou por essas colinas rochosas. Porem, seja aqui, ou em qualquer outra parte, esperemos que Ele permaneça conosco, para fazer com que esse ano seja verdadeiramente ‘um ano de nosso Senhor’.
Junto ao caminho e ao Guia, percebo muito claramente, graças ao olho da fé, a força requerida para a viagem designada. Ao longo de toda a distância do ano, temos que encontrar pousadas onde possamos descansar e tomar refrigério, e logo prosseguir em nosso caminho cantando: “Conforta a minh’alma”. Teremos a fortaleza suficiente sem medo de sobra, e essa força virá quando seja requerida e não antes. Quando os santos imaginam que possuem força a poupar, se convertem em pecadores, e são inclinados a que suas madeixas sejam cortadas pelos filisteus. O Senhor do caminho ministrará aos peregrinos suficientes suprimentos para a viagem – porem, Ele poderia considerar que não é sábio carregá-los com fundos supérfluos.
Deus, que é suficiente para tudo, não lhes falhará após confiarem Nele. Quando chegamos a ponto de levar nos ombros a carga, teremos chegado ao lugar onde receberemos a força. Se agradar ao Senhor multiplicar nossas tribulações, fazendo que uma delas se converta em dez, Ele aumentará nossa força na mesma proporção. O Senhor ainda diz a cada crente: ‘Como teus dias, serão tuas forças’. Você não sente ter, ainda, a graça que necessita para morrer? Todavia você não está morrendo. Enquanto tem que ainda enfrentar o ofício e o dever da vida, espere em Deus a graça que essas coisas precisam – e quando a vida esteja então esvaindo, e seu único pensamento seja desembarcar na costa Eterna, então, espere, nos momentos de sua agonia, a graça de Deus teu Salvador para morrer.
Podemos esperar uma afluência de força divina quando a força humana está falhando, e uma cotidiana concessão de energia conforme a necessidade diária o necessite. Nossas velas serão avivadas no tanto que precisem arder. Nossa presente debilidade não deve tentar-nos a limitar ao Santo de Israel. Há uma hospedaria em cada passo dos Alpes da vida, e uma ponte que cruza cada rio da tribulação que atravessa nosso caminho rumo à Cidade Celestial. Os santos anjos que nos guardam são tão numerosos como os anjos caídos que nos tentam. Nunca teremos uma necessidade para a qual nosso Pai não houvesse previsto nenhum recurso.
Eu vejo muito claramente um poder que rege todas as coisas que ocorrem no caminho que percorremos. Vejo um alambique no qual são transformadas todas as coisas. “Sabemos que aos que amam a Deus, todas as coisas lhes ajudam para bem, isso é, aos que conforme a seu propósito são chamados”. Vejo uma mão que obra portentos, que converte para nós às espadas da enfermidade em arados de correção e as lanças da tribulação em podadeiras para disciplina. Graças a essa habilidade divina as coisas amargas são adocicadas, e os venenos são convertidos em remédios. “Nada os causará dano”, é uma promessa demasiadamente forte para a fé frágil – porem, a plena segurança descobre que é verdadeira. Posto que Deus está a nosso favor, quem poderia estar contra nós? Que felicidade é ver o Senhor mesmo como nosso estandarte, a Deus mesmo conosco como nosso Capitão! Sigamos adiante no novo ano, pois “não nos sobrevirá mal”.
Uma coisa que mais resulta ser a essência brilho mesmo: esse ano, confiamos ver que Deus é glorificado por nós e em nós. Se cumprirmos nosso fim mais importante, alcançaremos nossa felicidade mais excelsa. Pensar que Deus pode obter glória de tais pobres criaturas como nós, é o deleite do coração renovado. “Deus é luz”. Não podemos agregar nada a Seu brilho, mas podemos atuar como refletores que, ainda que não tenham nenhuma luz própria, quando o sol brilha sobre eles, refletem seus raios, e os enviam onde não teriam chegado sem tal reflexo. Quando o Senhor brilha em nós, projetamos essa luz nos lugares escuros e faremos que os que estão submersos na sombra da morte, se alegrem em Jesus nosso Senhor.
Esperamos que Deus tenha sido, em alguma medida, glorificado em alguns de nós durante o ano passado, porem confiamos que será glorificado por nós muito mais no ano que agora começa. Estaremos contentes de glorificar a Deus seja ativamente ou passivamente. Queremos que seja de tal maneira que, quando a história de nossa vida seja escrita, qualquer um que a leia não nos considere como ‘homens que se auto-realizaram’, mas sim como obras das mãos de Deus, em quem Sua graça foi engrandecida, Os homens não podem ver a argila em nós, mas sim nas mãos do Oleiro. Referir-se-ão a alguém dizendo: “é um excelente pregador” – de outro, dirão: “Nunca nos damos conta de como prega, mas sentimos que Deus é grande”.
Desejamos que nossa vida inteira seja um sacrifício, um altar de incenso que fumega continuamente com um doce perfume para o Altíssimo. Ó, ser levado ao longo do ano sobre as asas do louvor a Deus: subir de ano em ano, e elevar em cada ascensão um cântico mais excelso e, no entanto, mais humilde para o Deus de nossa vida! A visão de uma vida repleta de louvor não se acabará jamais, antes, continuará ao longo da eternidade. De salmo em salmo e de aleluia a aleluia, subiremos o monte do Senhor – até chegar ao Lugar Santíssimo, onde, com rostos velados, nos inclinaremos diante da Majestade divina na bem-aventurança de uma adoração sem fim. Que o Senhor seja com vocês ao longo de todo esse ano. Amém!
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
NAMORAR OU FICAR
NAMORAR OU FICAR???
CONVERSANDO UM POUCO SOBRE FICAR
FICAR?!?!
O que é ficar? Segundo o Dicionário Aurélio, FICAR na gíria brasileira é: Trocar carinhos sem compromisso de namoro.
Segundo a definição dos jovens, FICAR “é um relacionamento informal, rápido e descomprometido entre um rapaz e uma moça, durante o qual eles trocam carícias de intimidades variadas, e às vezes chegando eventualmente ao ato sexual".
Embora, aparentemente, haja muitas vantagens no “ficar", as desvantagens, especialmente para a mulher, são inúmeras também. Entre elas, podemos mencionar o fato de que ela vai ficar mal vista, mal falada, vai estar sujeita a uma gravidez indesejada, enfim muitas são as tristezas. É importante que você, mulher, se lembre de que não é um objeto descartável: usado agora, jogado fora depois.
Os jovens do mundo falam muito em ficar... Na escola, você parece ser a única pessoa que nem sabe o que é isso. E, quando os colegas não-crentes descobrem que você nunca ficou, pronto! Sua vida passa a ser um tormento. Por quê? Porque para eles não é normal você ainda não ter ficado com nenhuma pessoa e não perdem a oportunidade de rir disso. Entretanto, o jovem cristão, salvo em Jesus Cristo não deve ter o pensamento e o comportamento que vigoram no mundo.
“Eles sabem que o mandamento de Deus diz que aqueles que fazem essas coisas merecem a morte. Mas mesmo assim continuam a fazê-las e, pior ainda, aprovam os que fazem as mesmas coisas que eles fazem” (Romano 1.32).
Mas para você, que é um crente, que procura fazer as coisas conforme ensina a Bíblia, o namoro deve estar diretamente ligado a um compromisso sério. A Palavra de Deus em nenhum momento nos ensina a sair por aí ficando com qualquer um, como acontece no mundo. Isso é pecado!
Sei que você pode estar dizendo: “contudo nenhum dos meus amigos(as) da escola foi assim. Eles(as) ficam quando querem”. Porém, não se esqueça: você não é desse mundo e está aqui para fazer a diferença, para ser o sal da terra “Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam” (Mateus 5.13).
Mas, o que é ser sal na terra? É não se comportar como todo mundo; é não fazer as coisas que todos fazem, só porque eles(as) fazem; é dar testemunho; é mostrar a todos que você não é mais um. Portanto, você deve ter um compromisso com Deus, temê-lo, fazer a vontade dEle e cuidar do seu corpo como um verdadeiro templo do Espírito Santo “Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é o templo do Espírito Santo, que vive em vocês e lhes foi dado por Deus? Vocês não pertencem a vocês mesmos, mas a Deus, pois ele os comprou e pagou o preço. Portanto, usem o seu corpo para a glória dele” (1 Coríntios 6.19,20).
O mundo e a mídia teimam e irresponsavelmente, insistem em fazer apologia ao “ficar”; lembrem-se esses ensinamentos do mundo são contrários ao que Deus quer para a sua vida. Se o conceito de “ficar” tivesse a aprovação de Deus, você não acha que provavelmente Ele teria colocado uma meia dúzia de homens no mundo, além de Adão, para que Eva “experimentasse” cada um até decidir a quem iria namorar? Ou vice-versa.
PENSE NO FUTURO
Uma das principais características dos jovens que não procuram conhecer a vontade de Deus é a inconseqüência. Muitos, quando estão nessa fase, acreditam que as suas atitudes não trarão conseqüências no futuro. Mais tarde, “quebram a cara” e colhem os frutos de seus atos “Não se enganem: ninguém zomba de Deus. O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá. Se plantar no terreno da sua natureza humana, desse terreno colherá a morte. Porém, se plantar no terreno do Espírito de Deus, desse terreno colherá a vida eterna”. (Gálatas 6.7,8). Nunca caia no erro de achar que as suas atitudes não terão repercussão no futuro. Não há como fugir disso.
Quem busca um compromisso sério rejeita pessoas que já estejam bastante “passadas”. Tenho a certeza de que você não quer experimentar o gosto amargo da rejeição. Ademais, a Bíblia diz que temos a obrigação de cuidar do nosso corpo, que é propriedade do Senhor “Que Deus, que nos dá a paz, faça com que vocês sejam completamente dedicados a ele. E que ele conserve o espírito, a alma e o corpo de vocês livres de toda mancha, para o dia em que vier o nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5.23). Temos que deixar a “casa” bem limpinha e cheirosa para que o Espírito Santo se sinta à vontade e goste de morar nela.
Se começarmos a trazer sujeira – coisas que não agradam a Deus – para dentro de nossa casa (corpo), o Espírito Santo vai embora. E isso é muito grave. Não vale a pena, nem de longe, trocar a presença dEle por uma “ficada”. Eu sei que fazer isso não é fácil, que nós falhamos, que não somos perfeitos... Eu sei. Mas também sei que quando a gente quer, a gente consegue.
Saber por que muitos não têm conseguindo? Porque muitos jovens cristãos estão se esquecendo de ler a Bíblia e procurando o caminho mais fácil, de se deixar levar pela corrente. E quem escolhe ser um cristão de verdade – autentico, e não hipócrita – tem de se posicionar.
Posicione-se. Mostre ao mundo quem você é. Seja autentico! Deus gosta de quem é corajoso e não tem vergonha de mostrar que pensa diferente. Faça resplandecer a luz que há em você para as outras pessoas “Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu” (Mt 6.16).
Quando você é um crente de verdade, tem de ser em todas as áreas da vida: na rua, na escola, no trabalho e no namoro também. Não dá pra dizer: “Ah, Deus, até aqui o Senhor vai tá? Mas nesse negócio de namorar é comigo só”. Deus quer partilhar de TODA a sua vida, não apenas de uma parte.
UMA DICA
Se os jovens a sua volta ficam fazendo pressão para você ficar com alguém, não aceite a pressão; os jovens que não servem a Jesus, infelizmente, se comportam de um modo inadequado: “ficam” com todos, e acham isso a coisa mais normal do mundo.
Porém, repito: você é diferente. Não tenha medo de falar: “Não quero fazer isso. Ficar por ficar não está com nada!” Seja firme e você verá que logo, logo, eles vão parar de perturbá-lo. E, se não pararem, considere a possibilidade de fazer novas amizades. Afinal, também não pega bem para você ficar andando com esse tipo de pessoa, não é verdade? Reflita no diz a Palavra de Deus “Para que vocês não tenham nenhuma falha ou mancha. Sejam filhos de Deus, vivendo sem nenhuma culpa no meio de pessoas más, que não querem saber de Deus. No meio delas vocês devem brilhar como as estrelas no céu” (Filipenses 2.15).
Agora se você disposto a encarar um namoro e se sente maduro para assumir um compromisso visando ao casamento, observe algumas dicas importantes abaixo:
1. Sem Negociações
“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?” (2 Coríntios 6.14).
Antes de tudo, procure saber se a pessoa é um cristão de verdade, se demonstra, com as atitudes, que serve a Deus. Não adianta ser daquelas que só vão a igreja de vez em quando, e não querem compromisso com o Senhor. Se já “de cara” a pessoa mostrar que não está interessado em compromisso com a obra de Deus, você acha que ela vai querer algo serio com você? Imagina!!!
Não se engane. Deus tem a pessoa certa para você e, com certeza, esse alguém a acompanhará nos trabalhos da igreja e a incentivará a servir ao Senhor. Se a pessoa não se encaixa nesse perfil, vai um aviso: “Saia fora dessa!” Se não for cristão, então, nem preciso me alongar, não é mesmo? E não adianta ficar tentando dar jeitinho, achando que só porque a pessoa disse que vai começar a freqüentar a igreja, isso quer dizer que vá se converter de verdade.
Não corra riscos. Não aja em desacordo com a Palavra de Deus. Você tem o livre-arbítrio, a livre-escolha, mas o preço a pagar por uma decisão fora da vontade de Deus é muito alto. Não vale a pena trocar Jesus por namoro, por mais lindo e maravilhoso que ele seja.
2. Que Tal Orar?
“Então Gideão disse: — Ó Deus, tu disseste que queres me usar para libertar o povo de Israel. Pois bem. Vou pôr um pouco de lã no lugar onde malhamos o trigo. Se de manhã o orvalho tiver molhado somente a lã, e o chão em volta dela estiver seco, então poderei ficar certo de que tu realmente me usarás para libertar Israel. O que ele disse aconteceu. Na manhã seguinte Gideão se levantou, espremeu a lã, e dela saiu água que deu para encher uma tigela. Então ele pediu a Deus: — Não fiques zangado comigo. Mas deixa que eu fale só mais uma vez. Deixa, por favor, que eu faça mais uma prova com a lã. Que desta vez a lã fique seca, e que haja orvalho somente no chão em volta dela! E Deus fez isso naquela noite. A lã ficou seca, e o chão em volta ficou coberto de orvalho” (Juízes 6.36-40).
Se a pessoa for um cristão de verdade, que bom. Mas isso também não basta! Comece, ou melhor, continue a orar para que o Senhor prepare todas as coisas. Faça provas com Deus. Apresente ao Senhor em oração que tipos de gestos seriam necessários para que você tenha plena certeza de que este relacionamento tem a aprovação dEle. Espere e terá a resposta. Creia que Ele é poderoso para dirigir os seus passos em todas as áreas da sua vida “A tua palavra é lâmpada para guiar os meus passos, é luz que ilumina o meu caminho” (Salmo 119.105). Lembra-se da prova que Gideão fez com Deus?
3. E Se o Namoro Não Der Certo?
“Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele” (Romanos 12.2).
Se um relacionamento não estiver de acordo com a vontade de Deus, não tente fazer “armação”, nem finja que se confundiu. Não vale apena. O valor a ser pago por uma decisão sem a aprovação divina é muito alto. Não se esqueça que Deus tem o melhor para você. Não é uma decisão fácil, mas a vida não é feita só de escolhas simples. Muitas vezes precisamos renunciar vontades e desejos para atender ao que de Deus quer “E Jesus disse aos discípulos: — Se alguém quer ser meu seguidor, esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhe” (Mateus 16.24). E nunca esqueça que a vontade Deus para você é boa, agradável e perfeita.
4. Resposta Positiva!
Agora, se você tem a certeza da aprovação de Deus, busque também o Val dos seus pais. É isso mesmo! Parece complicado, mas o namoro abençoado tem que ter a aprovação da família! Mas faça tudo isso em oração, buscando a vontade de Deus. Se Deus não aprovar que vocês estejam juntos, numa relação aprovada por Ele, significa que tem algo muito melhor para vocês. Espere no Senhor, sempre!!!
CUIDE-SE
Além do ficar ser pecado, ainda pode ter conseqüências terríveis; no ficar são comuns os beijos, aliás, para alguém o ficar é simplesmente uma troca de beijos em um encontro. Aí está o perigo de sair beijando um e outro: primeiro correm o risco de pegarem uma “fama” nada agradável; e segundo estarem sujeitos a contraírem doenças...
Segundo os especialistas, o beijo pode transmitir algumas doenças. E não são poucas, não. Quer saber quais são?
1. Cárie. Você sabe muito bem o que é, não é?
2. Gengivite. Doença que atinge as gengivas! Ela faz com que as gengivas fiquem inchadas, vermelhas e até sangrem, em alguns casos.
3. Amidalite bacteriana. É a infecção das amídalas. Com a infecção, você sente dores fortes na garganta e febre.
4. Mononucleose. É transmitida por um vírus. Os sintomas são parecidos com os da gripe, mas depois aparecem outros, como dor na garganta e cansaço.
5. Herpes labial. Aquelas formosas bolinhas na boca. Ao beijar alguém que esteja com elas, você corre o risco de pegar a doença.
6. Hepatite. É... Hepatite mesmo! Aquela doença que atinge o fígado. Existem três tipos de hepatite: Tipo A, Tipo B e Tipo C; todas podem ser transmitidas através do beijo.
7. Sífilis. Essa é uma doença grave, que pode comprometer diversos órgãos como: pele, olhos, ossos, Sistema Nervoso e o Sistema Cardiovascular. Não é comum, mas pode ser transmitida por meio do beijo. Além desses casos, não se esqueça de que a afta é um tipo de ferida na boca. Ou seja, uma porta escancarada para a transmissão de varias doenças.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Deus pare de me abençoar!
Essa oração eu recomendo para muitos irmãos que eu conheço e que você também deve conhecer.
Tenho acompanhado com muita tristeza a história de muitos irmãos que chegam na casa do Senhor literalmente "sem nada" falta emprego, saúde, paz , o casamento esta por um fio Etc.
No inicio é uma benção.
O irmão não perde um culto, até em culto fúnebre ele vai. Mas a benção chega para a nossa tristeza aquele irmão que era tão fervoroso, agora tem um carro novo e acha melhor ir a praia que a igreja, aquele que estava com o casamento restaurado prefere viajar para curtir a família e esquece do Senhor.
Aquele empresário que chegou falido, agora trabalha dia e noite para vencer os pedidos dos clientes.
Esse é o retrato da Igreja atual.
Lembro quando as escrituras dizem que no tempo do profeta Joel o povo estava fartos de benção a ponto de esquecerem da casa do Senhor. Deus agiu com rigor enviando uma praga de gafanhotos que destruiu tudo que tinham. Esse foi o meio usado por Deus para fazê-los retornaram para Sua casa!
Não sei como você esta nesse final de semana. Será que você se esqueceu das bênçãos que Deus tem te dado a cada dia? Veja o que Deus fez com você, onde você estava e onde esta agora. Minha oração é para que Deus tenha misericórdia de todo aquele que tem se esquecido da sua obra por esta nadando nas bênçãos recebidas.
Volte logo antes que os gafanhotos cheguem.
PORQUE NUNCA ESTAMOS PREPARADOS PARA MORTE?
A resposta a esta pergunta é simples: porque não fomos criados para morrer. Deus não criou os seres humanos para morrerem, mas para viverem muitíssimo bem, tendo pleno prazer nele enquanto o glorificassem para sempre. Curiosamente, dentro do plano de Deus para a redenção de seres humanos, encontra-se a ressurreição de nossos corpos em corpos glorificados e incorruptíveis, ou seja, que não morrerão jamais. Algo mais que nos é dito na Palavra de Deus é que Ele criará Novos Céus e Nova Terra.
A morte representa uma separação momentânea (aparentemente final), entre amigos e familiares. E, mesmo que tenhamos consciência disso, nunca estaremos preparados para isso. Não fomos criados para esse momento. Por isso, ele é tão terrível para nós. Mesmo quando "esperamos" o falecimento de alguém (alguém que já está doente há muito tempo), ainda assim nos é dolorosa a hora da separação, a hora em que experimentamos o fato de que nunca mais veremos tal pessoa diante de nós.
O que existe após a morte?
O fato é que a Bíblia nos consola com a esperança de que, do outro lado da eternidade, reencontraremos pessoas que perdemos deste lado da eternidade. No entanto, o reencontro não será uma realidade para todos. O lado triste da informação bíblica é que, aqueles que não mantêm intima comunhão com Deus, tristemente não reencontrarão seus queridos após a morte.
A vida continua após a morte. Embora nosso corpo volta à terra, nosso espírito volta a Deus, que no-lo deu. Das mãos de Deus, nosso espírito toma o rumo que Ele quiser. Céu ou inferno. E isto também é fato. O próprio Cristo, que veio do lado de lá da eternidade, e que conhece todas as coisas no céus e na terra, falou sobre a realidade desses dois lugares. Suas palavras estão registradas no Evangelho Segundo São Lucas, capítulo 16.
Portanto, a fim de que tenhamos esperança e paz de que, após a nossa própria morte, receberemos as boas-vindas de Deus em Seu céu, necessário se faz que nos arrependamos de nossos pecados, que nos arrependamos de tudo aquilo que se chama pecado. Todos sabemos o que é pecado. Todos sabemos das coisas que ofendem a Deus e que ferem Sua santidade. Precisamos nos arrepender de tudo isso. Dar as costas para o pecado. Negarmos a nós mesmos, e tornarmo-nos seguidores de Jesus Cristo, buscando conhecer Sua vontade e obedecer Suas Palavras.
Essa conversão a Cristo é o que nos trará paz e esperança. Sem Jesus, permaneceremos desesperados e cheios de medo do amanhã. Sem Jesus, jamais viveremos no céu.
Mas, e quanto àqueles que já morreram? Como saber se estão no céu com Deus?
Não temos como saber. A Bíblia nos proíbe julgar quem está ou não no céu. Além disso, nos proíbe também de julgar quem são aqueles que estarão no Novo Céu e Nova Terra.
O certo é que estarão somente os convertidos a Jesus Cristo. E os convertidos são aqueles que amam a Jesus com todo seu coração, com toda a sua força e com todo o seu entendimento. Nós não podemos julgar o amor que há no coração do próximo por Deus. Isso é algo pessoal, interior, e impossível de julgar com precisão.
Só vai para o céu pessoas convertidas e que amam a Deus e ao Seu filho Jesus mais do que tudo nesse mundo. Essas pessoas são aquelas que se arrependeram de seus pecados com todo seu coração. O FATO É QUE, nenhum de nós sabe o que Deus é capaz de fazer na mente e no coração de alguém diante da morte. Com o exemplo do ladrão na cruz ao lado de Jesus, todos esperamos que aqueles a quem amamos, e que morreram após uma vida no pecado, tenham se arrependido também na última hora.
Como podemos consolar os familiares que perdem um ente querido?
Infelizmente, a única resposta para essa pergunta é: NÃO PODEMOS!
Não há em nós a capacidade de consolar o coração enlutado. Por mais que abracemos, choremos junto, procuremos palavras de conforto, nada é capaz de apagar a tristeza ou diminuir a dor no coração de quem chora pela triste e irremediável separação. Como já disse, não fomos criados para esse momento.
No entanto, a Bíblia nos apresenta a terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo. Chamado por Jesus de "o Consolador", o Espírito Santo é quem tem a capacidade de trazer paz, consolo e conforto ao coração das pessoas que perderam entes queridos. Ele é o único que pode promover uma paz que excede toda explicação e entendimento. Dele vem uma paz que, aquele que a recebe, não consegue entender nem explicar.
Só o Espírito Santo pode consolar o coração de quem chora e sofre pela perda de alguém que ama. Este é mais um motivo pelo qual pessoas devem buscar estar em paz com Deus, arrependidos e perdoados de seus pecados. Esta paz não está disponível a todos, mas apenas àqueles que buscam diariamente a pessoa de Jesus, pois O amam. Diariamente falam com Deus (através da oração) e ouvem a Deus (através da leitura da Bíblia Sagrada – seja ela lida, narrada, pregada ou cantada). Tais pessoas não sabem de onde vem tanta força e tanta paz.
Por fim, deixo as sábias palavras do Rei Salomão, e a parábola que Jesus contou sobre os dois lados da eternidade. Leiam e reflitam sobre elas. Deus abençoe cada um de vocês.
"É melhor ir a uma casa onde há luto do que ir a uma casa onde há festa, pois onde há luto lembramos que um dia também vamos morrer. E os vivos nunca devem esquecer isso. A tristeza é melhor do que o riso; pois a tristeza faz o rosto ficar abatido, mas torna o coração compreensivo. Quem só pensa em se divertir é tolo; quem é sábio pensa também na morte. É melhor ouvir a repreensão de um sábio do que escutar elogios de um tolo."
Salomão, em seu livro Eclesiastes, capítulo 7, versos 2 a 5
"Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós. Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos."
Jesus, no Evangelho Segundo São Lucas, capítulo 16, versos 19 a 31.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
TRÊS FORMAS DE ORAR POR SEU INIMIGO
"Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo”. Disse Jesus em seu famoso sermão do monte,” Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” (Mateus 45:13-14)
Se você já se perguntou por que muitas pessoas se recusaram a seguir Jesus durante a sua vida, você acabou de ler um desses motivos.
Em nossos dias, temos usado tanto o termo "inimigo", que esta palavra perdeu muito do seu valor impactante. Hoje, "inimigo" é usado principalmente em referência a pessoas que são rudes conosco ou que nos tratam com grosserias. Nós até mesmo usamos a expressão "inimiga" para se referir a uma pessoa que finge ser amiga ou para alguém que realmente é um amigo, mas que também se caracteriza como rival.
Mas nos dias de Jesus, os judeus em Israel tinham inimigos reais. Durante toda a sua jornada de existência como um povo, eles tinham germinado muitos inimigos - da escravidão no Egito para o estado de ocupação por seu mais recente inimigo, o Império Romano. Dizer-lhes para amar e orar pelos inimigos era semelhante a dizer aos cristãos no Iraque para amar e orar pelo Estado Islâmico.
No entanto, é exatamente o que Jesus estava dizendo. Quando Jesus deu o mandamento de amar e orar por nossos inimigos Ele sabia que um dia iria exigir oração por grupos extremistas islâmicos como o ISIS e Al-Qaeda que assassinam sua Noiva. Jesus estava dizendo que quando pensamos dessas pessoas, já nem sequer deemos vê-los como inimigos. Como John MacArthur explica, "não devemos ser inimigos daqueles que podem ser inimigos para nós. Da perspectiva deles, nós somos inimigos; mas a partir de nossa perspectiva, eles devem ser nossos vizinhos. "
Mas como podemos fazer isso? Como devemos orar por esses vizinhos que querem assassinar membros de nossa família? Essa tarefa é difícil, mas existem três maneiras específicas de orar por aqueles que estão envolvidos na perseguição contra os cristãos:
1. Orar por sua conversão
Há duas razões principais para que não oremos pela conversão dos extremistas islâmicos. A primeira razão é que nós acreditamos que é absurdo pensar que eles vão se tornar cristãos. A segunda razão é que temos medo de que eles possam realmente se converter.
A primeira razão é mais comum, uma vez que orar para terroristas se converterem parece ser um apelo inútil. Reconhecemos a verdade teológica de que Deus pode fazer por eles o que ele fez por nós: proporcionar o dom da graça para que eles possam ser salvos (Efésios 2: 8). Mas olhamos para a situação "realista" e nos dizemos que a probabilidade de conversão genuína é tão perto de zero que seria um desperdício do nosso tempo (e do de Deus) se preocupar em pedir.
Sem dúvida, tais conversões são improváveis e raras. No entanto, devemos orar por elas de qualquer maneira. Se realmente amamos o nosso inimigo, como poderíamos não, pelo menos, rogar a Deus em seu nome?
Outra, menos freqüente, razão pela qual não oramos pela sua conversão é porque nós tememos que eles possam realmente se arrepender. Como Jonas em Nínive, queremos que os nossos inimigos recebam suas justas penas, não misericórdia e perdão. Considere todos os cristãos que obedientemente oraram pelos nazistas. Como eles se sentiriam se eles descobrissem que Hitler, nos momentos antes de sua morte, tinha realmente se arrependido de seus pecados e foi perdoado por Deus? Muitos desses cristãos teriam se sentido enganado, como se fosse injusto de Deus perdoar esses crimes horríveis. Eles provavelmente iriam querer reclamar, como Jonas fez quando Deus poupou os ninivitas, "Eu sabia que tu és Deus misericordioso e compassivo, muito paciente, cheio de amor e que prometes castigar, mas depois te arrependes." (Jonas 4: 2)?
Mas é exatamente porque ele é um Deus clemente e compassivo que devemos orar pela conversão dos nossos inimigos. Como poderíamos fazer algo além do que pedir a Deus para mostrar-lhes a mesma graça que nos foi mostrado?
2. Ore para que o mal que eles fazem seja contido
Não há dicotomia em orar para o bem de nosso inimigo e orar para que suas más ações sejam contidas. É para o seu benefício, bem como o nosso, que eles sejam impedidos de cometer mais maldade. Para aqueles que endureceram seu coração contra Deus, seria melhor que a sua vida fosse encurtada do que se continuasse a perseguir seus filhos.
A proteção de inocentes de serem mortos pode exigir que os governos humanos tomem uma ação militar contra os extremistas islâmicos. Estamos autorizados a apoiar o uso da força apenas para restringir esse mal. Mas devemos lembrar que, enquanto a morte dos terroristas pode ser a única forma eficaz de coibir suas ações, não devemos regozijar-nos o seu sofrimento ou morte (Provérbios 24:17).
3. Ore para que eles recebam a justiça divina
Assim como buscamos a justiça na terra das autoridades governamentais devidamente estabelecidas, podemos buscar a justiça divina de nosso Deus santo. Como John N. Day diz: "ao passo que amor e bênçãos são a ética característica dos crentes de ambos os Testamentos, julgar e pedir vingança divina são de extrema ética e podem ser expressos em circunstâncias extremas, contra endurecido, enganosidade, violência, imoralidade e pecadores injustos”.
Ao pedir que a justiça divina seja feita, devemos ter o cuidado de proteger os nossos motivos. Orar por justiça divina pode ser uma maneira de contornar o nosso dever de amar o nosso inimigo. É certo que devemos deixar a vingança para Deus, não devemos esquecer o que é ordenado de nós. Como Paulo escreve em Romanos 12: 19-21 :.
Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.
Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.
Em nossas orações, o pedido de justiça divina deve ser incluído como última opção, um apelo, para que se faça o necessário para aqueles que nem se voltarão para Deus, nem se afastarão da prática do mal.
domingo, 14 de setembro de 2014
O VENENO DA SERPENTE
No antigo Testamento, quando o povo peregrinava em direção à terra prometida, algumas pessoas se rebelaram contra Moisés e Deus. Então, o Senhor enviou serpentes que picaram o povo e muita gente morreu. O povo percebendo o seu pecado pediu a Moisés que orasse ao Senhor. Moisés orou, e o Senhor em resposta, pediu que ele fizesse uma serpente e a colocasse sobre uma haste para que todos aqueles que olhassem para ela vivessem. Moisés fez a serpente e a levantou no meio do povo, e os que tinham sido picados não morreram. Nm 21. 5 – 9
Mas, antes deste fato, outras pessoas, Adão e Eva, já tinham sido picadas, por desobediência e rebeldia, por outra serpente, o diabo. Este fato aconteceu no Jardim do Éden, quando o casal dando ouvidos à serpente desobedeceu a Deus, foi picado por ela e enfrentou consequências terríveis. Gn 3
Em Adão e Eva, todos aqueles que nascem debaixo do sol, já nascem com o veneno da serpente, que é o pecado original que habita o ser do homem. Rm 5.12. Neste casal todos nós fomos picados pela serpente e estamos com a nossa existência envenenada.
O relato mais vívido dos efeitos do veneno da serpente em nós foi evidenciado por Paulo em sua carta aos romanos:
“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado”. Rm 7.18 – 25
Isto quer dizer que todos os pecados que cometemos são os efeitos do veneno da serpente em nós. E, este veneno, que gera morte espiritual, vai gerar morte eterna. Todos pecamos, pelo veneno da serpente, e carecemos da graça de Deus.
Por isso, “do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna”. João 13.14,15
Na cruz, Jesus foi levantado, como a serpente de Moisés, para que todos, olhando para Ele em fé, não morressem, mas tivessem a vida eterna. O antídoto da graça foi dado na cruz, o sangue de Jesus. Este antídoto não remove o veneno da serpente, mas o controla. O veneno só será retirado de nós, quando recebermos o novo corpo na segunda vinda de Jesus. 1 Co 15. 51 – 58.
Portanto, a vida cristã é um eterno olhar para cruz, para que o veneno da serpente seja controlado e vivamos uma vida para glória Daquele que nos amou ao ponto de enviar o seu Filho unigênito, para que por meio Dele, não morrêssemos, mas tivéssemos vida e vida com abundância.
Apenas no Evangelho, que o veneno da serpente é controlado pela obra da Cruz.
Assinar:
Postagens (Atom)