Conheço uma jovem mãe que é muito empenhada. Possuimuitos dons culinários. É alguém que sabe o que quer e que aceita ser orientada. Estendi a mão num momento de necessidade. Num dia desses recebi essa mensagem: ‘Eu acho incrível a forma como o senhor incentiva as pessoas a irem atrás do que queremos com o próprio esforço. Sempre deixou claro: Quer ajuda? Eu posso ajudar, mas você também vai se ajudar.’ Fiquei feliz com o recado, pois percebi que ela havia compreendido que existia uma parte que só ela podia fazer. É importante ajudar quem se ajuda. A disposição para ajudar é uma virtude que aproxima as pessoas e fortalece os vínculos. No entanto, quando essa disposição se transforma em hábito inquestionável, começamos a assumir funções e responsabilidades que não são nossas. A intenção pode ser boa, mas o efeito nem sempre é. Ao resolver tudo para todos, enviamos uma mensagem silenciosa: podem deixar que eu dou conta. E é justamente aí que mora o perigo. As pessoas ao nosso redor se acomodam e deixam de desenvolver suas próprias capacidades de enfrentar e resolver desafios. No início, pode parecer mais rápido e até mais eficiente fazer por conta própria, mas, com o tempo, isso se transforma em um peso injusto. Além disso, privamos os outros da oportunidade de crescer e se fortalecer diante das dificuldades. Aprender a estabelecer limites é um ato de amor próprio e também de amor ao próximo, pois ensina que cada um é responsável por sua parte. Não é frieza, é maturidade. É permitir que a vida ensine a todos, não apenas a nós. O verdadeiro apoio não é carregar tudo sozinho, mas estar presente para orientar, encorajar e, quando necessário, estender a mão. O restante deve ser assumido por quem precisa aprender a caminhar com as próprias pernas. Assim, protegemos nossa energia, preservamos nossa paz e cultivamos relações mais equilibradas, onde cada um reconhece e honra seu papel.
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