Um elogio faz um bem enorme, todos sabemos disso. Guardo comigo elogios que determinaram o meu viver. Uma crítica, quando não é construtiva, pode desestruturar e desanimar. Mas não podemos depender de elogios para crescer. Ser autônomo é a estatura ideal para todos. Mas quando a própria segurança depende da aprovação alheia, o coração passa a viver como folha ao vento, movido por opiniões que mudam conforme o humor e o interesse de cada um. O elogio pode ser um gesto bonito, uma palavra que encoraja e aquece, mas não pode se tornar alicerce da identidade. Quem constrói a própria confiança apenas sobre o reconhecimento externo experimenta oscilações constantes, porque nem sempre haverá aplauso, compreensão ou validação. Há momentos em que o caminho escolhido será solitário, e ainda assim será o caminho certo. A maturidade espiritual ensina que o valor pessoal não nasce do olhar do outro, mas da consciência de quem somos diante de Deus. Ele nos conhece por inteiro, inclusive nas partes que ninguém vê, e ainda assim nos sustenta com amor. Essa certeza é mais firme do que qualquer elogio passageiro. Quando aprendemos a reconhecer nossas virtudes e limites com honestidade, a comparação perde força e a necessidade de aprovação diminui. O silêncio deixa de ser ameaça e se torna espaço de crescimento. Confiar em si não é arrogância, é aceitar que há dons e capacidades que foram confiados a nós por uma razão maior. É possível acolher um elogio com gratidão sem se tornar dependente dele. A verdadeira confiança floresce quando sabemos que estamos sendo fiéis ao que acreditamos, mesmo que ninguém esteja observando. E nessa fidelidade discreta, a alma encontra estabilidade. Já não precisa provar nada, apenas ser inteira. E ao permanecer inteira, descobre que a segurança mais profunda não vem do aplauso, mas da coerência entre o que se é e o que se vive.
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