Amnom não errou de repente, ele foi permitindo dentro dele aquilo que nunca teve coragem de tratar. A Bíblia diz em 2 Samuel 13 que ele “amava” Tamar, mas o que ele chamava de amor não sustentava verdade, não respeitava limite e não carregava temor, porque quando algo dentro de você não é governado, ele começa a se disfarçar para continuar existindo sem ser confrontado. Amnom não se expôs, ele se escondeu atrás de um personagem, fingiu estar doente, criou um ambiente favorável, usou proximidade para ter acesso, e isso mostra que nada foi impulsivo, foi construído. Existe diferença entre quem cai e quem prepara o cenário para cair, e Amnom não perdeu o controle no momento, ele já vinha cedendo em silêncio, alimentando, protegendo e justificando aquilo dentro dele até encontrar oportunidade de manifestar. E quando finalmente acontece, a Bíblia não suaviza, em 2 Samuel 13:15 diz que o ódio que ele passou a sentir foi maior do que o “amor” que dizia ter, ou seja, nunca foi amor, era desejo sem limite, vontade sem governo e um coração desalinhado, porque o que é verdadeiro não se transforma em desprezo depois de satisfazer a si mesmo. Amnom não se revelou no erro, ele apenas manifestou o que já existia dentro dele, porque caráter não aparece no momento, caráter se revela quando a oportunidade encontra aquilo que foi cultivado em secreto.
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