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domingo, 24 de maio de 2026

ESFORCO



“Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Sl 127.1). 


O homem caído vive desligado de Deus. Suas vontades são autônomas, impulsos que partem de um coração completamente separado do Senhor. Dessa forma, não há qualquer preocupação no incrédulo quanto à real necessidade de algo, isto é, se aquilo será bom se pensado quanto a um propósito maior em sua vida. Se ele quer ele simplesmente faz. No entanto, o crente é aquele que tem a mente de Cristo. Isso quer dizer que ele pode verdadeiramente acessar o propósito do Senhor para si, o que a Teologia chama de vontade decretiva de Deus. Quanto mais perto de Cristo, quanto mais profundamente descer na comunhão diária com o Salvador, mais será sensível àquilo que o Senhor quer para ele. Isso não implica um conhecimento objetivo, como se pudesse entrar na mente divina e compartilhar seus decretos, mas algo místico e sobrenatural, a sensibilidade de entender claramente a decisão a ser tomada e aquilo a ser feito. Ele passa a enxergar as coisas com clareza e toma decisões seguras, não baseadas simplesmente em ganhos materiais ou satisfações pessoais. Ele é sensível a um direcionamento que incide em seu entendimento de forma sobrenatural. 


Portanto, antes de pensarmos no esforço de cada um, devemos pensar na orientação quanto àquilo que precisamos fazer. O verso epigrafado expressa de forma clara e cristalina nossa total e completa dependência de Deus, o que inclui não apenas as forças para fazer, mas a orientação para tal. A forma como o salmista se expressa enfatiza o pacto de Deus para agir com misericórdia para com seu povo. Tanto o trabalho dos homens para edificar a cidade, quanto o esforço humano para guardar o produto-final, só podem obter sucesso por causa do compromisso do Senhor em abençoar o povo que vive a aliança com ele. Por isso, o salmista faz questão de utilizar o nome de Deus. Quando o Senhor revelou seu nome, estava se abrindo para um relacionamento profundo conosco. Quão necessária é a bênção de Deus em tudo o que fazemos! Certamente, a rotina acaba por solapar, muitas vezes, nossa consciência da dependência de Deus. Enchemo-nos de atividades que nos fazem escravos do tempo e de realizações. Nossa vida se torna o cumprimento de tarefas e perdemos de vista que, para cada uma delas, desde as menores até as maiores, precisamos do auxílio, do cuidado e da direção do Senhor. No entanto, entramos em um modo “automático” e simplesmente vamos fazendo tudo o que estamos acostumados a fazer, às vezes, até os exercícios devocionais. 


Há também aquelas ocasiões nas quais nossa vontade está diretamente envolvida. Podem ser resultantes de meros desejos do coração, ou mesmo, de reais necessidades. Nessas ocasiões, quantas vezes corremos desesperados para concretizar aquilo que queremos ou precisamos! Dessa forma, ao surgir uma oportunidade em relação a algo que muito ansiamos, precipitamo-nos na busca da sua consolidação. Todavia, há ainda o caso das oportunidades, ou seja, experiências e realizações que talvez nunca houvéssemos pensado, mas diante da possibilidade e do oferecimento, percebemos ser ocasião excelente de satisfação pessoal. Assim, ao identificarmos qualquer vantagem, agimos quase que por instinto, sem nem mesmo submeter tal questão à vontade de Deus. Percebe-se que, quando agimos, quer por rotina, quer por desejo de nossos corações na vontade, na oportunidade ou na necessidade, fazemos isso para nós mesmos, não para a glória de Deus. Perdemos a dimensão real de como o crente deve viver. 


No entanto, se somos crentes, necessitamos do aval de Deus. Na verdade, mesmo essa ideia apresenta-se incorreta, pois quem deve ir adiante é Deus. Em outras palavras, em nossa vida jamais devemos assumir a posição de proponentes das coisas, fazendo do Senhor aquele que vem atrás, como que “constrangido” a concordar conosco. É ele quem deve propor; é a vontade dele que deve ser estabelecida em nossa vida. Mas, como saber a vontade de Deus? A resposta não é muito difícil. Já a apontamos acima: quanto mais intimidade com Cristo tivermos, mais sensíveis à sua vontade seremos, mais discernimento espiritual teremos. Todavia, parece que, como tem ocorrido com a maioria dos chamados crentes, assim que percebemos algo que está em consonância com a nossa vontade, começamos logo a chamar aquilo que bênção e a agradecer ao Senhor a oportunidade. Contudo, na realidade, não estamos nem um pouco interessados naquilo que Deus pensa e sim na materialização daquilo que tanto queremos. Será que não entendemos que sem a bênção de Deus, mesmo as coisas mais prazerosas serão dores e aquilo que parece ser o sonho de realização de uma vida será apenas destruição? O doce se tornará inevitavelmente amargo, o frescor, secura. 


O que Salomão está ensinando (talvez Davi a Salomão) é que mesmo os maiores e melhores esforços, ainda que com as melhores das intenções, não resultarão real benefício se o Senhor não abençoar o propósito, ou, se não for o reflexo do próprio desígnio de Deus. Não adianta a correria e as constantes ansiedades que têm como consequências inevitáveis a escravidão do tempo e o tornar a nossa vida um conflito pessoal. Lancemos sobre Deus as nossas ansiedades porque ele tem cuidado de nós. Esperemos nele e em sua bênção. Não nos precipitemos em nossas atitudes. Certamente esse é o caminho da bênção de Deus. O Senhor tem muitas e belas surpresas para aqueles que esperam e confiam nele. Saibamos que o Senhor não está para nos servir, mas nós é que existimos para ser seus servos. Agradeçamos por tantas bênçãos e alegrias que o Senhor já tem concedido a nós, seus filhos. Esperemos somente nele. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

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