A eterna procedência do Espírito
“E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20:22)
Explorar as informações bíblicas sobre o Ser de Deus é, ao mesmo tempo, um deleite para a alma e um risco de incompreensão. A mente humana é muito limitada para lidar com verdades relacionadas ao Eterno. Tudo o que aprendemos é por comparação. Como crianças, nossas mentes assimilam verdades fundamentais que servirão como parâmetros para, por comparação, assimilar verdades mais sofisticadas com o crescimento e a consequente maturação. Assim, percebemos que não há experiência nesta terra que possa servir de referência para a compreensão do Ser de Deus. Conclui-se que o único parâmetro de comparação para assimilar Deus é ele mesmo.
Certamente, é por isso que o mundo não pode recebê-lo se ele não se revelar, pois não há nada como Deus na experiência do homem sem Cristo. Mas para aqueles que o conhecem, ele assimila em suas almas verdades que não são apenas teóricas, mas também experienciais. Deus se revela ao escolhido cada vez mais nos momentos de devoção diária, uma realidade que não pode ser simplesmente traduzida em papel. A Confissão de Westminster (CFW), ao falar da Trindade, declara: “Na unidade da Divindade, há três pessoas de uma só substância, poder e santidade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Pai não é de ninguém — não é gerado nem procede de ninguém; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo procede eternamente do Pai e do Filho” (CFW II. III).
Embora em três pessoas, isto é, com suas próprias vontades e sentimentos, eles formam um só Deus, harmonioso em todas as suas relações uns com os outros. O Filho é igual ao Pai (Hb 1:3) e o Espírito igual ao Filho (Jo 14:16). Eles são inseparáveis e mutuamente manifestos, ou seja, onde uma pessoa está, todas estão. Quando nos aprofundamos nas Escrituras em busca de informações sobre a Trindade, o Evangelho de João, e especialmente o relato do discurso de Jesus na noite em que foi traído, é uma fonte muito importante.
Desde o início do quarto evangelho, João afirma a divindade de Cristo (João 1:1-3). No mesmo capítulo, ele chama abertamente Cristo de Deus: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (João 1:18). Aqui, a referência ao “Deus unigênito” diz respeito claramente a Jesus. Mais tarde, no Cenáculo, Cristo faz diversas declarações sobre a Terceira Pessoa da Trindade. Nesse discurso, torna-se evidente a afirmação da fé cristã a respeito da procedência do Espírito Santo do Pai e do Filho. João registra de forma ordenada tanto a origem quanto a conexão indissolúvel do Pai e do Filho com o Espírito Santo. Jesus afirma: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim (João 15:26; veja também 16:7).
Jesus envia o seu Espírito, que procede do Pai. Nisto, percebe-se uma dupla origem. Essa verdade também pode ser vista no fato de que não apenas Jesus, mas também o Pai, são colocados como aqueles que enviam o Espírito: “Tenho-vos dito estas coisas enquanto ainda estou convosco; mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar tudo o que eu vos tenho dito” (João 14:25-26). Visto que Jesus e o Pai são um (João 10:30), ambos enviam o Espírito que procede eternamente deles.
Outro argumento se baseia na identidade (igualdade) de Jesus com o Espírito. No discurso do Cenáculo, Jesus diz: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (João 14:16). A expressão “outro Consolador” refere-se a outro exatamente igual. O que o texto afirma é que o segundo Consolador (o Espírito) é exatamente idêntico ao primeiro (Cristo). Portanto, assim como o Filho é gerado eternamente do Pai, o Espírito é gerado eternamente do Pai e do Filho.
No texto epigrafado, Jesus sopra o Espírito sobre os apóstolos, antecipando aquilo que faria no Pentecoste, quando batizaria sua Igreja enviando o Consolador. O Espírito Santo é o Emanuel definitivo, aquele que habitou o coração do Adão Perfeito, soprado pelo Pai na Criação. Como Casa de Deus, todos os crentes temos o privilégio da presença constante do Consolador, capacitando, fortalecendo, consolando e exortando. Busquemos a comunhão do Espírito, vivendo para a glória de Deus diuturnamente. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus
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