“.. Era uma vez um menino que acreditava que os sonhos tinham asas invisíveis. Todas as noites, antes de dormir, ele fechava os olhos e imaginava uma pequena porta no meio do seu coração. Por essa porta, ele entrava em mundos que ninguém mais via; mundos de cores que não existiam nos livros de pintura, de melodias que não cabiam em nenhuma canção, de histórias que nunca tinham sido contadas.
Na primeira noite em que ousou atravessar essa porta, encontrou um campo imenso de estrelas plantadas como flores. Elas brilhavam em tons de azul, dourado e violeta, e cada uma delas guardava um segredo que alguém, em algum lugar, sonhava em silêncio. O menino caminhava entre elas, curioso, até perceber que algumas flores-estrelas brilhavam mais fraco. Quando se aproximou de uma, ouviu sua voz sussurrar:
- “Eu sou o sonho de alguém que desistiu…”
Aquelas palavras o tocaram fundo. Então ele decidiu colher aquela estrela e guardá-la em seus bolsos, com a promessa de que não deixaria o sonho morrer.
Na noite seguinte, atravessou a porta de novo. Desta vez, o mundo era feito de rios suspensos no céu. Ele navegava em um barquinho feito de papel dobrado, e a corrente o levava para lugares que só existiam no desejo das pessoas. Passou por uma ponte que ligava duas montanhas: uma feita de coragem, a outra feita de medo. Para atravessar, precisou cantarolar baixinho uma música que nem sabia que sabia; e, de repente, o medo se dissolveu, transformando-se em pequenas borboletas que o seguiram no caminho.
Assim, noite após noite, o menino viajava por paisagens que nasciam daquilo que mora dentro de cada coração humano: sonhos esquecidos, esperanças adormecidas, desejos escondidos. Ele entendia, aos poucos, que sonhar não era apenas um passatempo da noite, mas uma forma de manter a alma viva durante o dia.
Um dia, já mais crescido, quis compartilhar esse segredo. Contou às pessoas que os sonhos não são apenas ilusões, mas sementes. Que alguns germinam rápido, outros levam anos, mas todos precisam de alguém que acredite. Muitos riram, outros duvidaram. Mas havia sempre um olhar que brilhava, um coração que se lembrava da porta que também guardava no peito.
E assim, o menino; agora um homem; seguiu sua caminhada. Não deixou de atravessar a porta dentro de si, nem de recolher estrelas apagadas pelo cansaço do mundo. Porque aprendeu que sonhar é, de certo modo, cuidar: cuidar de si, dos outros, e do que ainda não existe, mas pode vir a existir.
E talvez seja esse o verdadeiro segredo dos sonhos; não são apenas fantasias, mas mapas. E cada vez que alguém ousa segui-los, um novo mundo começa a nascer..”
📝❤️🩹
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