Existe uma dor que a gente tenta esconder servindo. A pessoa está sangrando por dentro, mas continua tentando levantar todo mundo. Ouve desabafos, aconselha, acolhe, ora, corre, segura outras pessoas, mas quando fica sozinha percebe que ainda está aberta, cansada e sem forças. O problema é que uma ferida não tratada não desaparece porque você decidiu cuidar dos outros. Ela continua drenando sua força, sua paz, sua visão e até a sua forma de amar.
Tem gente tentando socorrer pessoas enquanto perde sangue no caminho. Tentando curar casas enquanto a própria alma está em pedaços. Tentando ser abrigo enquanto por dentro está desabando. E chega uma hora em que ajudar sem se tratar vira peso, vira cobrança, vira esgotamento e até amargura. Porque ninguém consegue oferecer cura saudável enquanto ignora a própria dor.
Jesus nunca nos ensinou a viver fingindo força. Ele também se retirava, parava, chorava, buscava o Pai e respeitava o limite do corpo e da alma. Cuidar de si não é egoísmo, é responsabilidade. Estancar a ferida não é abandonar pessoas, é parar de tentar salvar todo mundo enquanto você mesmo está morrendo por dentro.
Antes de correr para levantar alguém, olhe para aquilo que ainda sangra em você. Antes de responder todo pedido, pergunte se sua alma ainda tem fôlego. Antes de carregar mais uma dor, permita que Deus trate a sua. Porque quando a ferida é ignorada, ela começa a falar por você. Você ajuda cobrando, ama cansado, serve ferido e entrega aos outros uma versão sua que já não aguenta mais.
Deus não quer apenas usar suas mãos para socorrer pessoas. Ele também quer tocar nas feridas que você aprendeu a esconder. Hoje, talvez a decisão mais espiritual não seja fazer mais, correr mais ou carregar mais gente. Talvez seja parar diante de Deus e dizer: Senhor, antes de eu cuidar de alguém, cuida do que ainda está sangrando em mim.
“Ele sara os quebrantados de coração e lhes ata as suas feridas.” Salmos 147:3
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