Total de visualizações de página

sexta-feira, 5 de junho de 2026

FIM

 

“Não confieis em príncipes nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia perecem todos os seus desígnios” (Sl 146.4, 5).

 Esta existência regida pelo tempo indica sempre um fim. Tudo passa. Mesmo a forma de iniciar a narrativa bíblica com a sugestiva expressão “no princípio” sugere um percurso que necessariamente levará a um final. Dizendo isso de outra forma, as Escrituras são reveladas da perspectiva de uma humanidade já caída, que reflete um mundo onde tudo passa. Por causa disso, como não poderia deixar de ser, a vida humana é descrita como o concluir um breve pensamento (Sl 90.9). Somos um diminuto parágrafo na enciclopédia da existência. Tendo perdido a eternidade, a humanidade equivale a vida a uma medida de tempo, que não costuma passar dos oitenta anos. O que passa disso é canseira e enfado. Os ciclos que regem a Criação, como o solar e o lunar, agora submetem o homem a testemunhar apenas alguns deles, na forma de meses e anos.

Não há força determinante nos seres humanos, apenas circunstancial, relativa ao tempo de uma situação, quiçá a própria vida. Nos parcos e pálidos dias de uma Criação descolorida pelo pecado, ajunta seus maiores e melhores esforços para alcançar aquilo que pretende, apenas para ver tudo envelhecer, mofar, enrugar. Os mais conscientes da existência percebem-se como ampulheta, notando que a vida escoa irreversível e inevitavelmente. O fim pode chegar mesmo antes da areia acabar, quando, por algum motivo, a ampulheta se estilhaça caída ao chão.

No entanto, para o crente em Jesus, a perspectiva de que tudo termina não é necessariamente má. Problemas também passam, assim como doenças, imbróglios familiares, dificuldades financeiras etc. Significa dizer que o tempo que arrasta tudo para seu determinado fim é aliado daquele que está unido indissoluvelmente a Jesus, aquele que já passou da morte para a vida. Sabe que mesmo as maiores dores e perdas também são desgastadas pelo tempo. Mesmo a dor física, que pode ser intensificada com o agravamento de uma doença, alcançará inevitavelmente seu fim no último resfolegar. O que aguarda o nascido de novo, que já habita um novo mundo que está sendo refeito e restaurado, é apenas vida, onde não há choro, perdas, separações, traições ou enfermidades. É a existência na qual a morte já não existirá, onde lágrimas são sinônimo apenas de alegria indizível.

Enquanto nesta terra, mesmo aquilo que é irreversível, por isso, permanente, aprendemos a conviver. Porém, é importante diferenciarmos dois conceitos: não confundamos o real com o definitivo. A ideia da realidade muitas vezes nos sugere aquilo que é perene e irreversível. Contudo, embora a presente existência seja real, é tão real quanto a fumaça ou a neblina. Elas existem, mas rapidamente se dissipam. As experiências que já vivemos são reais, mas não existem mais no tempo, apenas na memória. O fato de agora existirmos neste estado caído não implica algo definitivo. A dimensão definitiva é outra e está além do final de nossa experiência terrena.

Consequentemente, tudo o que fazemos, nossos esforços diários na vida quotidiana, só têm algum sentido se os dedicarmos ao Senhor. Neste caso, tudo o que realizarmos será contado na eternidade. Caso contrário, é fumaça lançada ao vento. Muitos finais teremos que testemunhar durante nossa breve passagem. Coisas boas e ruins passarão, até que chegue o momento de nossa passagem. Pessoas queridas vão nos preceder na eternidade. A confiança, portanto, tem de estar naquilo que é definitivo e irreversível: Deus, não nos homens. A segurança se torna sinônima de confiança. Toda a possibilidade percebida pelo homem natural está fundada no passageiro e no que se esvai. No dia da morte de um ímpio confirma-se a futilidade de sua vida. Com ele morrem todos seus ídolos e deuses. Não há qualquer esperança. Ainda que tenha deixado algum legado de conhecimento, nada de eterno foi construído. Consequentemente, nada de bom resultará quando a neblina da vida se dissipar. Salvação só há em Deus, não nos homens.

Cuidemos para não transferir nossa confiança e certeza que só podem estar no Senhor, para os homens. Nenhum poder real, nenhum conhecimento eterno há naqueles que não conhecem a Cristo. “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor! Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor” (Jr 17:5-7). Lembremos disso. Que o Senhor nos ajude a compreender e a esperar pelo fim, não com olhar pessimista, mas com a expectativa da glória. Renunciemos a tudo o que é terreno, favorecendo tudo o que é eterno. Que nossa confiança esteja posta unicamente em Jesus. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

Nenhum comentário:

Postar um comentário