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quinta-feira, 16 de julho de 2026

CORPO

A experiência do perdão está ao nosso alcance, mas é exigente. Acontece que fomos educados para fazer valer a razão. O coração entende os sentimentos e carrega consigo o desejo e a capacidade de perdoar. É bom lembrar que o ato de perdoar raramente acontece de uma vez só. Às vezes, a boca diz que está tudo resolvido, mas a memória ainda visita a ferida, o coração ainda se encolhe diante de certas lembranças e o corpo ainda guarda tensões que a razão não consegue explicar. Há dores que foram compreendidas pela mente, mas ainda não foram abraçadas pela alma. Por isso o perdão pede paciência. Primeiro ele passa pelo pensamento, quando deixamos de alimentar a vingança e começamos a reconhecer que carregar ressentimento também nos aprisiona. Depois desce ao coração, onde a dor precisa ser acolhida sem pressa, sem fingimento e sem obrigação de parecer forte. Por fim, chega ao corpo, esse lugar silencioso onde tantas histórias ficam registradas. Deus conhece esse caminho inteiro. Ele não exige que a cura seja rápida, nem mede a fé de alguém pela velocidade com que consegue soltar uma mágoa. A graça age devagar, como luz entrando por frestas pequenas, até tocar lugares que nem sabíamos ainda feridos. Perdoar não é apagar o acontecido, nem chamar de leve aquilo que pesou. É permitir que o passado deixe de governar todos os movimentos do presente. Aos poucos, a mente descansa, o coração respira e o corpo volta a confiar na vida. Existe uma paz profunda quando a pessoa percebe que não precisa mais se defender da própria lembrança. O perdão maduro não faz barulho, não se exibe, não precisa provar nada. Ele simplesmente devolve liberdade ao interior. E quando essa liberdade começa a nascer, mesmo que pequena, a alma entende que Deus não apressou o processo porque também estava cuidando das partes que ainda não sabiam pedir socorro. Perdoar é longo, mas é uma das formas mais bonitas de voltar a morar em si mesmo com ternura, verdade e serenidade. 

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