O que Tomé não percebeu... e eu também não.
Há algo em João 14 que levou anos para que eu realmente enxergasse.
Tomé não perguntou quem era Jesus. Ele perguntou qual era o caminho.
Como eu, muitas vezes.
Também já pedi a Deus uma direção, uma resposta, um sinal que me mostrasse qual decisão tomar. Mas Jesus não respondeu à pergunta de Tomé como qualquer mestre responderia. Ele não apontou uma estrada. Não entregou um mapa. Não apresentou um método.
Ele simplesmente disse: "Eu sou."
Naquele momento, Jesus mudou completamente o foco da conversa. Era como se dissesse: "O problema de vocês não é não conhecerem o caminho. O problema é que ainda não perceberam que o Caminho está diante de vocês."
Foi isso que me confrontou.
Passei muito tempo querendo que Deus iluminasse o próximo passo, enquanto Ele queria que meus olhos estivessem fixos em Cristo. Afinal, quem caminha com Ele pode até não saber os detalhes do amanhã, mas nunca estará perdido.
Foi então que compreendi a profundidade daquelas palavras.
Ele é o Caminho porque veio do Pai para nos buscar quando nós jamais conseguiríamos encontrá-Lo.
Ele é a Verdade porque, em um mundo cheio de vozes, não apenas fala sobre Deus; Ele revela perfeitamente quem Deus é.
E Ele é a Vida porque não veio apenas prolongar nossos dias. Veio vencer a única realidade que ninguém poderia derrotar: a morte provocada pelo pecado.
Talvez seja por isso que Jesus termina dizendo: "Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim."
Essa frase não é uma porta fechada para quem procura Deus.
É a notícia mais misericordiosa do Evangelho.
Porque, se dependesse de nós, ninguém encontraria o Pai. Então o próprio Pai enviou o Filho para ser o Caminho que nós nunca conseguiríamos construir.
Hoje eu entendo: a maior esperança do cristão nunca foi saber para onde está indo.
É saber que o próprio Caminho caminha conosco.
E, se o próprio Caminho caminha conosco, não existe destino mais seguro do que permanecer nEle.
📖 "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim." — João 14:6
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