Êxodo 7:17
O Egito olhava para o Nilo e via vida.
Deus olhou para o Nilo e mostrou que até aquilo que sustenta a criação continua sendo criação.
Durante séculos, o rio havia sido celebrado como fonte de fertilidade, alimento e abundância. Hapi estava associado às suas águas e às suas enchentes. Osíris também estava ligado ao Nilo. Para os egípcios, aquelas águas não eram apenas águas. Havia uma teologia construída ao redor delas.
Então Deus não começa ferindo o palácio.
Ele fere o rio.
A vara toca as águas e aquilo que era símbolo de vida se torna símbolo de morte.
O rio que eles veneravam ficou vermelho.
A fonte da abundância tornou-se fonte de horror.
O que eles cantavam agora lhes causava medo.
É como se Deus estivesse dizendo ao Egito, sem precisar de um longo discurso, que aquilo que vocês chamaram de deus nunca passou de criação.
O Nilo não sustentava o Egito.
O Nilo era sustentado por Deus.
E existe algo profundamente confrontador nisso.
Porque o nosso coração também sabe transformar presentes em deuses.
Aquilo que Deus nos dá para servir pode se tornar aquilo a que servimos.
O dinheiro que deveria ser ferramenta pode se tornar senhor.
A família que deveria ser bênção pode ocupar o lugar da confiança.
O trabalho que deveria produzir sustento pode se transformar em identidade.
A influência que deveria servir pessoas pode se transformar em altar.
O problema não está necessariamente naquilo que está em nossas mãos.
O problema começa quando aquilo que está em nossas mãos ocupa o lugar daquele que sustenta nossas mãos.
Deus feriu o Nilo para revelar quem realmente sustentava o Egito.
E talvez existam momentos em que Deus permita que alguma falsa segurança seja tocada, não para destruir você, mas para revelar em quem você realmente confiou.
Porque quando Deus remove a glória que entregamos à criatura, Ele não perde a glória.
Ele apenas devolve a glória ao lugar de onde ela nunca deveria ter saído.
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