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terça-feira, 20 de outubro de 2026

ELIAS

 Cês sabem que eu sou mineira, né? E mineiro num conversa, proseia… até na oração! Aí imagina uma prosa dessas com Deus, de madrugada: “Ô, Senhor… só pra mode eu entender um trem. Elias orou e desceu fogo do céu. Davi foi com uma pedra e derrubou o gigante. Moisés estendeu a mão e veio praga sobre o Egito. Sansão pegou uma queixada de jumento e enfrentou mil homens. Josué e o povo gritaram, e a muralha caiu. Até o Senhor Jesus fez um chicote de cordas pra tirar os vendedores do templo! Aí chega na vez da gente: ore, perdoe, tenha paciência e abençoe. Uai, num sobrou nem uma trombetinha? Um cajadim? Nem uma pedrinha, dessas miudinha mesmo?” Porque disposição pra rodar uma muralha tem, sô… dependendo do endereço, num precisa nem chamar duas vez! Mas a orientação continua: joelho no chão e boca vigiada. “Senhor, posso pelo menos…” “Ore.” “Mas se eu só…” “Perdoe.” “Então deixa eu explicar…” “Abençoe.” Ô, trem difícil! A gente ensaia uma resposta de três página e o evangelho manda responder com uma oração! E é aí que a prosa fica séria: perdoar exige uma força que a raiva nunca precisou ter. Tem muita coragem em conseguir ferir e escolher não ferir. Mas podia vir uma paciencinha junto, né, Senhor? Porque o joelho já tá no chão… só falta a língua aceitar o propósito!

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