1 eu. 2 eu. 3 eu. 4 eu. 5 eu. O próximo também sou eu, porque vai que alguém precisa de alguma coisa bem na minha vez… Tem gente que tem um coração enorme. Cabe ela, a vontade dela, a razão dela e todos os problemas dela. Só não sobra lugar para mais ninguém. Você começa a contar uma dor e termina ouvindo a dela. Não consegue terminar uma frase, porque ela já sofreu mais, já passou por coisa pior e tem um problema mais urgente. Se ela chora, todos precisam parar. Se o outro chora, precisa ser forte. Tudo tem que ser do jeito dela, no tempo dela. Até para ajudar, exige que a pessoa aceite ser controlada. O rico da parábola dava banquetes enquanto Lázaro, coberto de feridas, desejava as migalhas que caíam da sua mesa. A dor estava à porta. Não precisava viajar para encontrá-la, bastava olhar. Mas há quem consiga enxergar uma migalha fora do lugar e não perceba uma pessoa desmoronando ao lado. Depois, aquele rico em tormento chamou Lázaro pelo nome e pediu que ele fosse enviado para aliviar sua sede. Conhecia o nome de quem sofria à sua porta, mas agora queria receber dele o cuidado que não ofereceu. É triste quando alguém precisa chegar ao limite para ser percebido. Quando para de falar porque já entendeu que ninguém vai ouvir. E o outro ainda diz: “Se precisava, por que não me falou?” Falou. Você é que estava ocupado demais esperando a sua vez de falar de si. Amar o próximo exige interromper o próprio conforto para perceber quem está sofrendo. Porque alguém pode estar sentado à sua mesa e se sentir tão abandonado quanto Lázaro àquela porta.
Lucas 16:19–31.
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