Como é maravilhoso ‘misturar’ nossa vida com o amor de Deus. Demorei um tempo para compreender que Deus não estava distante e nem castigava. A experiência do amor de Deus transformou minha vida. Bem sabemos que o ser humano se inquieta diante do que escapa à compreensão, porque aprendeu a confiar mais no que domina do que no que o sustenta. Quando as respostas não vêm, o coração tende a se agitar, como se o silêncio fosse sinal de abandono ou falha. No entanto, existe uma ordem mais ampla que não depende da nossa capacidade de entender, uma condução discreta que continua operando mesmo quando tudo parece fora de lugar. Deus não governa a vida como quem controla peças rígidas, mas como quem acompanha processos vivos, respeitando tempos, amadurecimentos e limites. Há acontecimentos que só revelam sentido muito depois, e outros que jamais se explicam plenamente, mas nem por isso deixam de estar envolvidos por cuidado. Confiar nesse controle não é fechar os olhos para a dor, é reconhecer que ela não é soberana. A fé madura não elimina perguntas, mas impede que elas se transformem em desespero. O coração aprende, pouco a pouco, que não compreender tudo não significa estar perdido. Muitas vezes, aquilo que parece desordem é apenas uma etapa ainda não decifrada do caminho. Deus vê o conjunto, enxerga conexões que escapam ao olhar apressado, sustenta quando as forças falham e orienta mesmo quando a direção não é clara. Há um descanso profundo em aceitar que a vida não depende apenas do próprio esforço para se manter de pé. Esse abandono confiante não é passividade, é humildade diante do mistério. Ele permite atravessar dias confusos sem endurecer, viver incertezas sem perder a esperança, caminhar sem exigir garantias imediatas. O controle de Deus não oprime, ampara; não limita, protege; não apaga a liberdade humana, mas a envolve com sentido. Quando se aceita isso, o coração desacelera e encontra um chão mais firme do que as próprias certezas. Nem tudo precisa ser entendido para ser cuidado, nem tudo precisa fazer sentido agora para estar a salvo. A vida segue sustentada por mãos invisíveis que não falham, mesmo quando o olhar humano não alcança. E nessa confiança serena, a alma descobre que pode continuar, não porque tudo esteja claro, mas porque tudo está guardado.
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