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quarta-feira, 22 de abril de 2026

CRISTO

 Participantes do Corpo de Cristo

“a saber, que os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho” (Ef 3.6).

No meio de sua tratativa da inclusão dos gentios no povo de Deus, quando assumem o status não de família de Abraão, como era o judeu, mas de família de Deus, o apóstolo foi tomado por um desejo incontido de louvar a Deus por tamanha e incomparável graça. É como se Paulo se surpreendesse com a proporção da graça de Deus. Essa graça é muito maior do que se supunha, do que se imaginava. No verso que estamos expondo, o apóstolo está especificamente retomando essa verdade, indicando-a como a grande causa do seu assombro e maravilha: “os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa”. Quem dos judeus alguma vez havia pensado nisso? Quem dos descentes de Abraão algum dia admitiria tal coisa? Essa é a questão! A maravilhosa graça de Deus dá uma reviravolta naquilo que o judeu compreendia.

Contudo, reparemos que estamos a falar de compreensão, não de revelação. No Antigo Testamento, Deus já havia deixado claro que o gentio tinha parte no povo. Nós vemos a salvação de gentios mesmo na antiga dispensação. Além disso, há a inclusão de Raabe, uma prostituta de Jericó, e Rute, uma moabita, na genealogia de Cristo. No caso de Raabe, não apenas de fora do povo, mas prostituta, mostra ainda mais o poder redentor de Deus, salvando não apenas do paganismo, mas de seus próprios pecados e impiedade. Além disso, outro fator a ser considerado é que havia o pátio dos gentios no Templo, mostrando que os estrangeiros tinham também lugar em Israel. No entanto, proporcionalmente, os gentios sempre foram minoria no povo do Antigo Testamento. Constituíam uma pequena parte do contingente dos escolhidos. Na genealogia de Cristo são quase exceção. Quanto ao Templo, estavam restritos ao pátio mais exterior e impedidos de acessar o átrio central.

Com tudo isso, sem dúvida, a impressão que temos é que, embora fizessem parte do povo, não tinham igual importância ou a mesma glória daquele que nasceu israelita, os nascidos na descendência de Abraão. Tal foi a noção, o conceito que o hebreu, e depois o judeu, cimentou com respeito àqueles que não eram descendência de Abraão. Associado a isso, ainda pesava contra o gentio seu paganismo e impiedade culturais. Era a própria forma de vida deles! Por isso, quase toda (para não dizer “todas”) referência que era feita aos gentios destacava alguma coisa negativa, algo contrário a Deus e oposto à Lei. Porém, o judeu entendeu mal o propósito de Deus. A separação que deveria haver entre o hebreu e os demais povos no Antigo Testamento era apenas temporária. Visava preservar o povo da contaminação pagã, bem como, dos pecados que eram comuns culturalmente às demais nações.

Haveria, contudo, o momento em que Deus derramaria o seu Espírito sobre toda carne. A profecia de Joel, que se cumpre no Pentecoste, marca a universalidade do povo, a abertura do evangelho para todas as nações: tratava-se de uma profecia da era dos gentios. Esse é o assombro de Paulo. Isso é o que leva o apóstolo a falar de seu ministério e do mistério que lhe foi revelado. Há aqui um grande ensinamento para nós. Deus não trabalha segundo a lógica humana. As tendências percebidas pelos homens, que são reais, nem sempre correspondem ao propósito de Deus! Qualquer um de nós, se tivesse nascido descendência de Abraão no Antigo Testamento, olharia para o gentio com olhar de desprezo, como se fosse, de alguma forma, inferior. O lugar deles é secundário e de menor importância no povo veterotestamentário, sua presença quase uma exceção. As evidências todas mostram e parecem confirmar isso. Mas vem o Senhor Jesus Cristo e mostra que tal entendimento era completamente errado. Não há maior ou menor diante de Deus. Não há povo ou pessoa mais importante para o Senhor. Todas são iguais. A todos é oferecida a mesma proporção da graça. Deus sobrenaturalmente faz cumprir o seu propósito, muito diferente das suposições, impressões e leituras humanas.

Há aqui outra coisa a considerar: o Senhor não faz acepção de pessoas, e nós também não devemos fazer. O poder transformador do Espírito Santo pode se manifestar na vida do maior dos pecadores. Seu perdão e sua graça são infinitamente maiores do que os nossos pecados – tem o tamanho da morte de Cristo, de seu sacrifício! Quando Deus transforma alguém, isso é evidência de conversão. Aqueles que buscam apenas entre lágrimas a mudança, mostram somente remorso do que fizeram, mas jamais se arrependeram verdadeiramente. Paulo continua o verso falando objetivamente dos elementos que lhe causaram espanto: os gentios são coerdeiros com o Messias que havia sido originalmente prometido aos judeus! Que descendente de Abrão alguma vez admitiria algo parecido com isso? Os herdeiros das promessas de Abraão veem agora o direito de herança estendido aos estrangeiros!

Paulo exalta a condição do gentio no povo, na igreja do Novo Testamento, não como família de Abraão, descendência de Abraão, mas como família de Cristo, família de Deus. Deus recompõe sua família perdida na queda de Adão através de um segundo Adão. Em sua natureza humana, Jesus é filho humano de Deus, concebido pelo próprio Espírito Santo. Todos aqueles que creem em Cristo são adotados irmãos de Jesus em sua humanidade, e compõem a família de Deus, que é a igreja. Jesus Cristo é Filho de Deus na Trindade, em sua divindade, como Segunda Pessoa da Trindade, e é filho de Deus em sua humanidade, tendo por Pai o próprio Espírito Santo que o gerou no ventre de Maria. Todos os crentes do Novo Testamento têm esse status, essa posição, lembrando que a maioria esmagadora dos salvos neotestamentários é gentílica. Paulo prossegue dizendo que os gentios assim foram também incluídos na assembleia dos santos do Novo Testamento.

Temos aqui alusão clara da participação deles como membros da igreja de Jesus, que é geralmente chamada por Paulo de “Corpo de Cristo”. Fica assim estabelecido que os gentios também compõem esse corpo. Mas, valendo-se ainda da mesma figura, o apóstolo destaca a união com Cristo. Ser Corpo de Cristo, ser igreja, implica necessariamente fazer parte do corpo, estar unido a Jesus Cristo que é o Cabeça da igreja. Assim, diz o apóstolo, consequentemente os gentios são coparticipantes da promessa. Eles foram destinados a herdar e a fazer parte de tudo aquilo que foi prometido aos hebreus no Antigo Testamento. Todas as alianças, todas as promessas feitas pelo Senhor ao povo da antiga dispensação, tinham também o gentio como alvo. Elas consideravam a inclusão dos demais povos.

Para Paulo, esse era o mistério revelado em Cristo. Isso era algo que estava oculto à percepção humana, mas que foi não apenas revelado, mas concretizado na vinda do Salvador. Consideremos com atenção: nós, gentios, somos devedores dessa graça. Nós somos aqueles que vivem o mistério que levou o apóstolo Paulo a ficar tão maravilhado, atônito, verdadeiramente assombrado. Como crentes do Novo Testamento, herdamos, juntamente com os hebreus, tudo o que foi prometido ao povo, recebemos em Cristo as bênçãos de todas as alianças. Somos membros do Corpo de Cristo, indissoluvelmente ligados a ele. Tudo o que foi prometido por Deus ao homem, nós recebemos no Salvador, se verdadeiramente cremos em seu evangelho. Conscientes de tão esplêndida verdade, temos que ser tomados pelo mesmo assombro que Paulo! Nós, que não somos descendência de Abraão, nós os gentios, que jamais conheceríamos o evangelho da graça, já recebemos todas as suas bênçãos em plenitude. O nosso coração deve se encher de júbilo e alegria, se realmente compreendemos isso. Nossa vida será direcionada ao Senhor em gratidão eterna. Estávamos longe e fomos trazidos para perto, perdidos e fomos adotados, pobres e recebemos a maior de todas as riquezas. Louvado seja o Senhor por tamanha salvação. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus (Rev. Jair de Almeida Junior).

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