"A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu." Hebreus 6.19
O escritor usa uma imagem que seus leitores entendiam visceralmente: a âncora de um navio. Mas há um detalhe que não pode ser ignorado, ele diz que essa âncora penetra até o interior do véu. O véu do Templo separava o lugar santo do Santo dos Santos, a presença inacessível de Deus. Nenhum marinheiro do primeiro século lançaria âncora em terra firme: a âncora vai para baixo, para o fundo invisível. Aqui o escritor inverte: a âncora vai para cima, para dentro do que não se pode ver, mas que é mais sólido do que qualquer fundo de mar.
Os destinatários desta carta estavam sendo tentados a desistir. A pressão da perseguição, do isolamento, do custo de seguir a Cristo era real. E a resposta do autor não é "vai ficar tudo bem logo", é: você está ancorado em um lugar que nenhuma tempestade alcança. A âncora não impede o balanço. O navio balança, e isso é assustador. Mas derivar e balançar são coisas completamente diferentes. Um navio ancorado pode ser sacudido por ondas de dez metros e ainda estar no mesmo lugar quando a tempestade passar.
Quantas vezes confundimos o balanço com o abandono? A fé não é a ausência da tempestade. É a certeza de que a âncora está firme em um lugar que a tempestade jamais pode acessar.
Quando tudo balançar, Senhor, lembra-nos de onde está nossa âncora, e que Tu és o fundo onde ela repousa.
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