Caço meios de fugir do negativismo. O lendário copo pode estar meio cheio.
Creio no imperativo de esperançar. Esperança nos impõe uma ação que não deve ser adiada - ou propositalmente esquecida.
Não nego as angústias que me assombram - chego a celebrá-las.
Angustiados criam, fantasiam, poetizam, oram, meditam. Enfrento as tristezas cara a cara.
Não as considero tão medonhas como os demônios gostariam de me fazer acreditar.
Como faço para desafiar o fantasma da angústia? Trato os períodos magros, as estiagens, os marasmos, sem considerá-los fracassos.
Digo ao meu coração: “mesmo batendo no fundo do poço, minha história há de repicar e vou dar a volta por cima”.
Não considero a existência paraíso ou inferno. Compete a mim, só a mim, a dura tarefa de não me deixar esmagar por eventos que não tenho controle.
Faz parte do meu credo que mesmo os falidos, os insolventes, os condenados podem se reinventar.
Ressurreição é termo que só se aplica a quem experimentou algum tipo de morte.
Nos tormentos espero o melhor e me preparo para o pior.
Procuro exorcizar, sobretudo, a covardia. Diante do pior cenário, qualquer melhora me dá a sensação de ter encontrado o beco que sai do labirinto.
Aprendo a sobreviver tensionado como a borracha de um estilingue. Só não posso fazer concessão aos valores que iluminam meu interior - não negocio o preço da minha alma.
Se por ventura perder ilusões (ser um des-iludido é bom), pretendo nunca perder o encanto de viver.
Daí vou usar os rubis e os entulhos, o riso e as lágrimas para redesenhar meu próximo caminho.
Minha estrada bifurcou em um ipê amarelo; peguei a estrada menos viajada e mesmo esburacada e íngrime, fez toda diferença.
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