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sábado, 30 de maio de 2026

COPO

 Caço meios de fugir do negativismo. O lendário copo pode estar meio cheio.


Creio no imperativo de esperançar. Esperança nos impõe uma ação que não deve ser adiada - ou propositalmente esquecida. 


Não nego as angústias que me assombram - chego a celebrá-las. 


Angustiados criam, fantasiam, poetizam, oram, meditam. Enfrento as tristezas cara a cara. 


Não as considero tão medonhas como os demônios gostariam de me fazer acreditar.


Como faço para desafiar o fantasma da angústia? Trato os períodos magros, as estiagens, os marasmos, sem considerá-los fracassos. 


Digo ao meu coração: “mesmo batendo no fundo do poço, minha história há de repicar e vou dar a volta por cima”. 


Não considero a existência paraíso ou inferno. Compete a mim, só a mim, a dura tarefa de não me deixar esmagar por eventos que não tenho controle.


Faz parte do meu credo que mesmo os falidos, os insolventes, os condenados podem se reinventar.


Ressurreição é termo que só se aplica a quem experimentou algum tipo de morte. 


Nos tormentos espero o melhor e me preparo para o pior. 


Procuro exorcizar, sobretudo, a covardia. Diante do pior cenário, qualquer melhora me dá a sensação de ter encontrado o beco que sai do labirinto. 


Aprendo a sobreviver tensionado como a borracha de um estilingue. Só não posso fazer concessão aos valores que iluminam meu interior - não negocio o preço da minha alma. 


Se por ventura perder ilusões (ser um des-iludido é bom), pretendo nunca perder o encanto de viver. 


Daí vou usar os rubis e os entulhos, o riso e as lágrimas para redesenhar meu próximo caminho. 


Minha estrada bifurcou em um ipê amarelo; peguei a estrada menos viajada e mesmo esburacada e íngrime, fez toda diferença.


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