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sábado, 30 de maio de 2026

FOGO

 "E a sarça ardia em fogo, e a sarça não se consumia. Então Moisés disse: Deixa-me ir e ver esta grande visão." Êxodo 3.2-3


Uma sarça em chamas no deserto não é novidade, o calor do Oriente Médio faz isso. O que parou Moisés não foi o fogo. Foi o que o fogo não estava fazendo. Fogo consome. É sua natureza. Uma chama que queima sem destruir contradiz tudo que sabemos sobre fogo. E é exatamente essa contradição que se torna a voz de Deus.


Moisés estava há quarenta anos no deserto fugindo de uma identidade que havia perdido. Príncipe sem trono, hebreu sem povo, pastor sem vocação. E Deus não aparece em tempestade, não aparece em vitória, aparece em uma sarça ordinária, no meio do trabalho ordinário de um dia ordinário. Mas aparece de um jeito que não faz sentido. E é o absurdo que obriga Moisés a parar.


Quão frequentemente Deus nos fala através do que não se encaixa, da paz inexplicável em meio à crise, da alegria sem motivo aparente, da força que aparece exatamente quando acabou a nossa? O fogo que não consome não é magia. É a marca de uma presença que sustenta sem destruir, que purifica sem aniquilar. Nós buscamos Deus nos grandes espetáculos, e Ele queima quieto, esperando que paremos para ver.


Que tenhamos olhos para enxergar o fogo que não consome, e ouvidos para ouvir o nome que Ele pronuncia quando nos manda parar.

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