Sempre me movimentei sem medo de avançar. Gosto de inovar e de reunir voluntários em prol de uma causa social. O movimento do existir é encantador. Mas é verdade que o ser humano gosta de segurança. Existe um desejo profundo de estabilidade, de previsibilidade, de caminhos completamente controlados. O coração tenta construir certezas como quem acredita que, assim, poderá evitar dores, perdas ou mudanças inesperadas. No entanto, a própria vida mostra continuamente que nada permanece exatamente igual por muito tempo. Tudo se move, tudo atravessa transformação. Deus não nos criou para a imobilidade interior. Há momentos em que será necessário soltar antigas seguranças para alcançar novos sentidos. E esse movimento quase sempre exige coragem. O trapézio da existência pede confiança no instante em que uma mão precisa deixar o apoio anterior antes de alcançar o próximo. É justamente nesse espaço de travessia que muitos medos aparecem. O medo de errar, de cair, de perder o controle, de não conseguir sustentar o próximo passo. Mas permanecer imóvel também possui um preço silencioso. Aos poucos, a alma que evita todos os riscos começa a se afastar da própria experiência de viver. Porque viver profundamente exige disponibilidade para o novo, para os recomeços, para aquilo que ainda não pode ser completamente garantido. Deus acompanha cada travessia, inclusive aquelas que parecem mais inseguras. Muitas vezes, é justamente no movimento que o coração descobre capacidades que nunca conheceria permanecendo apenas na zona confortável da vida. Aos poucos, a alma amadurece e compreende que estabilidade absoluta não existe. O que existe é uma confiança mais profunda capaz de sustentar os movimentos inevitáveis da existência. E então, o coração deixa de viver apenas tentando evitar quedas e passa também a experimentar a beleza dos saltos necessários. Porque há experiências, encontros e transformações que só acontecem quando alguém aceita se lançar além dos limites do medo. E é nesse risco consciente, sustentado pela fé e pela coragem, que a vida encontra seu verdadeiro movimento.
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