Amós não era sacerdote, não pertencia à elite religiosa e nem vivia tentando construir um nome. Ele cuidava do gado e das árvores quando Deus o chamou e mandou que fosse profetizar a Israel. Só que Amós chegou falando o que ninguém queria ouvir. Enquanto o povo mantinha aparência de religião, Deus estava mostrando que não aceitava culto de gente que cantava, sacrificava e continuava vivendo longe da justiça. Até que Amazias, sacerdote de Betel, se incomodou. Em vez de parar para pensar se Amós estava falando a verdade, foi ao rei acusá-lo e depois mandou o profeta embora: “Vai para Judá… e ali profetiza. Mas em Betel não profetizarás mais.” Olha o perigo disso: a Palavra começou a mexer no que eles não queriam mudar, então decidiram que o problema era quem estava pregando. E ainda fazemos isso. Enquanto a mensagem consola, compartilhamos. Enquanto confirma nossas escolhas, dizemos amém. Enquanto confronta o pecado do outro, achamos forte. Mas quando entra na nossa casa, toca no nosso comportamento, confronta nosso orgulho, nossas escolhas, nosso dinheiro, nossa língua, nossa falta de perdão, de repente começamos a procurar defeito em quem falou. Amazias queria escolher até onde a Palavra poderia entrar. Betel podia ter religião, sacerdote, altar e aparência espiritual, só não podia ter uma voz que incomodasse. E talvez esse seja um dos lugares mais perigosos onde alguém pode chegar: continuar querendo Deus, mas somente um Deus que não contrarie suas vontades. Amós não mudou a mensagem para continuar sendo aceito. Ele respondeu: “Eu não era profeta… mas o Senhor me tirou de após o gado e me disse: Vai e profetiza ao meu povo Israel.” Tem palavra que não chegou para agradar você, chegou para impedir que você continue confortável no lugar que está destruindo você. Antes de rejeitar aquilo que incomodou, pergunte por que incomodou. Talvez você não esteja com raiva da pessoa que falou. Talvez esteja com raiva porque, no fundo, sabe que Deus tocou exatamente onde você não queria que ninguém mexesse.
Amós 7:10-15
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