Abimeleque não apareceu do nada. Antes de chegar à torre de Tebes, ele já tinha construído uma história marcada por sangue. Era filho de Gideão e, depois da morte do pai, decidiu que queria governar. Para chegar ao poder, matou seus próprios irmãos, setenta homens, sobre uma mesma pedra. Só Jotão escapou. Abimeleque conseguiu o que queria: foi feito rei. Durante algum tempo pareceu que violência, ambição e crueldade tinham funcionado. Até que aquilo que ele plantou começou a voltar.
Anos depois, Abimeleque atacou Tebes. Tomou a cidade, mas parte do povo correu para uma torre fortificada e se trancou lá dentro. Ele se aproximou para colocar fogo na entrada. Provavelmente imaginava que seria apenas mais uma vitória. Já tinha destruído, matado e vencido antes. Só que no alto daquela torre havia uma mulher cujo nome a Bíblia nem registra.
Ela pegou uma pedra superior de moinho e lançou.
A pedra atingiu a cabeça de Abimeleque e quebrou seu crânio.
Olha quem ele era e olha de onde veio sua queda. Um homem que matou setenta irmãos para chegar ao poder não caiu diante de um grande guerreiro. Não foi um exército famoso que interrompeu sua trajetória. Foi uma mulher anônima, em cima de uma torre, com aquilo que estava ao alcance das mãos.
Tem gente que começa a acreditar que nunca será alcançada porque já fez tanta coisa errada e aparentemente continua de pé. Machuca, manipula, passa por cima, destrói pessoas e, como nada acontece imediatamente, começa a confundir a paciência de Deus com aprovação.
Abimeleque também continuou avançando por um tempo.
Mas continuar avançando não significa que Deus está aprovando o caminho.
E também tem alguém olhando para uma situação enorme demais e se sentindo pequeno demais para fazer alguma coisa. Aquela mulher não tinha espada, exército, título e nem teve seu nome registrado. Tinha uma pedra.
Não despreze o que está na sua mão só porque parece pequeno diante do tamanho do que está à sua frente.
Abimeleque chegou a Tebes acostumado a vencer.
Só não imaginava que sua última batalha terminaria pelas mãos de alguém cujo nome ele provavelmente nunca soube.
Juízes 9:1-6, 50-57
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